Sobre ter 24 anos e muitas saudades

Quando eu tinha 11 anos e conheci a minha melhor amiga, nós costumávamos sentar na cama e ficar brincando de prever o futuro. Achávamos conforto nas nossas adivinhações, e sim, iríamos ser melhores amigas para sempre. Ela, cansada de se mudar, iria se estabelecer em Fortaleza. E eu, cansada de ser deixada para trás, também iria encontrar a redenção em ter uma melhor amiga que não fosse embora. Porque, veja bem, aos 11 anos eu já havia passado por não menos que três melhores amizades da vida inteira que se rompiam. E três amizades aos 11 anos é muita coisa. A Fernandinha, minha melhor melhor amiga da época do maternal até a alfabetização, acabou se mudando. Não sabíamos usar o telefone ainda, então sequer tivemos chance de trocar de números. A Andrea, que morava aqui do lado de casa e vinha brincar de boneca todo fim de semana, se mudou para Recife. E no final do ano, uma menina que sempre estudou comigo mas nunca calhou de ser minha amiga encontrou em mim a melhor das amizades, só para ir pra uma cidade vizinha meses depois.

E foi com esse trauma que conheci a Monique, e qual foi a minha surpresa quando ela me contou que iria se mudar. No fim do ano. Para outra cidade. Aos 11 anos isso doeu, mas já podíamos ligar uma para a outra, e mandar emails depois, passando pelo mirc (sempre com uma ligação rapidinha antes: entra agora, estou on!), msn. Já falei aqui que a Monique voltou, passou um ano aqui, foi embora de novo, voltou mais uma vez durante a faculdade, e, mais uma vez, foi embora. Mas a nossa amizade sempre foi assim, e essa distância e todos esses anos nunca diminuíram a relação que a gente construiu.

Depois desses problemas recorrentes de melhores amigas que vão embora, fiz uma promessa à mim mesma que não iria mais arrumar amizade com quem se muda. Não, obviamente não tinha como saber, mas mal sabia eu que não é preciso que uma das partes se mude para que uma amizade acabe; aliás, aprendi da maneira mais difícil e dolorosa que a amizade, como o amor, sim, acaba. E dói, e a gente chora, mas... Passa. E o pior é que, quanto mais velha a gente fica, mais complicado fica fazer novas amizades, e mantê-las, e conquistá-las com a mesma intensidade que conseguíamos aos 11 anos. Experimenta ter 24 anos.

Experimenta ter 24 anos e, cansada, encontrar uma amizade incrível com meninas incríveis que, infelizmente, calham de morar uma em cada canto do Brasil. Porque eu me achava uma PhD em saudade, já que por anos não sei o que é viver sem esse sentimento, mas ainda não sabia como podia doer. E dói. E dói muito. Mas me sinto tão completa por tê-las por perto (mesmo que longe) que, na maior parte do tempo, acho que moramos todas no mesmo prédio, que irei comer um brigadeiro com a Flá mais tarde, que todas iremos para a colação de grau e formatura da Analu, que eu posso levar a Dindi para brincar com o Chiquinho e sair para ajudar a Dedê e a Milena a comprar roupa. A maior parte do tempo.

Acordei no meu aniversário com as piores expectativas, pensando logicamente que quanto menos eu me decepcionar melhor. Que tudo que vier de bom com esse dia, que está fadado ao fracasso, será um lucro. Fui trabalhar, sentindo o peso de ser adulta, e passei o dia recebendo ligações e recados. Todos recheados de amor, tornando aquele dia bosta num dia feliz, e com a mesma mensagem:

Queria estar aí para te dar um abraço.

Minhas amigas compartilhando fotos lindas que tiramos em encontros passados, Monique me ligando à noite, minha avó ligando do Rio, meu avô ligando da sua casa e me prometendo uma visita depois. Sinta-se abraçada. Que saudades de você! Depois te dou um beijo.

Engraçado esse sentimento de ser amada, e de ter partes suas espalhadas por aí. De saber que tem pessoas que te amam, e mesmo você estando a milhares de quilômetros de distância, ligam, e ligam, e te desejam amor, e te desejam uma felicidade super sincera. E dizem que infelizmente eu não estou aí, porque o que na verdade o que eu queria era que o aí fosse aqui, e vice-versa.

Recebi ligações, mensagens, muito, muito amor. Mas, quando tudo isso se foi, eu estava sozinha, no meu quarto. É que sempre tem uma parte de mim que fica para trás.

Retrospectiva Literária 2013

Fim de ano chegou, e com ele um nível de descaso tão grande com esse blog que tenho posts no rascunho, mas não consegui publicar. Oremos por um 2014 com um pouco mais de coragem, haha. Enquanto isso, fiquem com um vídeo necessário (e enorme!), da retrospectiva literária minha e de MB esse ano. Vale lembrar a de 2012 também, e espero que em 2014 ainda consiga ler MAIS LIVROS!




Ah, o post original é da linda da Tary. E aqui em baixo segue a lista de todos que lemos esse ano (em negrito são os favoritos):

Em 2013, Gabriela leu:
Anna e o Beijo Francês - Stephanie Perkins
As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky
Never let me go - Kazuo Ishiguro
Lugar Nenhum - Neil Gaiman
A Vida Secreta das Abelhas - Sue Monk Kidd
A conversa chegou à cozinha - Rita Lobo
Bom Jesus e o Infame Cristo - Phillip Pullman
Orgulho e Preconceito - Jane Austen
A Filha do Fabricante de Fogos de Artifício - Phillip Pullman
M is for Magic - Neil Gaiman
Todo Garoto Tem - Meg Cabot
A Sociedade do Anel - J.R.R. Tolkien
Rita Está Crescendo - Telma Guimarães Castro Andrade
Pedro Médio & Rita Doce - Telma Guimarães Castro Andrade
O diário nem sempre secreto de Pedro - Telma Guimarães Castro Andrade
A Parisiense - Ines de La Fressange
Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman
Meio Intelectual, Meio de Esquerda - Antônio Prata
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
Paper Towns - John Green
Anya's Ghost - Vera Brosgol
Make Good Art - Neil Gaiman
Luna Clara & Apolo Onze - Adriana Falcão
O Livro do Cemitério - Neil Gaiman
Cidade dos Ossos - Cassandra Clare
French Milk - Lucy Knisley
Relish - Lucy Knisley
Coraline - Neil Gaiman
Cidade das Cinzas - Cassandra Clare
Todo Dia - David Levithan
Cicatrizes - David Small
Looking for Alaska - John Green
City of Bones - Cassandra Clare
Cidade dos Anjos Caídos - Cassandra Clare
Fortunetely, the Milk - Neil Gaiman

Em 2013, Marcelo leu:
Tropicália - Sérgio Cohn e  Frederico Coelho
Estorvo - Chico Buarque
Benjamim - Chico Buarque
Mestre Gil de Ham - J. R. R. Tolkien
Hoba-la-lá - Marc Fisher
Coisas Frágeis - Neil Gaiman
Wind in the Willows - Kenneth Grahame
O Mágico de Oz - L. Frank Baum
M is for Magic - Neil Gaiman
Once upon a time in the north - Philip Pullman
The Adventures of Huckleberry Finn - Mark Twain
Lugar Nenhum - Neil Gaiman
Essa tal de bossa nova - Bruna Fonte E Roberto Menescal
Tom Jobim - Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
As Crônicas Marcianas - Ray Bradbury
O Oceano no fim do caminho - Neil Gaiman
Solar da Fossa - Toninho Vaz
A Ciência dos super-heróis - Louis Gresh e Robert Weinberg
O livro do cemitério - Neil Gaiman
The war of the worlds - H. G. Wells
Fundação - Isaac Asimov
A teia de Charlotte - E. B. White
Meio intelectual, meio de esquerda - Antonio Prata
Admirável mundo novo - Aldous Huxley
Fortunately, the milk - Neil Gaiman
Make good art - Neil Gaiman
Odd e os gigantes de gelo - Neil Gaiman
Good Omens - Neil Gaiman e Terry Pratchett
Árvore e folha - J. R. R. Tolkien
Fundação e Império - Isaac Asimov
Essa história está diferente - Ronaldo Bressane (organização)

Resenha: Os Instrumentos Mortais

Cidade dos Ossos, Cidade das Cinzas e Cidade de Vidro - ou um post com vários gifs

Pensei muito antes de vir aqui e escrever essa resenha. Minhas amigas já sabem, porque vira e mexe eu me voltava para elas com comentários assim, meio por cima, da culpa que eu sentia por estar amando tanto esse livro. Esse livro péssimo. Mas tão péssimo que, aff, como é bom.

Eu assisti o filme dos Instrumentos Mortais no cinema, e não sei se foi a cena absolutamente improvável do beijo na estufa no meio da chuva dentro de um prédio (como não amar), ou a presença do Robert Sheehan, que é um poço de carisma e amor. O filme conta a história da Clary, interpretada pela nova queridinha Lily Collins, que um belo dia descobre que tudo que tinha como verdade é uma mentira, e na verdade ela é uma caçadora de sombras. E aí ela conhece o Jace.



Primeiro, é importante dizer que o ator do Jace é, no mínimo, estranho. E o personagem é mimado, é egocêntrico, se acha lindo, é talentoso, e... sente uma atração sem precedentes pela Clary. E o coitado do Simon, Robert Sheehan, fica no canto, porque esse é um filme para adolescentes, e se não tivesse um triângulo amoroso, qual o propósito? Então, depois da cena do beijo na chuva (amo/sou), e depois de uma declaração que fez meu coração se partir em pedacinhos, o filme terminou de uma forma super incoerente e absurda, com a revelação que vai permear todo o resto das vidas de todo mundo. O Jace e a Clary são irmãos. O normal seria eu pensar que a experiência toda foi uma bosta e seguir com a minha vida, e esquecer que um dia vi esse filme. Mas não. Por algum motivo, eu cheguei em casa e pesquisei sobre a história (!)
#simonfofo #mãosfortes #prefereovideogame #nãomeama #ObcecadopelaEx

Acontece que a autora, a Cassandra Clare, era super fã de Harry Potter, e escreveu uma série de fanfics de sucesso, todas puxando para aquele universo em que o Draco e a Gina são a alma gêmea um do outro. E teve uma época muito feliz da minha vida em que eu adorava ler fanfics, então acabei ficando com aquilo na cabeça. Estava no aeroporto, pouco tempo depois, e me vi sem nada para ler, com o primeiro volume da série na minha frente. Um vôo e 200 páginas depois, já estava irremediavelmente viciada na Cidade dos Ossos.

E eu não queria porque o livro é TÃO ERRADO. Eu já tinha visto o filme, e já sabia desde o começo que eles eram irmãos, mas não conseguia me conter.

Sinceramente, o que move a história toda é o romance entre os dois. Eu lembro de ler o primeiro livro de Crepúsculo e ficar com aquela mesma sensação de palpitação, de não conseguir me segurar de amor, de faltar ter um ataque cardíaco quando o Edward Cullen faltou na escola. Mas logo no segundo livro o romance já havia perdido a graça, e até terminar o último foram tantas incoerências e absurdos que já estava odiando tudo aquilo. Essa sensação pré-adolescente de não conseguir lidar com a tensão entre dois personagens acontece o livro inteiro. Inteiro. Prendi a respiração diversas vezes, me sacudi toda de raiva alguns momentos (eu estava no avião), e li e reli e reli centenas de vezes a cena em que eles finalmente se beijam. E meu cérebro insistindo: MAS ELES SÃO IRMÃOS!



FEEEEELLLLSSSSSSSSSSS


Troquei pelo skoob o livro 2 da série, e assim que chegou comecei imediatamente a ler. No segundo livro os personagens começam a ter mais voz na série, não apenas Clace (SIM). E a história segue se construindo, sem furos gritantes, e com a narrativa animada, daquelas que a gente devora. E eu lá torcendo, sem querer torcer, para que os dois ficassem juntos. Passei o livro inteiro na expectativa que eles ficassem juntos (mas eles são irmãos! Isso é errado!), e quando isso finalmente aconteceu, pensei que fosse morrer de alívio e de MEUDEUSISSOESTAERRADO.

Veja bem, eu li a série das Crônicas de Gelo e Fogo, e já estava acostumada com a temática do incesto. Mas enquanto a relação do Cersei e do Jaime deixam aquela sensação ruim na boca do estômago, você acaba se acostumando. Veja bem, não é que eu ache normal. Mas não sentia a menor empatia pelo relacionamento dos dois, se estavam juntos ou separados tanto faz, e aliás que filho nojento que eles colocaram no mundo, etc. Enquanto no romance da Cassandra, cada sentimento da Clary pelo Jace e vice-versa é detalhado e envolvente, e embora você saiba que você não deveria estar fazendo aquilo, você está. Você está torcendo pelos dois. Você quer que o mundo inteiro desapareça, e eles fujam, e vivam com esse segredo bem longe, para o resto da vida, e tenham uma penca de filhinhos errados por aí.

Página sim, página não


Até que [spoiler] começou a ficar claro que eles não eram irmãos. E todas as pessoas que estavam prestes a dizer isso para um dos dois tinha uma morte ridícula e dolorosa. [/spoiler] E posso dizer que passei a maior parte do livro 2 e do livro 3 com uma vontade genuína de jogar o livro pela janela em diversos momentos. Mas a história se manteve, a guerra entre o líder Valentin e o resto dos clãs faz sentido. Aliás, no desenrolar do livro 3, acabamos descobrindo muito mais sobre o passado de Valentin, o que faz com que o personagem seja ainda mais odiável. E não só o Clace (não me canso disso), mas o relacionamento da Clary com a sua mãe, com a figura paterna lobisomem Luke, com as mudanças do melhor amigo, com o desenvolvimento de uma amizade com uma menina que é nada parecido com ela, o descobrir dos poderes... Tudo isso é bem construído, e acima de tudo, envolvente. E faz com que a gente esqueça que está torcendo com todas as forças por um casal que não deveria ficar junto (mesmo).

No fim das contas, fiquei surpresa positivamente com a série. Além de achar super legal a ideia de ter tatuagens que dão poderes (sim!), consegui ver algumas referências de outros livros, tipo Harry Potter, e algumas semelhanças até mesmo com Star Wars - de coisas grandes e óbvias como irmãos que não sabem que são irmãos, filhos do cara mal... Até com pequenos termos, a forma como algumas situações são descritas. E o lobisomem Luke, que não deixa de me lembrar demais o Luke de Gilmore Girls? E isso tudo não faz com que a gente queira bater na Cassandra Clare e gritar PLÁGIOOO, e sim um tipo de reconhecimento através das páginas, como se o livro fosse escrito por uma amiga, sobre universos que vocês duas tanto amam, com aqueles romances que vocês duas morrem de dar risadinhas e de repassar todos os diálogos, centenas de vezes, até cansar. O terceiro livro acabou super amarradinho, com um baile (como não amar?), e eu fiquei curiosa para saber o que é que resta acontecer. [spoiler] Obviamente o Sebastian vai voltar, até porque essas pessoas aprendem com o Martin o incesto, mas não aprendem a base da história das Crônicas de Gelo e Fogo? Se não há corpo, de preferência decapitado, a pessoa não morreu [/spoiler]

Tanto que comprei o livro 4 e o 5 juntos, esse fim de semana.
Viciada, sim ou não?

#teamJace



12 Coisas que Abrilhantam o Meu Dia

A Amandinha inventou essa lista deliciosa, que a Analu postou um dia desses e eu, que estou devendo um monte de posts por aqui, resolvi aproveitar e postar. A verdade é que minha lista poderia ter sido resumida em um item, Dindi Hangnel-chon, mas me esforcei para pensar em outros 11 motivos que transformam um dia sem graça num dia incrível.

Dindi the boston comendo côco e abrilhantando o seu próprio dia


1. Dindi
Não tem como ela não ser o primeiro lugar: a ideia de chegar em casa e ter Dindi me esperando no sofá faz com que toda a minha rotina caminhe, que o sábado chegue mais cedo, e que todas as noites tenham um outro sabor. Amo essa cachorra!

2. Não precisar ir pro salão
Eu odeio ir ao salão, mas adoro estar arrumada, então ao mesmo tempo que meu estômago se contorce e as lágrimas rolam ao pensar que sábado terei que passar o dia inteiro refém daquela sala sem 3G cheia de revistas Caras e barulho de secador, ele também se enche de borboletas de felicidade ao olhar para as minhas mãos e perceber que elas estão feitas. Estão lindas. Não preciso ir pro salão. A vida é boa.

3. Queijo prato no café
Já falei aqui, já fui julgada, mas existe algo de simples e reconfortante em colocar queijo (prato) no capuccino, e pensar naquele pão com manteiga acompanhando, enfim. A vida é boa, e quando o dia começa com café e queijo, ela fica melhor ainda.

4. Estar passando um filme que eu amo na tv e eu conseguir assistir do começo
Eu tenho alguns dvds dos meus filmes favoritos, mas existe um sabor todo especial em estar deitada passeando pelos canais e pegar Moulin Rouge passando do começo. O filme tem mais graça, a vida tem mais brilho, e sim, eu poderia me levantar e colocar o dvd para assistir, mas esse tipo de decisão exige muito mais do que as vezes nosso ânimo permite.

5. Estar com sapatos bonitos
Quando saio com minhas sapatilhas de glitter pareço ouvir dentro de mim uma versão alternativa dessa música, que fala algo como: que sapato sensacional, olha os detalhes do sapato! Que combinação de glitter, que brilho celestial!

6. Vento de tarde
Fortaleza é uma cidade agraciada pelo clima, nunca quente demais, mas na segunda metade do ano nós temos um vento maravilhoso que varre o meu quarto e afaga a minha vida. Tem cheiro de adolescência, é a temperatura ideal, bagunça todos os meus desenhos e sempre me traz lembranças maravilhosas. Me dá vontade logo de estar na varanda da casa de praia, lendo, mas a verdade é que só de estar em casa deitada na cama sentindo o vento já deixa o meu dia maravilhoso.

7. Não saber o que quero comer, me deparar com o meu desejo mais obscuro e achar que nunca fui feliz em toda a minha vida
É assim: estou com fome, mas não sei o que quero. Sushi não parece bom, nem pizza, não quero cozinhar, estou com preguiça, o mercado é longe. MB me oferece mil coisas, e nada parece bom. Até que, vencida pelo cansaço, acompanho ele até a lanchonete, bato o olho naquele cachorro-quente embrulhado em papel alumínio, e pronto: os sinos tocam, os golfinhos se agitam na água, e eu fico tão feliz que quase choro. Posso ter comido cachorro-quente semana passada, mas hoje e só hoje, ele está com o gosto dos deuses. Essa situação não é freqüente, mas a sensação da frustração combinada com a alegria de encontrar A Comida Das Comidas é tão reconfortante que… Abrilhanta meu dia. Muito.

8. Quando MB me traz docinhos
Simplesmente <3 p="">

9. Quando várias pessoas curtem algum desenho meu no tumblr ou tiro uma foto linda que tem muitas curtidas no instagram
Meu tumblr é tão abandonado e eu demoro tanto a atualizar que tudo vai bem quando vejo que alguma ilustração que eu coloquei conseguiu sair do limbo das no-máximo-cinco-curtidas. Ao mesmo tempo, tem vezes que tiro uma foto que acho super legal e que não alcança o sucesso que eu imaginei, enquanto já aconteceu de eu colocar uma foto absurdamente nada a ver que faz o maior sucesso no Instagram. Vai entender.

10. Água de côco
Moro em Fortaleza e tomo água de coco numa freqüência bem menor do que eu considero justa, e sempre que tomo me pergunto:  por que insisto em tomar outras coisas que não água de côco? Dindi me entende, porque se tem uma coisa que abrilhanta o dia dela é poder comer as carninhas que sobram.

11. Lençóis limpos e cama feita
Especialmente quando é a cama do MB, que tem todo um cheiro especial. Não resisto ao cheirinho de amaciaste, e só de encostar num lençol fofinho não me resta alternativa senã- zzzz

12. Livros viciantes
Eu adoro ler livros novos, mas as vezes eles demoram para pegar no tranco, e passo um tempo postergando a vida, mas nada me deixa mais feliz do que estar viciada numa história. E não me agüentar para chegar em casa e ler, e deitar cedo para ler, e acordar tarde e continuar lendo até a barriga roncar de fome. É muito bom, e no mundo ideal eu acordaria mais cedo todos os dias para ter o prazer de me doar algumas páginas todos os dias. Tenho certeza que trabalharia muito mais feliz! Se bem que, ao mesmo tempo, dormir também é tão bom...


Sobre o Amor, sobre o pedido, e sobre o "sim"

2006
Não é freqüente eu falar desse tipo de coisa aqui, mas tem algumas coisas que precisam ser compartilhadas. Tipo quando você encontra o amor da sua vida, coisa que todo mundo já sabe que eu encontrei - mas que, sete anos e meio (!) depois, não deixa de te surpreender.

Porque a gente acha que conhece uma pessoa, e sobretudo, depois de muito tempo, acaba acreditando que muito do que ela é hoje depende diretamente de você. Os gostos, os cds, até mesmo o quarto, o jeito como ele virou o mestre do risoto capitão do arbóreo, quando naquele primeiro jantar, há mil anos atrás, o cardápio foi macarrão grudento. Acho que ele talvez não goste de que eu diga isso, mas ele sabe a namorada meio doente que tem, então passou de ser a pessoa que teve que ir enganado pro cinema assistir Sweeney Todd (achando que era um filme de suspense, hehe), para uma pessoa que sabe cantar o musical dos Miseráveis de cabo a rabo. Pra me acompanhar? Sim, claro. Mas porque ele mudou também.

Só que a gente às vezes também não percebe como, de um jeito ainda mais sutil, e mais especial, a gente mudou também. Porque a gente, que não tem jeito nenhum pra esse tipo de coisa, vira mestra Pokémon e derrota o Red sem save, e ainda captura um Moltres Shinning (oh, yes). Porque a gente demora anos e anos até chegar ao equilíbrio perfeito da alquimia de fazer o capuccino delicioso, cremoso e aveludado, mas com as bolinhas de leite que a outra metade tanto gosta. Porque a gente diz TRIPLEKILLTRIPLEKILL/AMOR TEM UM KABUTO NA COZINHA quando vê uma barata. Porque a gente diz que "I love you/I know" com a mesma vêemencia com que diz "LeFou eu estive pensando! - Cuidado com isso - Eu sei…".

E porque, e especialmente porque, eu imaginava toda uma vida diferente aos 23 anos. Enquanto sempre ouvi as minhas amigas falando do sonho do casamento, do véu e da grinalda, e depois da barriga de grávida, a quantidade ideal dos filhos… Eu ficava pensando em outras tantas coisas. Quer dizer, nunca foi minha prioridade casar, muito menos ter filho. Nunca gostei muito de criança, nem soube o que fazer com elas (ainda não sei), nem sonhei em me ver com o barrigão e nem vestida de branco numa igreja cheia de flores. Muito melhor me ver em Londres, não? Mas bastou vê-lo entretendo crianças, o amor que ele sente e o jeito (e como tem jeito, meu Deus!) de domar todo e qualquer temperamento, e bastou conhecer você melhor, e bastou olhar dentro dos seus olhos naquela primeira vez, que acho que eu soube.

Logo naquele primeiro olhar arrebatador, eu soube.

Vou me casar com você.
Mas o tempo foi passando, e passando, e toda vida que eu achei que você fosse pop the question, não acontecia. Nosso futuro parecia incerto, e a gente sempre pensou muito nas nossas indecisões, nos nossos sonhos, pra onde a vida estava nos levando, essas coisas. Passei um tempo ansiosa com o pedido que não chegava nunca, mas depois deixei pra lá. Esquece. No dia que tiver de ser, será, né?

Só não esperava que fosse na casa de praia, numa noite especial, numa sala toda iluminada a luz de velas, depois de uma playlist genial e cheia de indiretas. Porque no cd eu te dizia que "You ought to give me wedding rings", e você me rebatia com "Não te darei presentes não te darei pois envelhecem e se desbotam". Eu dizia que "if you liked, then you should have put a ring on it", e você me respondia que "Say you don't need no diamond rings, and I'll be satisfied". Mais eis que, do nada, você me fala que "largo tudo se a gente se casar domingo".

E você se ajoelha, e você me pede pra casar comigo, e você me entrega uma caixa. Não com um anel de diamantes, mas com a aliança de bodas da minha avó, com o nome do meu avô gravado. E eu, pela primeira vez em toda a minha vida, fiquei sem palavras, e não te dei o gostinho nem de me ouvir dizer o sim. A gente sempre imagina a cena milhões de vezes na nossa cabeça, mas quando acontece, e quando é real, e quando a voz parece que desapareceu, eu sei que você soube. É claro que eu me caso com você. É claro! Até agora sinto o abraço que você me deu quando eu peguei e coloquei a aliança no dedo, porque nunca me senti tão acolhida, tão segura, tão feliz.


E hoje, dias depois, quando minha voz parece finalmente ter voltado, eu posso dizer que sim, sim, sim, eu aceito! Porque faz sete anos e meio que nossos olhares se cruzaram na sala do colégio, porque fazem sete dias que não consigo sequer pisar no chão de tanta felicidade, porque sinto que fazem milênios que a gente é um do outro. No fim das contas, o que importa é que MB liked it. So, he put a ring on it!

Pavlova de Chocolate com Calda de Morango



Quando eu era mais nova, era facilmente influenciada pelo The Sims. Eu sei que pode parecer absurdo, mas esse jogo marcou desde os meus passos de dança (alô The Sims 1 Nightlife) até a minha tentativa de aprender a tocar violão sem aulas, só na repetição (se eles podem, por que não eu?). No The Sims 2 então, que você podia ver o preparo dos pratos, eu passava dias e mais dias sonhando em provar um Mac'n'cheese, que só pode ser muito bom, afinal, se eles passam o dia todo pensando nisso, tem que ser. Me provei certa na teoria do Mac'n'cheese e realmente é delicioso (depois ponho minha receita aqui), falhei em aprender a tocar violão, mas acertei em outra coisa: ver programas de culinária realmente melhora as suas habilidades de chef. E desde então venho assistindo esses programas quase religiosamente.

De todos os chefs que aparecem na nossa televisão, a que eu mais me identifico sem dúvidas é a Nigella. Vejo naqueles pensamentos gordos e naquelas receitas deliciosas tanto de mim, e se fosse para escolher alguém para cozinhar para mim durante todo o resto da minha vida, seria ela. Desculpa Jamie com seus programas de reeducação infantil, mas eu gosto mesmo é de bacon, e de chocolate.

Um dia desses estava de bobeira assistindo tv quando me deparei com a Nigellinha fazendo essa delícia. No momento em que eu vi aquele suspiro gigante saindo do forno, me lembrei de já ter visto aquela mesma receita há mil anos, quando ainda era criança, e a imagem daquele suspirão ficou me guiando por dias e dias à fio. Agora, aos vinte e três anos e me considerando um ás dos bolos, fui fazer.

A receita é muito simples, eu criptografei enquanto via o programa, mas também dá pra pegar no próprio site da Nigella. 

Depois de pronto, é recomendado comer em... hahahaha, impossível dizer, porque acabou imediatamente. Também, né? Por favor. É um suspiro gigante de chocolate.

O Diabo Veste Cropped

Verdade seja dita: eu sempre achei a moda cropped muito charmosa. Bom, obviamente que há algum tempo, a idéia de voltar a sair por aí de barriga de fora era meio absurda, mas sempre vi um toque até elegante no tal estômago aparecendo, uma coisa meio provocativa pero no mucho, meio pin-up. Aí, como a nossa querida Miranda já nos ensinou, começa a popularizar, e quando a gente menos vê, ela virou um monstro.

Ontem tive o desprazer de ir no shopping e perceber que a moda cropped é o novo cosplay de Beetlejuice. E é uma tendência tão fácil de ser absorvida que, tal nosso amiguinho listrado, já se popularizou e está em todas as vitrines, e o pior, emoldurando o bucho de centenas de colegas por aí. O problema é que, ao contrário da famigerada zebra que no máximo era meio ridícula, o cropped pode passar de um detalhe sensual e interessante a algo que te faça querer sair correndo para as colinas.

Então.
Boa parte da popularização segue a falsa ideia, que eu mesma já divulguei, que as costelas sempre estão magras. Falo por mim e por minhas amigas, e é verdade: embora lá debaixo do umbigo estejam vestígios do último brownie com sorvete, ali em cima (embora mais recheada em épocas fartas) nunca chega a ficar feio. Mas o bom senso mandou lembranças na hora de escolher o look cropped para ir bater perna numa segunda-feira no shopping. E assim, não vou me adentrar num post "Como Usar Top Cropped", porque a blogosfera está cheia deles, hehe, mas vamos lá falar de alguns pecados que me deparei nessa análise antropológica que foi a praça de alimentação ontem.

Primeiro pecado:
Top cropped + mini saia/minishort

Toda a graça do cropped consiste em mostrar apenas um filete de barriga, um vislumbre de pele. E para isso, necessariamente, a pessoa precisa usar algo de cintura alta, e de preferência não muito curto, para não ficar feio. Não vou dizer para não ficar vulgar, porque o corpo é meu e se eu quiser sair do jeito que eu quero tudo bem, contanto que eu esteja bem, e pelo amor de Cristo, você não está bem de top cropped e micro saia. 

Segundo pecado:
O Umbigo

Top cropped não mostra umbigo. Esse é tipo o arroz com feijão do cropped, o cropped for dummies: umbigo deve ser vetado, tirando raras exceções de barriga maravilhosa e obcecada, aka #geracaopugliesi, gente, não. Não. O pior é que sempre que a pessoa mostra o umbigo, ela geralmente se confunde no conceito e acaba colocando um short que era pra ser cintura alta e não é, criando tipo um olho gordinho no meio da barriga. Lembra os anos 2000, quando todo mundo usava calça baixa e umbigo de fora, que Britney era rainha? Pois é, mas não é o caso agora.

Terceiro pecado:
Achar que todo sutiã é um top cropped.

Sim, também vi isso. Socorro. Hahaha. 

Lily Colins musa

Não consigo encontrar de onde veio essa imagem originalmente :(
Mas ela não está maravilhosa?


Agora, voltando ao texto:

E olha, não é uma questão de peso, não é uma questão de corpo, é uma questão de saber como fazer a tendência funcionar a seu favor, e não contra você. Porque eu ainda acredito que essa moda é linda e pode ser usada por todo mundo, mas se usada com BOM SENSO. E fica linda. Em baixinha, alta, gordinha, magérrima, fitness, meninas quadradas, meninas redondas, meninas do bundão. É só pesquisar um pouco até se sentir bem, testar as modelagens que mais funcionam, e… Viver. E se você não gostar, não usa, gente, fim da história. Daqui a alguns meses te garanto que vai aparecer outra moda maravilhosa, e todas essas croppeds ficarão guardadas na memória, do lado das calças do beetlejuice e sneakers de salto (que ainda tenho e uso para ir pra shows, tudo bem? Obrigada).






25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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