Era uma sexta-feira, feriado, e MB havia ido dar uma aula particular. Eu estava largada na minha cama, pensando na vida, quando a Giu chega aqui em casa. Ela tinha combinado comigo de irmos na casa de uma colega de faculdade dela, para que eu a ajudasse a escolher uns vestidos que ela iria usar numa festa. Naquele momento, como em vários da minha vida, o meu ânimo para fazer qualquer coisa era negativo; mas se tem uma coisa que vocês precisam saber sobre a Giu é que ela é uma pessoa praticamente impossível de se negar alguma coisa. Porque se você vem falar que está de pijama e não está muito disposta, ela já está dentro da sua casa, jogando uma toalha na sua cara e mandando você tomar um banho porque vocês vão sair sim.
Então esse dia eu venci a apatia, tomei um banho demorado, e senti uma vontade muito louca de me arrumar. Também é importante dizer que qualquer outra situação eu teria apenas colocado uma roupa melhorzinha e acompanhado a Giu com a cara e a coragem, afinal não conheço a menina que nós vamos visitar, etc. Mas me arrumei. Conversamos um pouco e saímos de casa, para ir logo na casa dessa amiga e acabar logo com essa história.
O apê era bem pertinho daqui, e chegamos rápido. Tocamos a campainha. Não vi quem abriu a porta, mas quando dei por mim, todas as meninas da Máfia estavam dentro do apartamento, gritando "surpresa!", tudo decorado, cheio de balões, e muitos, muitos, muitos artefatos em forma de pênis.
- De quem é essa casa? - foi a primeira coisa que eu perguntei, quando consegui me recuperar.
- Ué, é nossa! A gente alugou! - alguém respondeu.
Nesse momento, comecei a derreter, e chorei e sorri como nunca nessa vida. Porque não apenas as minhas pessoas favoritas no mundo inteiro estavam de surpresa na minha nova cidade, como elas se deram o trabalho de alugar um apartamento para a Gente ficar. Passarinha, Banana, Chica, Sharon, Lilica, Fitcha, Plan, Tatá, Mimi, e claro, a Rebeca, que não parava de rir, por ter me enganado assim tão bem. Todas juntas. Aqui no Rio. Prontas para um final de semana de despedida de solteira, que eu jamais achei que fosse acontecer.
Entre irmos para a praia, assistir o pôr-do-sol na Urca, tomar bolo com champagne de madrugada, fazer dance party ouvindo Fergalicious, sair para a balada de coroa (e eu vestida de noiva), assistir o sol nascer em Copacabana, e se abraçar e se amar, passou um final de semana que eu até agora não acredito.
Porque sinceramente, não acredito até agora que dei essa sorte. De que elas, que são também o amor da minha vida, apareceram justamente na minha vida.
Uma das coisas que a Gente mais gosta é quando alguém pergunta como a gente se conheceu. Sempre damos uma risadinha coletiva, e cada uma explica uma parte: então, todo mundo tem blog, então resolvemos fazer um grupo do facebook, e daí combinamos de se encontrar... Mas como fazer alguém entender que, sim, temos blogs, começamos a conversar no grupo de facebook, e pouco tempo depois estou indo buscar todas no aeroporto de Fortaleza, porque elas irão ser minhas damas de honra?
O tempo é pouco, especialmente para quem não tem muita chance de estar junto. Mas o que torna a Gente especial é essa vontade, é saber que todo mundo está junto nessa cilada porque gosta mesmo, já que ninguém escolhe gastar salários após salários com viagens, e horas e mais horas em aviões chorando quando nos separamos.
Minhas amigas desembarcaram na minha cidade, depois de horas de vôo. Teve gente que viajou de ônibus antes de pegar o avião. Teve gente que passou por três aeroportos. Teve gente que perdeu o vôo, e eu queria tanto ter aparatado só para acalentá-la, já que não ia ter como ela chegar à tempo do casamento. Teve quem trouxe junto o namorado, e até alugou carro.
Todos falavam que minha mãe era louca de deixar que oito meninas ficassem na casa dela, no meio desse momento mega estressante que é a véspera de um casamento. Mas, olhando agora, não tinha como ter sido diferente. Minhas amigas e eu dormimos no chão da sala, em colchões, com a Dindi no meio de todo mundo. Nós fomos para a Sucré e tomamos meu café favorito, e também fomos para a Praia do Futuro e rolamos na areia até uma senhorinha vir dizer que parecíamos uma obra de arte. Minhas amigas se queimaram do sol, e minha mãe passou pomada para queimadura em todas. Minhas amigas e eu fomos num bar cafona comer pastel e caranguejo, e mandamos bilhetes a noite inteira para a moça que estava cantando, e gritamos juntas música após música, para o horror dos outros clientes. Minhas amigas provaram da feijoada da minha mãe, e conheceram o meu irmão e meu sobrinho. Minhas amigas embrulharam todos os bem casados, enquanto cantavam. Nós nos arrumamos no salão chique, e cantamos Taylor Swift juntas em todos os momentos possíveis.
Mas existe uma coisa em casar e ter as suas amigas ao seu lado que muda tudo. Criamos um vínculo ali, naqueles dias em que elas estavam no chão do meu quarto. Porque por muito tempo a Máfia parecia um mundo particular: nós nos encontrávamos algumas vezes por ano, nós nos falamos todos os dias, mas ao mesmo tempo, minha vida real parecia não se misturar muito. Era como uma folga da minha realidade, um respiro justo de Deus me dizendo: olhaí para o quê que você vive tanta bosta às vezes, para compensar essa felicidade que você sente. Mas quando elas estavam na minha casa, onde eu nasci e vivi até pouco tempo, tudo pareceu ser... mais real. Não são minhas amigas de internet. São as minhas melhores amigas.
Hoje faz dois meses que me casei com o amor da minha vida, cercada de pessoas que amo. Obrigada por terem me colocado e me acolhido naquele grupo do facebook. Sou eternamente grata por vocês me acharem especial, por vocês planejarem festas surpresa para mim, por vocês existirem na minha vida. Sem vocês, meus amores, eu não sou ninguém.
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| I see sparks fly whenever you smile |




















