The 7 Things (07/31)

Não acredito que conseguimos chegar ao sétimo dia de BEDA, ainda firme e forte. Entre posts longuíssimos e emocionais, precisamos falar um pouco de nada, né? Então aqui vai o meme das 7 Coisas, famosinho nas internê, então até mais e obrigada pelos peixes.

óbvio

7 coisas para fazer antes de morrer
1. Escrever uma HQ
2. Publicar um livro
3. Trabalhar em casa
4. Fazer um picnic às margens do Sena
5. Conhecer o Japão
6. Ter filhos
7. Ter uma ninhada de filhotes

7 coisas que eu mais falo
1. WHAT*
2. Fuck
3. Ixe / vixe
4. Olha essa foto desse cachorro aqui...**
6. Faço já já
7. Jesus, Mary and Joseph (ou fuck, shit and crap - nessa ordem)

7 coisas que eu faço bem
1. Cozinho
2. Escrevo
3. Desenho
4. Lembro da fisionomia das pessoas, especialmente se elas não tem importância
5. Compreendo as pessoas (ou faço o profile delas)
6. Trança no meu próprio cabelo
7. Comprar em lojas caras com preços baratíssimos

7 coisas que me encantam
1. Cachorros
2. Vídeos de tutorial de maquiagem, especialmente para se transformar em outra pessoa (sou fascinada, perco horas assistindo)
3. Sobremesas
4. Paisagens lindas
5. Ilustrações com cores bonitas
6. Lojas de material de desenho
7. Gente educada

7 coisas que não gosto
1. Pepino
2. Minions
3. Acordar cedo
4. Sair de casa depois de já ter botado o pijama***
5. Sertanejo universitário
7. Séries com risada gravada****

*Falo muito em inglês. Muito. Não sei por quê. Alguém me explica.
** Conheço 100% dos cachorros que sigo no insta pelo nome (Yosi, Iggy-Una, Milk, Yamakao, Nene, amo todos), e os aleatórios no facebook eu geralmente trato pela raça. Tenho problemas, eu sei.
*** Não importa a hora que o pijama seja colocado. Colocar o pijama é como estabelecer o seu estado de espírito, tipo agora sou apenas eu, eu mesma e o meu direito de fazer nada. Não consigo.
**** A única que gosto é Friends, mas acho que posso generalizar, pois realmente odeio todas as outras.



Drop everything now (06/31)

Era uma sexta-feira, feriado, e MB havia ido dar uma aula particular. Eu estava largada na minha cama, pensando na vida, quando a Giu chega aqui em casa. Ela tinha combinado comigo de irmos na casa de uma colega de faculdade dela, para que eu a ajudasse a escolher uns vestidos que ela iria usar numa festa. Naquele momento, como em vários da minha vida, o meu ânimo para fazer qualquer coisa era negativo; mas se tem uma coisa que vocês precisam saber sobre a Giu é que ela é uma pessoa praticamente impossível de se negar alguma coisa. Porque se você vem falar que está de pijama e não está muito disposta, ela já está dentro da sua casa, jogando uma toalha na sua cara e mandando você tomar um banho porque vocês vão sair sim.

Então esse dia eu venci a apatia, tomei um banho demorado, e senti uma vontade muito louca de me arrumar. Também é importante dizer que qualquer outra situação eu teria apenas colocado uma roupa melhorzinha e acompanhado a Giu com a cara e a coragem, afinal não conheço a menina que nós vamos visitar, etc. Mas me arrumei. Conversamos um pouco e saímos de casa, para ir logo na casa dessa amiga e acabar logo com essa história.

O apê era bem pertinho daqui, e chegamos rápido. Tocamos a campainha. Não vi quem abriu a porta, mas quando dei por mim, todas as meninas da Máfia estavam dentro do apartamento, gritando "surpresa!", tudo decorado, cheio de balões, e muitos, muitos, muitos artefatos em forma de pênis. 

- De quem é essa casa? - foi a primeira coisa que eu perguntei, quando consegui me recuperar.
- Ué, é nossa! A gente alugou! - alguém respondeu.

Nesse momento, comecei a derreter, e chorei e sorri como nunca nessa vida. Porque não apenas as minhas pessoas favoritas no mundo inteiro estavam de surpresa na minha nova cidade, como elas se deram o trabalho de alugar um apartamento para a Gente ficar. Passarinha, Banana, Chica, Sharon, Lilica, Fitcha, Plan, Tatá, Mimi, e claro, a Rebeca, que não parava de rir, por ter me enganado assim tão bem. Todas juntas. Aqui no Rio. Prontas para um final de semana de despedida de solteira, que eu jamais achei que fosse acontecer.

Entre irmos para a praia, assistir o pôr-do-sol na Urca, tomar bolo com champagne de madrugada, fazer dance party ouvindo Fergalicious, sair para a balada de coroa (e eu vestida de noiva), assistir o sol nascer em Copacabana, e se abraçar e se amar, passou um final de semana que eu até agora não acredito.


Porque sinceramente, não acredito até agora que dei essa sorte. De que elas, que são também o amor da minha vida, apareceram justamente na minha vida.

Uma das coisas que a Gente mais gosta é quando alguém pergunta como a gente se conheceu. Sempre damos uma risadinha coletiva, e cada uma explica uma parte: então, todo mundo tem blog, então resolvemos fazer um grupo do facebook, e daí combinamos de se encontrar... Mas como fazer alguém entender que, sim, temos blogs, começamos a conversar no grupo de facebook, e pouco tempo depois estou indo buscar todas no aeroporto de Fortaleza, porque elas irão ser minhas damas de honra?

O tempo é pouco, especialmente para quem não tem muita chance de estar junto. Mas o que torna a Gente especial é essa vontade, é saber que todo mundo está junto nessa cilada porque gosta mesmo, já que ninguém escolhe gastar salários após salários com viagens, e horas e mais horas em aviões chorando quando nos separamos.

Minhas amigas desembarcaram na minha cidade, depois de horas de vôo. Teve gente que viajou de ônibus antes de pegar o avião. Teve gente que passou por três aeroportos. Teve gente que perdeu o vôo, e eu queria tanto ter aparatado só para acalentá-la, já que não ia ter como ela chegar à tempo do casamento. Teve quem trouxe junto o namorado, e até alugou carro.


Todos falavam que minha mãe era louca de deixar que oito meninas ficassem na casa dela, no meio desse momento mega estressante que é a véspera de um casamento. Mas, olhando agora, não tinha como ter sido diferente. Minhas amigas e eu dormimos no chão da sala, em colchões, com a Dindi no meio de todo mundo. Nós fomos para a Sucré e tomamos meu café favorito, e também fomos para a Praia do Futuro e rolamos na areia até uma senhorinha vir dizer que parecíamos uma obra de arte. Minhas amigas se queimaram do sol, e minha mãe passou pomada para queimadura em todas. Minhas amigas e eu fomos num bar cafona comer pastel e caranguejo, e mandamos bilhetes a noite inteira para a moça que estava cantando, e gritamos juntas música após música, para o horror dos outros clientes. Minhas amigas provaram da feijoada da minha mãe, e conheceram o meu irmão e meu sobrinho. Minhas amigas embrulharam todos os bem casados, enquanto cantavam. Nós nos arrumamos no salão chique, e cantamos Taylor Swift juntas em todos os momentos possíveis.


Mas existe uma coisa em casar e ter as suas amigas ao seu lado que muda tudo. Criamos um vínculo ali, naqueles dias em que elas estavam no chão do meu quarto. Porque por muito tempo a Máfia parecia um mundo particular: nós nos encontrávamos algumas vezes por ano, nós nos falamos todos os dias, mas ao mesmo tempo, minha vida real parecia não se misturar muito. Era como uma folga da minha realidade, um respiro justo de Deus me dizendo: olhaí para o quê que você vive tanta bosta às vezes, para compensar essa felicidade que você sente. Mas quando elas estavam na minha casa, onde eu nasci e vivi até pouco tempo, tudo pareceu ser... mais real. Não são minhas amigas de internet. São as minhas melhores amigas.

Hoje faz dois meses que me casei com o amor da minha vida, cercada de pessoas que amo. Obrigada por terem me colocado e me acolhido naquele grupo do facebook. Sou eternamente grata por vocês me acharem especial, por vocês planejarem festas surpresa para mim, por vocês existirem na minha vida. Sem vocês, meus amores, eu não sou ninguém.


I see sparks fly whenever you smile



Top 5: Filmes de Sessão da Tarde (05/31)

Vocês precisam saber, se é que não já sabem, que minha memória é péssima. Então preparando essa lista foi que cheguei a duas possíveis conclusões:
- Ou eu não assistia Sessão da Tarde (!);
- Ou eu assistia, mas não consigo lembrar de nada.
Debati com MB, olhamos algumas listas para (ele) relembrar, e acabei chegando à essa conclusão inevitável que eu não costumava assistir Sessão da Tarde. Primeiro que eu passei boa parte da minha vida estudando de tarde, logo, não assistia.

Nós tínhamos duas locadoras do lado de casa, e meu pai me deixava alugar filme sempre que eu quisesse, então essa lista não poderia ser "Fitas que Aluguei Tantas Vezes que a Atendente da Locadora Sempre Perguntava: Sonho de Verão? Sério? Pela Terceira Vez esse Mês?". Vários filmes que constam como clássicos da Sessão da Tarde eu alugava, como 10 Coisas Que Eu Odeio em Você (A sra tem certeza que quer alugar esse filme mais uma vez?), e todos os filmes em que cachorros eram dublados. 

Dos clássicos eu praticamente não vi nenhum, embora saiba de cor do que se trata. Jamaica abaixo de zero, um Príncipe em Nova York, qualquer uma comédia com o Arnold Schwazdnenenger, e aqueles clássicos adolescentes eu só assisti depois de grande, como Curtindo a Vida Adoidado, de Volta para o Futuro, por aí vai. É uma falha profunda no meu caráter, eu sei.

Mas procurando nesse vórtice que é a minha memória, acabei lembrando de alguns, e desses alguns, os meus favoritos. Vamos lá:

Jumanji (1995)

tudududuudud


Eu assisti Jumanji! Várias vezes!
Tinha um misto de pavor e vontade de encontrar o tabuleiro dando sopa por aí (mais pavor que vontade), e amava esse filme. Lembro de assistir alguns programas que desbravavam a magia do CGI, e contavam como havia sido feita a maquiagem pro menino virar um macaco, como colocar os animais correndo pelo meio da cidade, essas coisas. Feels. Até agora consigo ouvir o barulho do tambor.


Babe, O Porquinho Atrapalhado (Babe - 1995)

olha o cabelinho hehehe


Palavras não descrevem o amor que eu sentia por Babe, e também deve ter nascido daí o meu amor sem limites por Border Collies. Que cachorros, minha gente! Eu assisti esse filme no cinema com a minha mãe, mas assistia sempre que passava na TV. Amava o fato do Babe ser um doce de porquinho, dele pedir com gentileza para as ovelhas por favor obedecerem ele, e sentia doía meu coração quando todos riam porque um porquinho não poderia ser jamais um cachorro pastor. Quem disse? Também tenho sentimentos por Ferdinando, o pato, e pelos três ratinhos cantores. Ah, os bons tempos. Preciso rever esse filme.

posso ou não ter chorado vendo esse comecinho

Qualquer filme das gêmeas




As bruxinhas, Passaporte para Paris, As Namoradas do Papai, aquele que se passa na Austrália, aquele que elas estão no midwest (outro tópico que há de ser debatido nesse BEDA: meu amor por filmes de férias de verão no sul dos Estados Unidos), aqueles que elas anunciam o pai num outdoor (!). Sempre que o filme era das gêmeas e eu calhava de estar em casa, era claro que eu assistia. Acompanhei as duas em toda a sua vasta filmografia, amando todo o guarda-roupa delas filme após filme. E quando era moda usar óculos de lente colorida? E quando elas eram separadas? E quando uma era o oposto da outra?!

Meu maior sonho de vida era ter uma irmã gêmea para partilhar de altas trapalhadas e confusões.


Caçadoras de Aventuras (Gold Diggers - 1995)



Eu só lembrei desse filme porque comecei a escrever sobre o filme abaixo e me lembrei que a Christina Ricci era meio que uma musa para os filmes que eu assistia na Sessão da Tarde, como o Gasparzinho. Esse filme envolve as minhas premissas favoritas de um filme estilo sessão da tarde: férias de verão. Midwest. Aventuras. Mas, no lugar de um primeiro amor, são duas garotas que se encontram e resolvem ir em busca de ouro escondido, se metendo em muitas trapalhadas.

É com a menina do Meu Primeiro Amor (que eu nunca assisti), e eu lembro que elas pegam um barco para o Mississipi (?), uma coisa meio Huck Finn e Tom Sawyer. E o melhor, focando apenas na amizade das duas, super girl power mesmo.




Agora e Sempre (Now and Then - 1995)



Ok, esse é o único filme aqui citado que eu pensei de imediato. Eu venerava esse filme. Conta a história de quatro amigas que moravam numa cidadezinha, que se reencontram muitos anos depois, e aí relembram um verão que ficou marcado na vida delas. Eu me identificava muito com as meninas, queria sair por aí andando de bicicleta usando bermuda e keds, senti no meu âmago o primeiro beijo da personagem da Christina Ricci... Pensando bem, eu acho que a personagem dela não tinha muita certeza da sua sexualidade, e uma cena que me marcou foi ela amarrando os peitos para disfarçar que eles estavam crescendo. Era um filme maravilhoso que falava sobre crescimento, e também sobre como pessoas que eram tão próximas mudam tanto.

Amo


Ok, não citarei nomes de quem irá correndo assistir mais uma vez todos esses filmes agora, com uma panela de brigadeiro.






Os vinte e cinco (04/31)

autorretrato


Dia desses eu completei 25 anos. Lembrando do post dos 24, cheguei a conclusão tardia e oficial que é: eu odeio fazer aniversário. Mesmo em outro estado, mesmo com amigas presentes e abraçáveis, concluí que tudo que eu mais queria era que chegasse logo o dia 12 de fevereiro, e com isso, terminasse essa tortura. Que os 26 fiquem logo sabendo disso.

Mas sabe aquela fase em que você faz aniversário, e te perguntam a tua idade, e você fica meio reticente na hora de responder, até lembrar que, espera, eu já tenho tantos anos? Não aconteceu. Acho que ter 25 anos é tão definitivo na vida de uma pessoa que não tem como esquecer e jurar que ainda tem 24. Ter 25 é um baque, dói, e deixa marcado que olha só, senta aqui, deixa eu te contar uma coisa: você não tem mais vinte e poucos anos.

Eu virei uma adulta. Eu declaro imposto de renda. Eu faço transações bancárias. Eu já posso começar a usar creme para as rugas. Não vamos falar dos cabelos brancos.

Achei que ninguém teria percebido esse meu amadurecimento repentino e involuntário, até que essa semana eu estava distraída lavando a louça, quando percebi que tinha seguido a ordem errada da lavagem (obviamente tem uma ordem). Tem que lavar primeiro os copos, o que eu estou fazendo com esses talheres na mão, pera um minuto, eu já lavei os copos? Quando foi que lavar a louça se tornou uma coisa tão involuntária, rápida e prática, que já nem me dói a perspectiva de ter que, depois de um jantar, ter que encarar aquela pilha de louça? Foi quando percebi que amadureci, senhoras e senhores. Marcelo Bernardo me olhou com olhinhos brilhantes e disse que nunca imaginou me ver assim, tão adulta.

Porque não é que eu nunca tenha lavado louça na minha vida. Eu lavava. Eventualmente (não quero parecer mimada) (mas era). Mas era sempre um processo lento, desses que ia demorar uma tarde inteira, minha mãe ficava impaciente, dizia que eu tava lavando na ordem errada (ela que impôs a ordem, importante ressaltar, bem virginiana), e tomava logo aquilo da minha mão e me mandava fazer outra coisa. Até que, com 25 anos, estou lavando a louça na ordem tão naturalmente quanto, sei lá, fazer um coque no cabelo. Ou arrumar a cama. Que eu também achava um despropósito.

Talvez amadurecer seja parar de achar tudo um saco, seja começar a suportar essas atividades da rotina até que elas se misturem no seu dia a dia, como ir ao banheiro, ou prender o cabelo, não sei. Amadurecer seja comer primeiro os morangos que estão com jeito que vão estragar, para o seu amor comer os morangos mais nobres, só que ele também escolhe os que vão estragar, e quando dá conta, você só comeu morangos estragando, porque os nobres eventualmente também estragam. Será que isso foi uma grande metáfora da vida? Não sei, amadureci, mas ainda sou péssima com metáforas.

Tenho 25 anos. Não fiz uma lista esse ano de tudo que quero conseguir até os 26, porque pela primeira vez, não tenho a menor ideia, e pela primeira vez, estou me permitindo que a vida me mostre. 25 anos se preocupando com tudo, para deixar que os 26 sejam mais leves. Não sei onde vou estar, o que estarei fazendo. Mas sei que estarei cercada de amigas e amores (sempre perto, porque estar perto não é físico), comendo cookies, aprendendo a ser esposa de alguém. Será que podia ser melhor?

Se bem que eu acho que deveria andar mais de bicicleta. Quem sabe?

Algumas não-resenhas literárias (03/31)

Esse ano está sendo complicado esse negócio de leitura. Quem me acompanha no snapchat (gabrielacouth, como em todos os outros lugares) sabe que eu só posto merda já soltei o segredo da vida. Se quer ter um ano bom de leituras, não se case. Eu e MB estamos com uma lista de livros lidos que nos enche de vergonha, porém organizar um casamento não é das coisas mais fáceis. Imagina ter um filho.

Esse ano eu li sete (SETE1!!!!!11) livros. Apenas um foi horrível, todos os outros foram bons, e alguns vários incríveis. Mas vou falar só sobre alguns.

Já disse aqui várias vezes que não sei fazer resenha: acabo contanto a história, me perco, pontos cruciais da história acabam me passando desapercebido, e o pior, raramente percebo metáforas. Foi lendo essa resenha de minha Passarinha que entendi direito porque amei Paper Towns. Às vezes preciso que as pessoas leiam e me expliquem porque eu gostei (ou não) do livro. Então vão aqui alguns highlights de leitura desse ano, até agora, com um bônus da grande leitura incógnita do ano passado.

Landline - Rainbow Rowell




É um livro que era para ser um YA, mas que trata sobre casamento de uma forma tão estranha que acho um pouco melhor chamá-lo de só A mesmo (veja bem meu vasto vocabulário de adjetivos: estranho). A protagonista é casada há vários anos com um cara, que um belo dia ela foi apaixonada, mas que hoje não tem a menor ideia do que faz e por onde anda. E eles moram na mesma casa. Eles se separam e ela não percebe, e acha melhor ficar negando do que tentar resolver o problema (quem nunca).

Em alguns momentos, me identifiquei com a Georgie, mas em vários outros quis esfregar a cara dela na brita. O relacionamento confuso até o último momento com o melhor amigo, o ciúme que ela provoca no marido sabendo que está fazendo, e principalmente a falta de conhecimento que ela tem das próprias filhas. O que acaba naquele grande ponto de ser adulto de verdade: você trabalha tanto para ter sucesso e dar uma vida confortável aos seus filhos que você não sabe, na verdade, como eles são. Acho ótimo a Georgie ser uma mulher independente e bem sucedida, determinada a fazer o trabalho dos sonhos, mas ao mesmo tempo, acho ela pura e simplesmente egoísta. Enfim. Não sei. No fim das contas, sequer sei se gostei. (acabei marcando duas vezes no Skoob, um com dois e outro com três pudinzinhos hahahahahahaha, tão eu que eu nem sei) 



Jellicoe Road - Melina Marchetta


Coloquei vinte e cinco estrelas no meu caderno de leituras, porque como amei esse livro. Tive vontade de ler depois que a Irena havia indicado no blog, e comecei a ler um tempo atrás, mas parei. Não sei porque, já que na hora que retomei a leitura, acabei devorando o livro.

Aí me aconteceu algo que às vezes acontece quando eu estou amando muito, e consequentemente, lendo rápido demais. Eu perco algumas coisas. (Por exemplo, lembro claramente de estar lendo HP 7, e simplesmente ignorar o fato de existir um dragão no Gringotes, percebendo apenas que eles estavam VOANDO num dragão quando eles já tinham caído no lago ????)

Eu estava amando Jellicoe Road. E eu perdi o ponto principal do livro. Páginas depois, quando relembram a grande revelação, eu quis jogar o kindle pela janela, porque não tinha percebido. Mas enfim. É um YA denso e de drama, nada de leitura fácil e deliciosa. Muito bem escrito, com personagens muito críveis, e um pano de fundo meio sem propósito que só serve para colocar a história para frente, enquanto a real shit começa a acontecer. É aquele tipo de livro que você julga cheio de pontas soltas, mas que quando você percebe, está tudo super conectado e entrelaçado.

E, como a Irena falou, não é apenas um simples YA que foca no romance e nas descobertas dos adolescentes para se tornarem pessoas melhores. É um livro que trata sobre família, de perceber de onde você vem, de tentar ser uma pessoa melhor. Fiquei morrendo de vontade de ler tudo que a Melina já escreveu depois de ter lido esse.



Bônus: The Magicians - Lev Grossman


Eu já falei no vídeo dos melhores do ano, e até agora não sei se gostei de The Magicians. Num primeiro momento, nunca me senti tão compreendida como quando li o começo desse livro. Ele conta a história do Quentin, que era obcecado por Nárnia (que no livro se chama Fillory) quando era menino, e até agora ainda não superou muito bem o fato de o mundo não ser mágico. Talvez por nunca ter desistido, ele acaba indo fazer uma prova no Brooklyn e é chamado para o teste de aptidão de uma faculdade de magia, tipo Hogwarts (que no livro se chama Brakebills). Então tudo que ele sempre sonhou se torna realidade, e ele pode virar um mago.

Só que na verdade, o Quentin nasceu na nossa geração, então passado dois semestres da faculdade ele já está entediado e querendo morrer por ter escolhido essa história patética de ser mago. O livro tem uma falha de falta de ritmo (ou eu tenho uma falta terrível de ritmo de leitura): enquanto o começo é eletrizante e uau e meu Deus e não acredito, ele acaba condensando praticamente todos os anos da faculdade em episódios raros. Pensando bem, é exatamente como é a faculdade em si: um primeiro semestre super excitante e cheio de novidades, e vários anos que se arrastam enquanto tudo que você quer é sair dali, até que você chega no mundo real e tudo que você queria novamente era a vida mole de estudante.

E o Quentin, desinteressado e apático 98% do tempo, não sabe muito bem o que está fazendo ali. E a história não sabe que rumo está indo. Então, depois do que pareceram ser 400 páginas de dias e mais dias em vão na faculdade, ele e um grupo de amigos finalmente chega em... Fillory! Que no fim das contas é real! Mas aí o Quentin já está tão de saco cheio da piada que é ser jovem, não acha nada demais, e acaba sendo um saco, como tudo na vida dele. Ou seja, nível de identificação ultrapassa um milhão.

The Magicians, no fim das contas, parece uma introdução enorme e bem desnecessária do resto da trilogia. Terminei o livro dando graças a Deus, porque juro que achei que ele não fosse acabar nunca. Mas então, olhando em retrospecto, percebo como me identifiquei e amei. Entretanto, comprei o volume dois, li dois capítulos e lembrei de tudo porque tinha odiado (o Quentin, sendo o motivo principal). Ou seja. Menor. Ideia. Mas quero ler o livro dois ainda esse ano.

Por favor, alguém lê e vem me explicar. Obrigada.



> Estou participando do BEDA, que consiste em postar todo santo dia do mês de agosto, firme e forte com minhas amigas da Máfia. Entretanto, um dia nos propomos a responder perguntas, então, por favor, se vocês querem me perguntar qualquer coisa, vão me perguntando! Pode ser via twitter, comentário, email, insta, sinal de fumaça. Obg.





Esse amor canino (02/31)

Durante muitos anos eu fui irmã de cachorro. Para quem não sabe, Tatau me acompanhou dos 5 até os 22 anos, e enquanto crianças ele era o meu parceiro de aventuras. Grandes, nós dois, viramos amigos, e no fim da sua vida, virei sua cuidadora. Passei mais de um ano sem dormir durante a noite inteira para cuidar dele, e tínhamos um vínculo de amizade que deixou um espaço enorme para ser preenchido. Perder um cachorro dói, e dói muito.



Ele era um cachorro cheio de personalidade. Era rancoroso, rebelde, independente, odiava carinho prolongado, tinha as atividades dele que às vezes me incluía. Ele cismava na hora de tomar remédio, porque não era normal a gente dar comida para ele, e quando a esmola é demais o santo desconfia. Um dia dei um susto nele que, juro, passaram-se umas três semanas até que ele tivesse coragem de olhar na minha cara de novo, de tanta raiva que ele ficou. A gente dava osso para ele roer e ele achava que era um presente de grego, porque não conseguia achar um lugar que fosse bom o suficiente para esconder o osso, então ficava chorando frustrado, com ódio. Mas ele também era ultra fiel, adorava passear comigo, e já no finzinho da sua vida, nos nossos passeios, ele me pedia para colocar ele no colo na volta. Na ida, ia saltitando, cheirando tudo; na volta, vinha dormindo nos meus braços. Nunca esperei que um dia alguém pudesse substituí-lo. E, de fato, isso não aconteceu.

A Dindi chegou na minha vida e desde imediato deixou claro que não éramos simples companheiras. Ela era minha filha, e nós éramos feitas uma para a outra. Ela fingia que não era esperta para melhor passar, mas sabe de cor o nome de todos os brinquedinhos (ela tem um monte). Ela tem uma carência que só se equipara à minha, então passamos o dia grudadas uma na outra, literalmente. Ela adora usar roupinhas e tomar água gelada. De manhã cedo, ela gosta de brincar de esconde-esconde com o lençol, e é mestra em guardar segredos contados ao pé do ouvido (mas ela sempre fica catatônica com o peso da informação). E sempre que ela vê a minha mala sendo arrumada, ela entra num momento de depressão e de não fazer contato visual que acaba comigo.

Eu acho que ela sabe que eu não estou longe dela porque quero. Eu sempre digo, reforço, mas não sei se ela entende. A saudade que eu sinto é mais que um aperto no coração, chega a ser algo físico: eu preciso estar sentindo o cheiro, o corpinho quente. Tem gente que me acha louca de dormir na mesma rede com o meu cachorro. Mas acharia loucura dormir sozinha, enquanto ela dorme sozinha longe de mim, quando nós duas poderíamos estar nos amassando juntas.

Já ouvi uma vez: e quando você tiver filho? Vai fazer o quê com o cachorro? Comentei isso com MB e ele respondeu na hora, sem pestanejar. Joga o cachorro dentro do berço, para eles se amarem bem muito, desde sempre.

haheuaiehukhjdajihd olha a cara disso

Não tem nada nesse mundo que eu goste mais que cachorro, e não tem cachorro nesse mundo mais incrível que a minha filha. E hoje me dói não estar com ela, comemorando os seus três anos. Eu já senti a dor de perder um amigo-cão, e hoje sinto a dor da distância. Mas cada dia que estamos juntas, naquele troca-troca de cheiro e carinho que não para, vale a pena. Não tem amor mais puro que o amor de um animal.

Hoje fizemos facetime, fiz a maior festa, chorei lógico, mandei beijo, recebi uma lambida na tela. Mas queria mesmo era dar um aconchego bem apertado e dizer pra ela não se preocupar, vamos sim ficar juntas para sempre. Filha, já que eu volto.


Um dos meus vídeos favoritos de quando ela era filhota doida, com bônus da minha cara de paisagem tentando agir como se nada estivesse acontecendo

BEDA: a introdução (01/31)



Eu sou uma pessoa que tem certa dificuldade de colocar projetos pessoais pra frente. Tanto que quem me conhece de verdade não coloca a menor fé. Foi assim que eu, quinze minutos atrás, respondi na Máfia que queria, sim, participar do BEDA. E fui respondida por uma Analu descrente, dizendo que eu não ia aguentar quatro dias. Podia ter ficado magoada, mas dei um suspiro de amor: amiga de verdade conhece tanto a gente, né?

Então, BEDA. Blog every day. August.

Tem gente que diz que agosto é o mês do desgosto, e não sei muito bem qual a vibe dessas pessoas de já chegar no dia primeiro anunciando longuíssimos trinta dias futuros de terror. Não, muito obrigada, agosto é um mês como todos os outros (tirando dezembro, que é, claramente, o melhor mês do ano). Mas quando estudava, sentia uma energia que chegava em agosto, um gostinho de que começou o fim do ano, que as férias de julho enfim acabaram, e que temos essa pausa natural de perceber que metade do ano já passou (!), e que pouco a gente fez, mas que ainda dá tempo. Sempre dá tempo.

Então, agosto chegou mais uma vez, e depois de anos, também voltei a estudar. Nada como um fresh start para botar a vida em um pouco mais de perspectiva, certo? Vai ser um bom mês. Me aguardem (ou não). Melhor falhar do que nunca ter tentado, certo?

>> Acompanhem o BEDA das outras mafiosas aventureiras, Anna Chicória, Analu, Paloma, Xará e Gab Plâncton. Nós somos invencíveis, pdk.

>>> Plmdds me indiquem temas.


25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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