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Estação Primeira de Nós Dois: DEZ



Parece muito louco que você compartilhe dez (dez!) anos da sua vida ao lado de uma pessoa. E é mesmo. Fiz essa tirinha ontem na aula, porque sempre que o pensamento que estamos juntos há uma década (DEZ ANOS) me bate, eu não consigo deixar de ficar surpresa. Dez anos. Sorrindo um pro outro. Deitados na cama, conversando sobre o dia. Rindo. Gargalhando. Pensando "e se esse filme fosse protagonizado pelo Rob Schneider?". Tendo dúvidas existenciais sobre o almoço e o jantar.

Dez anos de nós. Dá pra acreditar?

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O blog está às moscas, não tenho nenhuma desculpa para dar. Mas se servir de consolo (não serve), tentei fazer uma newsletter, consegui mandar um total de três exemplares, e pode ser que eu apareça por lá esses dias. Eu sei que te motivei bastante, mas assina?

Por menos "pfvr pfts"

Esses dias saiu a ~ bomba ~ da menina blogueira super bem sucedida que decidiu largar toda essa vida fake, e que nossas redes sociais são vazias. Essa discussão teve muitos e muitos desdobramentos, sobre como pregamos uma vida que na verdade não é a nossa, sobre como vivemos na era da edição. No dia que essa matéria estourou, eu e minhas amigas debatemos longamente sobre isso, falando especialmente das meninas novinhas que podem vir a acreditar que a vida é isso mesmo.

No texto da Anna, que foi um dos meus favoritos (claro), ela fala sobre a proximidade das blogueiras com a nossa vida. Crescemos tendo ícones atrizes de hollywood e do Disney Channel, e que por mais que fossemos ingênuas, sabíamos que por trás daquelas mulheres tinham uma equipe. As blogueiras, de uns tempos para cá, também: mas o que incomodou sempre é esse ar de naturalidade, esse meio "I woke up like this", quando elas também não saem de casa sem uma equipe de maquiadores por trás. Mas aí chegam não só as blogueiras, mas os nossos amigos do facebook e do instagram: basta uma olhada rápida para encontrar aquele conhecido seu da faculdade que está morando fora, aquela menina que está viajando o mundo, e outra que casou recentemente numa festa maravilhosa.

Mas vamos voltar um pouco:

No começo do ano, quando eu estava muito mal por não ter arranjado emprego ainda (não é que eu tenha arranjado, mas passei a viver melhor com isso), meu irmão compartilhou um texto comigo, na sua forma de dizer calma, pequena padawan, estamos todos juntos nessa. Meu irmão é adulto, casado, empregado, com filho, e disse que também se sentia assim regularmente.

Crescemos acreditando que somos especiais, que merecemos o mundo, e que é só uma questão de tempo até que todo o nosso talento seja descoberto, e finalmente tenhamos um emprego maravilhoso em que vamos trabalhar pouco e ganhar muito, e assim ser felizes o resto das nossas vidas. Claro que isso é uma visão simplória da vida real, e que mais cedo ou mais tarde (mais cedo, por favor) iremos perceber que isso tudo é uma cilada. Só que é nessas horas que entram as redes sociais: você olha para a vida dos seus amigos e acredita, de verdade, que eles estão no topo do mundo, e que você, coitado de você, é um bosta. Todos fazemos isso, e é o eterno olhar para a grama do vizinho.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível a todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expõem mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Na conversa com as minhas amigas, comentamos sobre o fato de, obviamente, só postarmos as fotos de quanto estamos juntas e nos divertindo: viajamos o Brasil, fomos para baladas, nos abraçamos, casamos, rolamos na praia, brindamos com caipirinhas. As pessoas olham essas fotos seguidas de encontrões, e ficam na sensação que somos profundamente felizes: ok, nesses momentos somos mesmo, mas as parcelas de passagem no cartão de crédito cagando o nosso limite, o esporro que você levou do seu chefe por ter imprensado um feriado, a dor da despedida, os choros inconsoláveis nos aviões... Nada disso a gente mostra, claro. Porque editamos as nossas vidas e mostramos apenas o que nos convém, e ao mesmo tempo, esquecemos de pensar que acontece a mesma exata coisa com os outros.

Me preocupa essa grande influencia que as blogueiras tem, porque olha só, eu que nem sou blogueira, recebo comentários de meninas acreditando (mesmo) que minha vida é perfeita.

Vez ou outra eu recebo um comentário dizendo que, depois que a pessoa conheceu eu e Marcelo Bernardo, passou a acreditar mais no amor. Não foi uma, ou duas vezes. Foram várias mesmo.



Mas não somos perfeitos, e nenhum casal é. Nunca demos a entender que somos. As brigas de verdade, os defeitos, tudo isso fica dentro da nossa intimidade, aparentando apenas o que escolhemos mostrar. Anos atrás, resolvemos fazer um projeto em que iríamos expor o nosso cotidiano em primeiros encontros. Tivemos uma briga por causa de uma pizza, sim, mas tivemos outros momentos em que decidimos não mostrar por lá. E não falo apenas dos momentos ruins: não vou ficar citando em blogs os momentos que transamos, por exemplo. Eu só falo do que quero falar. E ele também.

Falei no projeto sobre a diferença do Professor Marcelo Bernardo e do cara com quem eu me casei: eles não são a mesma pessoa. A Gabriela que tem blog não vai admitir que é bagunceira crônica (só em casa, no trabalho já ganhei estrelinha por organização - esse comentário foi só para a minha mãe, que trabalha com RH, não me ligar agora mandando eu tirar), e o Marcelo professor não vai admitir outras diversas coisas. E o mais importante: não vamos compartilhar alguns momentos felizes também, porque eles são só nossos.

No texto da Debbie, do Pequenos Monstros, ela fala sobre ninguém registrar os momentos do cotidiano, e que provavelmente não terão fotos suas pequena fazendo o dever de casa. E eu, cada vez mais, aprendi a apreciar esses momentos do cotidiano, desse começo de vida de casado, em que a vida nunca foi tão terrível, mas tão maravilhosa. Fazer almoço junto, batalhar grana junto, segurar as barras juntos: e não, nunca, ser perfeitos.

Marcelo falou em seus votos (que não, não vou compartilhar aqui) que amar não era acreditar que a pessoa era perfeita. E sim, conhecer todos os defeitos, e mesmo assim decidir que quer ficar com essa pessoa o resto da vida.

Tivemos que abrir mão de muitas, muitas, muuuuitas coisas por termos nos conhecido tão novos e continuado juntos desde então; tivemos que abrir mão de muitas coisas para morar no Rio, e passamos por muitos momentos terríveis. Os momentos maravilhosos, claro, fazem toda a diferença na balança da vida. E se não colocamos fotos juntos no Instagram nos últimos dias, pode ser sim que tenhamos brigado, mas também pode ser que a gente esteja ocupado assistindo Netflix por uma semana seguida, e não faria o menor sentido tirar foto disso.

Fico feliz das pessoas acreditarem mais um pouco no amor por ver a gente junto, apesar de todos os pesares. Não vou me unir ao coro que passou a demonizar as redes sociais, e nem vou rir de quem realmente acredita que aquilo é uma cópia fiel da realidade. Mas gosto de pensar que todos nós podemos sim refletir sobre como estamos nos expondo: meu instagram é aberto para quem quiser ver o que eu quis mostrar. Pode ser que seja o que eu ando fazendo. Mas, ultimamente, os melhores momentos eu tenho guardado só para mim, mesmo.

Porque na real, foto nenhuma ou vídeo nenhum consegue capturar o que você sentiu quando estava fazendo uma escultura de buquê de bunda na praia, ou dançando na cozinha enquanto a água do macarrão fervia, ou quando você soltou aquela piada espontânea que te fez gargalhar com o seu marido por longos momentos. Que tal a gente se ater a isso e continuar vivendo? Deixa as blogueiras fazendo jabá, se elas quiserem.

E é sempre bom lembrar: está todo mundo mal.

Tiramos a foto posada, fazendo cara bonita, mas aí do nada começamos a rir de verdade.
Tirei umas 7 fotos para escolher uma.
O celular dele caiu no chão e quebrou uma semana depois, e tivemos que comprar um barato parcelado porque não temos grana.
Tava faltando pão esse dia, ficamos angustiados tentando pensar no que jantar.
Voltamos a comer miojo porque é muito barato.
Esqueci de descongelar o frango.

O Teatro dos Vampiros (28/31)

Eu estava indo para a aula da pós esses dias quando peguei um ônibus errado (sempre), que ao invés de me levar pelo caminho conhecido e relativamente rápido (1:30h), me levou pelo caminho mais engarrafado do mundo (cheguei depois de 2:30 de ônibus). Enquanto nesse caminho engarrafado, tipo, mesmo, coisa de 40 minutos para andar um quarteirão, dois jovens entraram no ônibus. Uma menina magricela e um cara mais fortinho que ela, ambos de uniforme da escola, abraçados. Passaram o engarrafamento inteiro se amassando no meio do ônibus, assim, bem foda-se todos, olha o nosso amor. Acho inclusive que eles escolheram pegar esse ônibus: tudo bem chegar em casa em uma hora quando deveria ter chegado em 20 minutos, para poder passar essa uma hora dentro do ônibus se beijando, certo?

Eles não conversavam muito, só se beijavam. Ah, os quinze anos.

Vocês já pararam para reparar naqueles casais que, antes da era dos iPhones, ficava mudo um do lado do outro em restaurantes? Não conseguiam se olhar, não conseguiam conversar, apenas olhavam para o abismo. Hoje em dia, fica cada um no seu whatsapp, a luz da tela iluminando cada um, e também não trocam nenhuma palavra. Mas também nem se beijam.

Ontem eu estava lendo o encarte da Taylor Swift e pensando em mudanças junto com ela. A gente é sempre levado a pensar que as pessoas que amamos não vão mudar: não adianta, você não tem a capacidade de mudar a vida de ninguém, nem de ninguém mudar a sua, todos nascemos e crescemos assim e iremos morrer assim. Já ouvi uma frase terrível e machista que diz que a mulher se casa esperando que o homem mude, e o homem casa na esperança que a mulher nunca mude, e assim ambos vivem o resto da vida frustrados. Por que as mulheres deveriam mudar, e os homens não? Isso não faz o menor sentido.

Todo mundo muda. O casal jovem se amassando no ônibus, pode, se continuarem juntos, daqui a alguns anos, estar num restaurante olhando cada um para o seu abismo/celular. Ou pode ser que eles encontrem pessoas incríveis nessa vida, que se olhem dentro do olho, e que riam, e que conversem sem parar até ficar com sede.

A gente muda a cada momento, a cada instante. Como a Taylor disse, é preciso coragem para mudar. Eu nunca ia imaginar que iria morar no Rio de Janeiro aos 25 anos, recém casada. A vida nunca foi tão ruim, mas também nunca foi tão boa. Às vezes a gente precisa de um certo distanciamento histórico para absorver melhor o que estamos vivendo no presente: os dias que parecem terríveis, mas na verdade nem são, os problemas que de fato eram enormes, mas que a gente conseguiu superar, um por um. Cada problema resolvido provoca uma mudança dentro da gente, e eu li um dia desses que, depois de sete anos, todas as suas células são substituídas (cada uma em seu tempo). Em sete anos, seu corpo é outro, por que você não seria também?

Mudar é fácil, mas aceitar a mudança dos outros pode ser difícil. É completamente diferente conhecer uma pessoa aos 16 anos e vê-la, hoje, aos 26. Os hábitos, os trejeitos, tudo muda. Não somos mais um casal adolescente, num primeiro encontro, indo a pé para um shopping center, com vergonha de dar as mãos, e trocando beijos na escada-rolante. Somos um casal adulto, num encontro que nem é encontro assim, indo a pé para outro shopping center, dando as mãos porque é natural, e sem trocar beijos na escada-rolante. Acho que todos deviam trocar beijos na escada-rolante sempre que possível.

Ouvimos músicas dos anos 80 que meus pais cantaram um para o outro, e nunca elas foram tão próximas. Ouvíamos essas mesmas músicas com 16 anos e não entendíamos nada: como envelhecer dez semanas a cada hora que passa, já que voltamos a viver como há 10 anos atrás? Que confusão essa história de ser adulto, né.

A gente muda, mesmo. Boa parte do que eu sou hoje eu devo à tudo que vivi, desses 16 anos para cá. Mas o que me mudou, mesmo, foram todas as pessoas que conheci nesse percurso. Aprendi muito com todas elas. E isso inclui a pessoa que escolhi ver todos os dias, já que ele mudou também, e ele não para de me ensinar coisas novas. Mudamos um com o outro. Mas também mudei ao olhar para mim mesma, para o que escrevi para mim, para o que me aconteceu nesse tempo todo. E espero, sempre, mudá-lo um pouquinho, também.

Será que somos pessoas melhores? Eu espero que sim, mas deixa o distanciamento histórico chegar para eu ter certeza.

Eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir

Projeto Amor


No começo de abril (que todo mundo está cansado de saber que foi o pior mês do mundo), eu e MB decidimos ter 42 primeiros encontros de novo. Não sei porque demorei tanto a escrever sobre esse projeto aqui, mas, bom, cá estou eu.

Nesse ínterim, talvez pela presença maligna de Mercúrio sobre todos os signos, a gente viajou, brigou, chorou, fez greve de fome, e voltou. Mas voltar a ler esses posts já escritos faz meu coração reacender de amor, e bom, eu precisava postar aqui. Precisava falar um pouco mais sobre esse amor que eu já escrevo tanto sobre numa tag aqui do blog, e o melhor, ver o que também ele tinha para me dizer sobre isso também. Demos uma pausa no ápice dos desentendimentos, e agora esperamos o melhor momento para retomar esses últimos 20 dias de amor e de paz, que quem sabe também não marque outros recomeços.

A rotina às vezes sufoca, o amor vira aquele sentimento tão banal que beijar é mais um reflexo que uma vontade. Mas, posso ter certeza, que mesmo depois de 8 anos (!!!) juntos, ainda consigo olhar para ele e me apaixonar um pouquinho todas as vezes.

E espero que todo mundo que lê esse blog possa se apaixonar também.

PS.: Sempre tem ilustrações!
PS2.: Quem quiser comentar no blog, compartilhar o projeto no facebook, e espalhar o amor será recompensado com MAIS AMOR. Mãe Gabriela garante.
PS3.: Quem quiser fazer post indicando (isso ainda existe?), colocar link, meu Deus, posso mandar um beijo?

Retrospectiva Literária 2013

Fim de ano chegou, e com ele um nível de descaso tão grande com esse blog que tenho posts no rascunho, mas não consegui publicar. Oremos por um 2014 com um pouco mais de coragem, haha. Enquanto isso, fiquem com um vídeo necessário (e enorme!), da retrospectiva literária minha e de MB esse ano. Vale lembrar a de 2012 também, e espero que em 2014 ainda consiga ler MAIS LIVROS!




Ah, o post original é da linda da Tary. E aqui em baixo segue a lista de todos que lemos esse ano (em negrito são os favoritos):

Em 2013, Gabriela leu:
Anna e o Beijo Francês - Stephanie Perkins
As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky
Never let me go - Kazuo Ishiguro
Lugar Nenhum - Neil Gaiman
A Vida Secreta das Abelhas - Sue Monk Kidd
A conversa chegou à cozinha - Rita Lobo
Bom Jesus e o Infame Cristo - Phillip Pullman
Orgulho e Preconceito - Jane Austen
A Filha do Fabricante de Fogos de Artifício - Phillip Pullman
M is for Magic - Neil Gaiman
Todo Garoto Tem - Meg Cabot
A Sociedade do Anel - J.R.R. Tolkien
Rita Está Crescendo - Telma Guimarães Castro Andrade
Pedro Médio & Rita Doce - Telma Guimarães Castro Andrade
O diário nem sempre secreto de Pedro - Telma Guimarães Castro Andrade
A Parisiense - Ines de La Fressange
Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman
Meio Intelectual, Meio de Esquerda - Antônio Prata
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
Paper Towns - John Green
Anya's Ghost - Vera Brosgol
Make Good Art - Neil Gaiman
Luna Clara & Apolo Onze - Adriana Falcão
O Livro do Cemitério - Neil Gaiman
Cidade dos Ossos - Cassandra Clare
French Milk - Lucy Knisley
Relish - Lucy Knisley
Coraline - Neil Gaiman
Cidade das Cinzas - Cassandra Clare
Todo Dia - David Levithan
Cicatrizes - David Small
Looking for Alaska - John Green
City of Bones - Cassandra Clare
Cidade dos Anjos Caídos - Cassandra Clare
Fortunetely, the Milk - Neil Gaiman

Em 2013, Marcelo leu:
Tropicália - Sérgio Cohn e  Frederico Coelho
Estorvo - Chico Buarque
Benjamim - Chico Buarque
Mestre Gil de Ham - J. R. R. Tolkien
Hoba-la-lá - Marc Fisher
Coisas Frágeis - Neil Gaiman
Wind in the Willows - Kenneth Grahame
O Mágico de Oz - L. Frank Baum
M is for Magic - Neil Gaiman
Once upon a time in the north - Philip Pullman
The Adventures of Huckleberry Finn - Mark Twain
Lugar Nenhum - Neil Gaiman
Essa tal de bossa nova - Bruna Fonte E Roberto Menescal
Tom Jobim - Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
As Crônicas Marcianas - Ray Bradbury
O Oceano no fim do caminho - Neil Gaiman
Solar da Fossa - Toninho Vaz
A Ciência dos super-heróis - Louis Gresh e Robert Weinberg
O livro do cemitério - Neil Gaiman
The war of the worlds - H. G. Wells
Fundação - Isaac Asimov
A teia de Charlotte - E. B. White
Meio intelectual, meio de esquerda - Antonio Prata
Admirável mundo novo - Aldous Huxley
Fortunately, the milk - Neil Gaiman
Make good art - Neil Gaiman
Odd e os gigantes de gelo - Neil Gaiman
Good Omens - Neil Gaiman e Terry Pratchett
Árvore e folha - J. R. R. Tolkien
Fundação e Império - Isaac Asimov
Essa história está diferente - Ronaldo Bressane (organização)

Sobre o Amor, sobre o pedido, e sobre o "sim"

2006
Não é freqüente eu falar desse tipo de coisa aqui, mas tem algumas coisas que precisam ser compartilhadas. Tipo quando você encontra o amor da sua vida, coisa que todo mundo já sabe que eu encontrei - mas que, sete anos e meio (!) depois, não deixa de te surpreender.

Porque a gente acha que conhece uma pessoa, e sobretudo, depois de muito tempo, acaba acreditando que muito do que ela é hoje depende diretamente de você. Os gostos, os cds, até mesmo o quarto, o jeito como ele virou o mestre do risoto capitão do arbóreo, quando naquele primeiro jantar, há mil anos atrás, o cardápio foi macarrão grudento. Acho que ele talvez não goste de que eu diga isso, mas ele sabe a namorada meio doente que tem, então passou de ser a pessoa que teve que ir enganado pro cinema assistir Sweeney Todd (achando que era um filme de suspense, hehe), para uma pessoa que sabe cantar o musical dos Miseráveis de cabo a rabo. Pra me acompanhar? Sim, claro. Mas porque ele mudou também.

Só que a gente às vezes também não percebe como, de um jeito ainda mais sutil, e mais especial, a gente mudou também. Porque a gente, que não tem jeito nenhum pra esse tipo de coisa, vira mestra Pokémon e derrota o Red sem save, e ainda captura um Moltres Shinning (oh, yes). Porque a gente demora anos e anos até chegar ao equilíbrio perfeito da alquimia de fazer o capuccino delicioso, cremoso e aveludado, mas com as bolinhas de leite que a outra metade tanto gosta. Porque a gente diz TRIPLEKILLTRIPLEKILL/AMOR TEM UM KABUTO NA COZINHA quando vê uma barata. Porque a gente diz que "I love you/I know" com a mesma vêemencia com que diz "LeFou eu estive pensando! - Cuidado com isso - Eu sei…".

E porque, e especialmente porque, eu imaginava toda uma vida diferente aos 23 anos. Enquanto sempre ouvi as minhas amigas falando do sonho do casamento, do véu e da grinalda, e depois da barriga de grávida, a quantidade ideal dos filhos… Eu ficava pensando em outras tantas coisas. Quer dizer, nunca foi minha prioridade casar, muito menos ter filho. Nunca gostei muito de criança, nem soube o que fazer com elas (ainda não sei), nem sonhei em me ver com o barrigão e nem vestida de branco numa igreja cheia de flores. Muito melhor me ver em Londres, não? Mas bastou vê-lo entretendo crianças, o amor que ele sente e o jeito (e como tem jeito, meu Deus!) de domar todo e qualquer temperamento, e bastou conhecer você melhor, e bastou olhar dentro dos seus olhos naquela primeira vez, que acho que eu soube.

Logo naquele primeiro olhar arrebatador, eu soube.

Vou me casar com você.
Mas o tempo foi passando, e passando, e toda vida que eu achei que você fosse pop the question, não acontecia. Nosso futuro parecia incerto, e a gente sempre pensou muito nas nossas indecisões, nos nossos sonhos, pra onde a vida estava nos levando, essas coisas. Passei um tempo ansiosa com o pedido que não chegava nunca, mas depois deixei pra lá. Esquece. No dia que tiver de ser, será, né?

Só não esperava que fosse na casa de praia, numa noite especial, numa sala toda iluminada a luz de velas, depois de uma playlist genial e cheia de indiretas. Porque no cd eu te dizia que "You ought to give me wedding rings", e você me rebatia com "Não te darei presentes não te darei pois envelhecem e se desbotam". Eu dizia que "if you liked, then you should have put a ring on it", e você me respondia que "Say you don't need no diamond rings, and I'll be satisfied". Mais eis que, do nada, você me fala que "largo tudo se a gente se casar domingo".

E você se ajoelha, e você me pede pra casar comigo, e você me entrega uma caixa. Não com um anel de diamantes, mas com a aliança de bodas da minha avó, com o nome do meu avô gravado. E eu, pela primeira vez em toda a minha vida, fiquei sem palavras, e não te dei o gostinho nem de me ouvir dizer o sim. A gente sempre imagina a cena milhões de vezes na nossa cabeça, mas quando acontece, e quando é real, e quando a voz parece que desapareceu, eu sei que você soube. É claro que eu me caso com você. É claro! Até agora sinto o abraço que você me deu quando eu peguei e coloquei a aliança no dedo, porque nunca me senti tão acolhida, tão segura, tão feliz.


E hoje, dias depois, quando minha voz parece finalmente ter voltado, eu posso dizer que sim, sim, sim, eu aceito! Porque faz sete anos e meio que nossos olhares se cruzaram na sala do colégio, porque fazem sete dias que não consigo sequer pisar no chão de tanta felicidade, porque sinto que fazem milênios que a gente é um do outro. No fim das contas, o que importa é que MB liked it. So, he put a ring on it!

Sete

Tudo começou com aquela música do Los Hermanos que você copiou a letra no seu caderno. Ou será que tudo começou quando você pediu pra eu trazer meus desenhos no colégio pra você ver? Pode ter sido também naquela primeira folha de caderno, passada de uma carteira para outra, assim, meio sem graça. Talvez tenha sido naquele momento na cantina em que eu comprei bombom de canela só pra você, porque eu mesmo detestava (e detesto até hoje). Pensando bem, talvez tenha sido naquele beijo que eu te dei todas as deixas para você dar, apesar de todos os pesares. Talvez também possa ter sido naquele primeiro corte de cabelo que eu propus, que oficialmente exterminou aquele primeiro corte horrível. Pode ser também daquela vez que corri atrás de você três quarteirões só pra te dar um oi. Ou então, em algumas daquelas tantas vezes que você me esperou chegar na parada do ônibus. Aliás, sei até qual foi: a quando você sorriu sem aparelho pela primeira vez pra mim.

Pode também ter sido aquela primeira vez que você preparou um macarrão grudento na sua casa só pra me impressionar, ou talvez quem sabe quando eu fiz um macarrão delicioso só pra te impressionar também (que você aprendeu e acabou fazendo muito melhor do que eu). Pode ser em alguma das mil vezes que fiquei doente e você me cuidou, ou em uma das três vezes que você ficou gripado e dramático, achando que fosse morrer, e eu te cuidei também.

2008

2011

2012

2013

Ou quem sabe foi naquela vez que conseguimos as passagens mais baratas do mundo e viajamos juntos, ou da primeira vez que pegamos o carro e saímos. Pode ter sido da vez que faltei faculdade pra ir pro cinema com você no seu primeiro carro. Pode ter sido em Buenos Aires, ou pode ter sido também naquelas ligações no Skype quando eu estava em Londres.

Na verdade, eu acho que foi da primeira vez que a gente se viu, e nossos olhares se cruzaram.

Mas ao mesmo tempo, acho que também foi ontem, quando você me disse boa noite. Porque é impossível dizer quantas vezes já me apaixonei perdidamente por você nesses sete anos juntos, amor.

It looks like December of a Golden Year

"Na fotografia estamos felizes"

É engraçado que, mesmo eu te conhecendo há cinco anos, você não para de me surpreender. Eu te amo muito! Esse é o nosso mês, esse é o nosso ano.

"Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol"

PS: Assim que o meu computador (e, conseqüentemente o meu scanner, e a minha tablet) voltar a funcionar, vou postar um mini guia de Buenos Aires! Minha querida cidade :)

Makin' Out

Makin' Out


I'll be the one who brings you coffee when you can't get up
I'll be the one who turns the light out when you go to sleep
I'll be the one who turns your stomach into something else and you say
Shut up, shut up, every time I say


I'll be the one who takes your coat off, one to take the blame
I'll be the one you call your lover, every now and then
You'll be the one who keeps me sober, one to keep me sane and you say
Shut up, shut up, every time I say it

And I'd cut my fingers to the bone,
And I'd split my sides in for you
Tonight, we throw ourselves away
And we make it every time
When I thought I was ok
You said I was alright
As the night comes crashing down
We catch ourselves a line
Yeah we're only makin' out
If we make it out alright

I'll be the one who stands beside you in the photograph
I'll be the one that's in your water when you want me there
I'll be the one you're falling over every time you laugh and you say
Shut up, shut up, every time I say
I'll be the one who keeps you guessing, who swears a lot
I'll be the one that let your colour in the white wash
You'll be the one that knocks the man out I was beating up and you say
Shut up, shut up, every time I say it

And you cut my face, I told you so
I'd tear my eyes out for you
Tonight, we throw ourselves away
And we make it every time
When I thought I was ok
You said I was alright
As the night comes crashing down
We catch ourselves a line
Yeah we're only makin' out
If we make it out alright




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Sou apaixonada por essa música (tanto cantada pelo Pomplamoose, que eu amo, quanto pelo próprio Mark Owen), mas não da forma arrebatadora como sou apaixonada pelo Marcelo. Mesmo depois de quatro anos (e uns cinco, seis meses), eu me apaixono de novo praticamente todos os dias :)

PS: Finalmente criei vergonha na cara e atualizei meu flickr com mais ilustrações! Dêem uma olhada :D

Sobre o Melhor Presente do Mundo

Ou Meu Sonho de Colecionar Quadrinhos

Não sei se vocês sabem, mas além de querer ser escritora e esposa do Marcelo, eu tenho outro sonho. Tudo bem, não é voltar a vestir 38: é ser colecionadora de quadrinhos. Eu amo quadrinhos e acho quadrinhos uma coisa muito, muito séria. Desde pequena que sou viciada nas tirinhas do Garfield, e isso foi me levando a gostar de outras tirinhas, e comprá-las também. Meu pai colecionava os quadrinhos do Asterix, o que me rendeu uma boa dianteira na minha aspiração: tenho o Asterix completo, e o melhor, super antigo.
Outras coisas que eu tenho e me orgulho muito é a primeira edição do primeiro impresso do Garfield, que eu comprei no Rio de Janeiro (na feira da Praça XV, que eu recomendo e sempre vou). É a coisa mais linda:



De uns tempos para cá e graças ao meu consorte, fui apresentada aos graphic novels, e minha vida mudou desde então. Já falei aqui que amei Retalhos, estou lendo Persépolis e Sandman. Sexta passada, ele encomendou o Pixu e eu tive o prazer de ler. Essa semana, depois de um cinema fail (tipo assim, quem ia imaginar que segunda-feira depois do jogo o cinema iria estar LOTADO?!), fomos para a Saraiva e eu li Umbigo Sem Fundo inteiro. Também gosto muito de mangá (minha vida por um cosplay da Sailor Moon quando eu tinha 12 anos), mas não me aventuro a ter... Sou meio esquizofrênica e tenho o volume 1, 3, 8 e 25 de vários títulos que eu gostava de ler, e nesse semestre eu criei coragem para baixar todos os capítulos de Sailor Moon. O único mangá que eu tenho inteiro é o meu favorito de todos os tempos, o Karekano.


No futuro eu pretendo adquirir todos os do Tintin, que eu sempre amei e leio na livraria o tempo todo mas não tenho nenhum. Mas esse post todo foi para agradecer ao meu querido, por ter me dado de aniversário/dia dos namorados/metade do natal o melhor presente de todos os tempos, que eu só acabei de ler agora: The Complete Calvin and Hobbes.

Tatau charme dormindo com a língua de fora encostado no Calvin and Hobbes
10 anos de tirinhas, muitas hilárias, 490 páginas por volume. A coisa mais linda que eu já vi passar.


Obrigada, meu amor, por tentar tornar todos os meus sonhos possíveis ;~)

Mania de Você


Lembro claramente daquela cena de filme bobo que você não quis ver, no qual o casal apaixonado escolhia, entre milhares de cds, aquela única música que fosse dos dois. A música tema do relacionamento. Esse tipo de coisa não se escolhe assim, deliberadamente, esse tipo de coisa simplesmente acontece. Mesmo assim, não tinha acontecido para nós. Tentamos nos lembrar, juntos, se algo tocava naqueles momentos especiais e espontâneos, mas nada. No máximo, um carro de funk ao fundo. Lembramos de cartas e declarações, e mesmo que você deixe de ser coruja e seja a minha rodovia, e mesmo que hoje sem você eu já não consiga mais do mesmo jeito, nenhuma música parecia bater. Não cem por cento, não da forma natural.

Houveram shows também, mas uma batida perfeita não é música tema de nenhum casal que se preze, e por mais que eu tente me lembrar, aquela música que fez você se arrepiar todo numa rede naquela primeira viagem simplesmente não me vêm à cabeça. As nossas composições em tardes quentes nunca foram anotadas, e os versos que compus para você geralmente não fazem o menor sentido, embora você ria e sempre diga que me ama logo em seguida. Eu também lembro do beijo demorado ao som de uma banda qualquer, e sem dúvida lembro do seu caderno cheio de letras que tanto chamou minha atenção (você era mesmo um cara estranho, hein?). Mesmo assim, nada. Nada, nada.

Tento conversar com você, te pedir opiniões, expressar o meu medo dramático e tolo de ser mais um daqueles casais que nem sequer tem um tema, uma música que fale tudo sobre os dois, presente em todos os momentos. Você só ri. E eu insisto, e sem querer a minha entonação sai um pouco sentida demais, um tanto suplicante, e você imenda num sorriso:

- Meu bem...
- Aah, não... Não, não! Não emenda naquela música idiota...
- Você me dá...


Água na boca.

25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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