

Antes de tudo, devo dizer que se não fosse por esse livro - Buenos Aires, Onde comer bem, bacana e barato - do Alex Herzog, eu não teria ido a nenhum desses restaurantes. E por isso, sou muito grata. Alex, você proporcionou momentos de pura alegria selecionando restaurantes magníficos para quem vai a Buenos Aires!
Ao contrário da maioria das pessoas da nossa idade que viaja com mochilão e com outros propósitos que não comer, eu e o Marcelo fomos com o intuito de passar bem. E isso incluía comer bem, obviamente. Nada de miojo ou macarrão escorrido com pimentão. Antes de sair de casa de manhã, sempre consultávamos o livro pra saber quais restaurantes ficavam perto dos lugares que a gente pretendia ir, marcava tudo no mapa, e tal. Nessa brincadeira, praticamente não comemos nada ruim, almoçando, tomando chá e jantando quase todos os dias em lugares diferentes.
Então quem vai pra lá e também tem objetivos gastronômicos, ou simplesmente não gosta de comer no McDonald's, também procure esse livro. Especialmente porque com as imagens, você se sentirá atraído por outros restaurantes que eu não fui... Enfim. Vamos ao guia.
Os Restaurantes - Ou Onde Comer Bem e Ser Feliz
El Cuartito

Mas além da pizza, bom mesmo é a Fogazza. Ou a Fogazzeta com Jamón. Gente, o que é isso? O queijo vem dentro da massa, que é coberta de presunto delicioso e cebola, e é uma coisa tão gostosa.
Nenhuma ilustração em um milhão de anos conseguiria representar a magnitude que é uma Fogazza cortada, com tanto tanto queijo que você nem vê onde o pedaço estava em primeiro lugar.

O que é isso?! Oi?
Café Tortoni

Como já tinha comentado numa outra parte do guia, o que é ir ao Café Tortoni tomar um tradicional chocolate quente com churros? Uma delícia. E o ambiente maravilhoso e antigo... Para completar, só se você ainda quiser ver um tango. Mas o chocolate já é um show a parte. #trocadilhotoscoderevistas
Jardim Japonês

Também já tinha comentado como o restaurante do Jardim Japonês é ótimo. E é tão tradicional que parecia que todas as pessoas que trabalhavam lá tinham origem japonesa, do cara que cobra a entrada para entrar no Parque ($7, se não me engano), ao cara que te diz gentilmente que a espera para uma mesa é de uma hora. E o restaurante estava lotado, inclusive tinha um casamento (?) no dia que nós fomos.
Quando finalmente fomos comer, enrolamos horas namorando o cardápio, até decidir pedir um Gyoza. Um Gyoza é um pedaço do céu, feito de carne de porco cozida, envolta numa massa deliciosa e feita no vapor. Descrevendo assim não é grande coisa, mas acredite em mim: é! Nem me dei ao trabalho de desenhar o Gyoza, porque além dele ter ficado parecido com uma lesma não ia traduzir a maravilha que é um Gyoza. Então. Depois comemos um yakissoba magnífico e uma carne sensacional, e quando a barriga gulosa decidiu que ainda cabia alguma coisinha, resolvemos pedir o tal sushi que o Alex Herzog recomendava no livro. Mas aí já eram quase cinco horas e a cozinha tinha fechado. Quen quen... Vamos ter que esperar até a próxima pra saber qual é a do sushi.
Voulez Bar

O Voulez Bar foi uma paixão. Ele fica numa parte linda de Palermo, próximo a uma boulevard arborizada, e a história é que a dona morava num dos apartamentos na esquina dessa boulevard e ficava os dias olhando para o ponto vazio em frente ao prédio, sonhando com o dia que iria montar um restaurante ali. Que bom que ela montou!

Primeiro, o chá. Fomos lá depois de ter ido no Zoológico, famintos... É uma caminhadinha boa, uns seis ou sete quarteirões, mas vale a pena. Chegando lá, no finzinho da tarde, eu decido tomar um chá e uma torta, que eram especialidades da casa. E o Marcelo diz: vou tomar um café da manhã. Depois de um dia sem almoçar, o que um menino quer é tomar café da manhã duas vezes. Então veio uma refeição deliciosa de ovos com bacon, café com leite, suco de laranja, pãezinhos deliciosos, cream cheese e marmelada... E baratinho. Isso somado ao ambiente simpaticíssimo e o atendimento bom tornaram o Voulez Bar um favorito. Amamos tanto que... Voltamos na última noite para jantar! E foi uma ótima surpresa, porque o cardápio da noite é diferente do diurno. Comemos um super risoto e saímos felicíssimos.
Eu gosto tanto do Voulez Bar que às vezes, em momentos de descuido, quando o Marcelo me pergunta "onde tu quer jantar?" eu respondo que quero ir lá. Coitada de mim. Enfim.
Sirop Folie

Casal cheio de classe se diverte no restaurante chique
Ao contrário do Voulez Bar, que é um restaurante lindo e amigo, aquele que você quer ir sempre e fazer amizade com o dono e com os garçons, o Sirop Folie é um restaurante chique. Mas não é um restaurante chique qualquer... É o irmão mais descontraído de um restaurante ainda mais chique, o Sirop (sem Folie).
Demos muita, muita MUITA sorte. Primeiro porque ficamos meio intimidados em ir para lá, sendo turistas jovens (que, apesar de estarem dispostos em pagar um preço justo por uma boa pratada de comida gostosa, também não ganharam na loteria ou são ricos). Então resolvemos ir no último dia, quando nosso vôo saía de Buenos Aires de tardezinha. Não marcamos antes, mas assim que chegamos, conseguimos uma mesa porque alguém tinha desistido. Oi, argentino que desistiu de tomar seu brunch no Sirop Folie aquele dia, MUCHAS GRACIAS.
Também nem tentei desenhar a comida do Sirop porque... Simplesmente, não ia chegar aos pés do que a gente comeu aquele dia. Eu nunca, nunca na minha vida, comi algo tão gostoso. Todos os sabores se combinavam como mágica, tudo no prato tinha um motivo para estar ali.

Eu comi o ravioli, com recheio de pêra, molho a base de mascarpone e rúcula. Eu odeio rúcula e nunca tinha comido mascarpone, e nem curto pêra. Mas essa combinação deu TÃO certo que o prato é simplesmente indescritível. Era cremoso, salgado, doce, tudo ao mesmo tempo. E a sobremesa também era outra coisa incrível, macia e amarga, mas doce, e úmida... Aaahhh... Eu passei uns bons meses sentindo o gosto magnífico do meu ravioli na minha mente, e mal posso esperar voltar a Buenos Aires e ir no Sirop Folie de novo. Jesus, obrigada.
Edit:
Acho importante comentar os preços. Eu não lembro do preço de tudo, mas lembro claramente do preço da conta do Sirop, que foi o restaurante mais chique que a gente foi (tirando a merda do restaurante que eu citei abaixo)... A conta de entrada (pães e patês que vem sempre, de graça, mas nem sempre são gostosos), três pratos, dois refrigerantes e um chá, e uma sobremesa deu 300 pesos. Dividido por 3 pessoas. Dividido pela metade, porque o peso é tipo cinquenta centavos. Ou seja: foi barato DEMAIS.
Outra coisa que eu lembrei agora: em alguns restaurantes eles cobram na conta uma coisa chamada "cubiertos", que custa sempre menos que $10 por pessoa. Cubiertos é uma taxa que você paga sobre... os talheres. Sim, dá vontade de dizer: quero pagar essa merda não e vou comer com a mão, ora. Mas essa taxa é meio parecida com os 10%... A Morgana, que faz faculdade de culinária e mora lá, disse que tem a regra de, quando o restaurante cobra os talheres (absurdo), ela não dá a gorjeta, a não ser que o serviço seja SENSACIONAL, tipo o do Sirop Folie. Pagamos os cubiertos E a gorjeta.
Restaurantes que você NÃO deve ir
Como disse, tivemos quase nenhuma experiência ruim. As duas únicas que tivemos talvez tenha sido ocasional, talvez tenha sido a noite, ou o garçom, ou o chef que estava de mau humor, ou qualquer coisa assim. Especialmente porque já vi críticas ótimas, e o próprio Herzog também recomendava esses restaurantes... Enfim. Vou citar dois que foram horríveis:
La Cabrera
O restaurante era pra ser A Melhor Parrilla da Cidade, mas por uma enorme junção de acontecimentos, foi um fiasco. Primeiro porque esperamos por três horas para conseguir uma mesa. Três horas. Mas estávamos bem humorados, tomando bons drink (que eles dão porque... sempre tem mil pessoas do lado de fora querendo entrar) e boas linguiças deliciosas com molho. Depois das duas horas de espera, começou a bater um desânimo. A linguiça tava boa, tinha sido de graça, então... por que não ir? Mas quando você já esperou duas hora e meia, você pensa "fiquei até agora, fico mais duas horas, ORA". Bom. Aí que depois de três horas meu ânimo não estava mais o mesmo. O Marcelo e a Morgana estavam comendo chilitos (isso mesmo, CHILITOS) sentados na calçada do restaurante, eu estava com fome, tinha mil pessoas, enfim. Eu estava com fome antes de sair de casa, três horas depois, só podemos imaginar.
Okay. Esperamos. Finalmente, depois de hoooooooooooooras, chegou a nossa vez de sentar. Fomos logo atacando a água que aguardava belamente sobre a mesa, super convidativa, e é claro que pagamos uma baba por ela depois quando veio a conta. E... A comida em si não tava boa. Pedimos um filé e outro corte de carne, mas não estava saboroso. Aliás, estava sem graça. Quando veio a conta, foi caríssimo, ruim, e se eu já estava com o humor meio oscilante da fome e da espera, voltei para casa aos pulinhos.
Ah, mas o Manoel Carlos estava lá também! Ficamos rindo horas imaginando se a próxima novela vai começar em Buenos Aires. Espero que o Maneco tenha gostado mais da comida que a gente. Se na próxima novela acontecer da mocinha conhecer o par romântico enquanto esperava horas em frente a um restaurante, vocês já sabem de onde isso veio.
O Café que Fica Dentro do Ateneo
Pedimos um café e uns pedaços de torta, que estavam horríveis. Tão horríveis que ninguém aguentou comer, com um gosto meio rançoso, meio mofado. E ainda foi caríssimo. Algo do tipo $17 por uma GARRAFA D'ÁGUA. Por favor, né? Por esse preço eu me fartava no Voulez Bar pela terceira vez.
Edit: minha mãe viajou para Buenos Aires recentemente e disse que a torta de limão do Ateneo estava magnífica. Então pode ser que você encontre uma torta de limão magnífica quando for... Ou que você se depare com uma torta meio mofada que ninguém aguentou comer. Corra o risco!
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Endereços
El Cuartito: Talcahuano 937
Café Tortoni: Avenida de Mayo 825
Jardim Japonés: Avenida Figueroa Alcorta / Avenida Casares
Voulez Bar: Boulevard Cerviño 3802
Sirop Folie: Vicente Lopez 1661 - Pasaje del Correo (tel: 48135900 ligue pra reservar!)