Algumas não-resenhas literárias (03/31)

Esse ano está sendo complicado esse negócio de leitura. Quem me acompanha no snapchat (gabrielacouth, como em todos os outros lugares) sabe que eu só posto merda já soltei o segredo da vida. Se quer ter um ano bom de leituras, não se case. Eu e MB estamos com uma lista de livros lidos que nos enche de vergonha, porém organizar um casamento não é das coisas mais fáceis. Imagina ter um filho.

Esse ano eu li sete (SETE1!!!!!11) livros. Apenas um foi horrível, todos os outros foram bons, e alguns vários incríveis. Mas vou falar só sobre alguns.

Já disse aqui várias vezes que não sei fazer resenha: acabo contanto a história, me perco, pontos cruciais da história acabam me passando desapercebido, e o pior, raramente percebo metáforas. Foi lendo essa resenha de minha Passarinha que entendi direito porque amei Paper Towns. Às vezes preciso que as pessoas leiam e me expliquem porque eu gostei (ou não) do livro. Então vão aqui alguns highlights de leitura desse ano, até agora, com um bônus da grande leitura incógnita do ano passado.

Landline - Rainbow Rowell




É um livro que era para ser um YA, mas que trata sobre casamento de uma forma tão estranha que acho um pouco melhor chamá-lo de só A mesmo (veja bem meu vasto vocabulário de adjetivos: estranho). A protagonista é casada há vários anos com um cara, que um belo dia ela foi apaixonada, mas que hoje não tem a menor ideia do que faz e por onde anda. E eles moram na mesma casa. Eles se separam e ela não percebe, e acha melhor ficar negando do que tentar resolver o problema (quem nunca).

Em alguns momentos, me identifiquei com a Georgie, mas em vários outros quis esfregar a cara dela na brita. O relacionamento confuso até o último momento com o melhor amigo, o ciúme que ela provoca no marido sabendo que está fazendo, e principalmente a falta de conhecimento que ela tem das próprias filhas. O que acaba naquele grande ponto de ser adulto de verdade: você trabalha tanto para ter sucesso e dar uma vida confortável aos seus filhos que você não sabe, na verdade, como eles são. Acho ótimo a Georgie ser uma mulher independente e bem sucedida, determinada a fazer o trabalho dos sonhos, mas ao mesmo tempo, acho ela pura e simplesmente egoísta. Enfim. Não sei. No fim das contas, sequer sei se gostei. (acabei marcando duas vezes no Skoob, um com dois e outro com três pudinzinhos hahahahahahaha, tão eu que eu nem sei) 



Jellicoe Road - Melina Marchetta


Coloquei vinte e cinco estrelas no meu caderno de leituras, porque como amei esse livro. Tive vontade de ler depois que a Irena havia indicado no blog, e comecei a ler um tempo atrás, mas parei. Não sei porque, já que na hora que retomei a leitura, acabei devorando o livro.

Aí me aconteceu algo que às vezes acontece quando eu estou amando muito, e consequentemente, lendo rápido demais. Eu perco algumas coisas. (Por exemplo, lembro claramente de estar lendo HP 7, e simplesmente ignorar o fato de existir um dragão no Gringotes, percebendo apenas que eles estavam VOANDO num dragão quando eles já tinham caído no lago ????)

Eu estava amando Jellicoe Road. E eu perdi o ponto principal do livro. Páginas depois, quando relembram a grande revelação, eu quis jogar o kindle pela janela, porque não tinha percebido. Mas enfim. É um YA denso e de drama, nada de leitura fácil e deliciosa. Muito bem escrito, com personagens muito críveis, e um pano de fundo meio sem propósito que só serve para colocar a história para frente, enquanto a real shit começa a acontecer. É aquele tipo de livro que você julga cheio de pontas soltas, mas que quando você percebe, está tudo super conectado e entrelaçado.

E, como a Irena falou, não é apenas um simples YA que foca no romance e nas descobertas dos adolescentes para se tornarem pessoas melhores. É um livro que trata sobre família, de perceber de onde você vem, de tentar ser uma pessoa melhor. Fiquei morrendo de vontade de ler tudo que a Melina já escreveu depois de ter lido esse.



Bônus: The Magicians - Lev Grossman


Eu já falei no vídeo dos melhores do ano, e até agora não sei se gostei de The Magicians. Num primeiro momento, nunca me senti tão compreendida como quando li o começo desse livro. Ele conta a história do Quentin, que era obcecado por Nárnia (que no livro se chama Fillory) quando era menino, e até agora ainda não superou muito bem o fato de o mundo não ser mágico. Talvez por nunca ter desistido, ele acaba indo fazer uma prova no Brooklyn e é chamado para o teste de aptidão de uma faculdade de magia, tipo Hogwarts (que no livro se chama Brakebills). Então tudo que ele sempre sonhou se torna realidade, e ele pode virar um mago.

Só que na verdade, o Quentin nasceu na nossa geração, então passado dois semestres da faculdade ele já está entediado e querendo morrer por ter escolhido essa história patética de ser mago. O livro tem uma falha de falta de ritmo (ou eu tenho uma falta terrível de ritmo de leitura): enquanto o começo é eletrizante e uau e meu Deus e não acredito, ele acaba condensando praticamente todos os anos da faculdade em episódios raros. Pensando bem, é exatamente como é a faculdade em si: um primeiro semestre super excitante e cheio de novidades, e vários anos que se arrastam enquanto tudo que você quer é sair dali, até que você chega no mundo real e tudo que você queria novamente era a vida mole de estudante.

E o Quentin, desinteressado e apático 98% do tempo, não sabe muito bem o que está fazendo ali. E a história não sabe que rumo está indo. Então, depois do que pareceram ser 400 páginas de dias e mais dias em vão na faculdade, ele e um grupo de amigos finalmente chega em... Fillory! Que no fim das contas é real! Mas aí o Quentin já está tão de saco cheio da piada que é ser jovem, não acha nada demais, e acaba sendo um saco, como tudo na vida dele. Ou seja, nível de identificação ultrapassa um milhão.

The Magicians, no fim das contas, parece uma introdução enorme e bem desnecessária do resto da trilogia. Terminei o livro dando graças a Deus, porque juro que achei que ele não fosse acabar nunca. Mas então, olhando em retrospecto, percebo como me identifiquei e amei. Entretanto, comprei o volume dois, li dois capítulos e lembrei de tudo porque tinha odiado (o Quentin, sendo o motivo principal). Ou seja. Menor. Ideia. Mas quero ler o livro dois ainda esse ano.

Por favor, alguém lê e vem me explicar. Obrigada.



> Estou participando do BEDA, que consiste em postar todo santo dia do mês de agosto, firme e forte com minhas amigas da Máfia. Entretanto, um dia nos propomos a responder perguntas, então, por favor, se vocês querem me perguntar qualquer coisa, vão me perguntando! Pode ser via twitter, comentário, email, insta, sinal de fumaça. Obg.





Esse amor canino (02/31)

Durante muitos anos eu fui irmã de cachorro. Para quem não sabe, Tatau me acompanhou dos 5 até os 22 anos, e enquanto crianças ele era o meu parceiro de aventuras. Grandes, nós dois, viramos amigos, e no fim da sua vida, virei sua cuidadora. Passei mais de um ano sem dormir durante a noite inteira para cuidar dele, e tínhamos um vínculo de amizade que deixou um espaço enorme para ser preenchido. Perder um cachorro dói, e dói muito.



Ele era um cachorro cheio de personalidade. Era rancoroso, rebelde, independente, odiava carinho prolongado, tinha as atividades dele que às vezes me incluía. Ele cismava na hora de tomar remédio, porque não era normal a gente dar comida para ele, e quando a esmola é demais o santo desconfia. Um dia dei um susto nele que, juro, passaram-se umas três semanas até que ele tivesse coragem de olhar na minha cara de novo, de tanta raiva que ele ficou. A gente dava osso para ele roer e ele achava que era um presente de grego, porque não conseguia achar um lugar que fosse bom o suficiente para esconder o osso, então ficava chorando frustrado, com ódio. Mas ele também era ultra fiel, adorava passear comigo, e já no finzinho da sua vida, nos nossos passeios, ele me pedia para colocar ele no colo na volta. Na ida, ia saltitando, cheirando tudo; na volta, vinha dormindo nos meus braços. Nunca esperei que um dia alguém pudesse substituí-lo. E, de fato, isso não aconteceu.

A Dindi chegou na minha vida e desde imediato deixou claro que não éramos simples companheiras. Ela era minha filha, e nós éramos feitas uma para a outra. Ela fingia que não era esperta para melhor passar, mas sabe de cor o nome de todos os brinquedinhos (ela tem um monte). Ela tem uma carência que só se equipara à minha, então passamos o dia grudadas uma na outra, literalmente. Ela adora usar roupinhas e tomar água gelada. De manhã cedo, ela gosta de brincar de esconde-esconde com o lençol, e é mestra em guardar segredos contados ao pé do ouvido (mas ela sempre fica catatônica com o peso da informação). E sempre que ela vê a minha mala sendo arrumada, ela entra num momento de depressão e de não fazer contato visual que acaba comigo.

Eu acho que ela sabe que eu não estou longe dela porque quero. Eu sempre digo, reforço, mas não sei se ela entende. A saudade que eu sinto é mais que um aperto no coração, chega a ser algo físico: eu preciso estar sentindo o cheiro, o corpinho quente. Tem gente que me acha louca de dormir na mesma rede com o meu cachorro. Mas acharia loucura dormir sozinha, enquanto ela dorme sozinha longe de mim, quando nós duas poderíamos estar nos amassando juntas.

Já ouvi uma vez: e quando você tiver filho? Vai fazer o quê com o cachorro? Comentei isso com MB e ele respondeu na hora, sem pestanejar. Joga o cachorro dentro do berço, para eles se amarem bem muito, desde sempre.

haheuaiehukhjdajihd olha a cara disso

Não tem nada nesse mundo que eu goste mais que cachorro, e não tem cachorro nesse mundo mais incrível que a minha filha. E hoje me dói não estar com ela, comemorando os seus três anos. Eu já senti a dor de perder um amigo-cão, e hoje sinto a dor da distância. Mas cada dia que estamos juntas, naquele troca-troca de cheiro e carinho que não para, vale a pena. Não tem amor mais puro que o amor de um animal.

Hoje fizemos facetime, fiz a maior festa, chorei lógico, mandei beijo, recebi uma lambida na tela. Mas queria mesmo era dar um aconchego bem apertado e dizer pra ela não se preocupar, vamos sim ficar juntas para sempre. Filha, já que eu volto.


Um dos meus vídeos favoritos de quando ela era filhota doida, com bônus da minha cara de paisagem tentando agir como se nada estivesse acontecendo

BEDA: a introdução (01/31)



Eu sou uma pessoa que tem certa dificuldade de colocar projetos pessoais pra frente. Tanto que quem me conhece de verdade não coloca a menor fé. Foi assim que eu, quinze minutos atrás, respondi na Máfia que queria, sim, participar do BEDA. E fui respondida por uma Analu descrente, dizendo que eu não ia aguentar quatro dias. Podia ter ficado magoada, mas dei um suspiro de amor: amiga de verdade conhece tanto a gente, né?

Então, BEDA. Blog every day. August.

Tem gente que diz que agosto é o mês do desgosto, e não sei muito bem qual a vibe dessas pessoas de já chegar no dia primeiro anunciando longuíssimos trinta dias futuros de terror. Não, muito obrigada, agosto é um mês como todos os outros (tirando dezembro, que é, claramente, o melhor mês do ano). Mas quando estudava, sentia uma energia que chegava em agosto, um gostinho de que começou o fim do ano, que as férias de julho enfim acabaram, e que temos essa pausa natural de perceber que metade do ano já passou (!), e que pouco a gente fez, mas que ainda dá tempo. Sempre dá tempo.

Então, agosto chegou mais uma vez, e depois de anos, também voltei a estudar. Nada como um fresh start para botar a vida em um pouco mais de perspectiva, certo? Vai ser um bom mês. Me aguardem (ou não). Melhor falhar do que nunca ter tentado, certo?

>> Acompanhem o BEDA das outras mafiosas aventureiras, Anna Chicória, Analu, Paloma, Xará e Gab Plâncton. Nós somos invencíveis, pdk.

>>> Plmdds me indiquem temas.

Sobre casar


É muito difícil descrever um dos dias mais felizes da sua vida. É praticamente impossível descrever a sensação, o frio na barriga, a iluminação intensa que parecia irradiar de dentro de você. Como viver os seus vinte e cinco anos sentindo-se transbordando? Não dá pra chegar nesse dia inteira, sem ter tido muitos dias felizes antes. Minha melhor amiga (pois todas as minhas amigas são as melhores, de acordo com a própria), me disse que se a gente achar que o dia do nosso casamento é o dia mais feliz da nossa vida, tem algo de muito errado na nossa vida.

Deve ter sido por isso que, quando posta para descrever esse dia que foi esse que seria o dia mais feliz da minha vida, eu me embaralho toda. Tudo foge da ordem, as palavras ficam meio sem nexo, o que estou fazendo? Começo a lembrar de um monte de coisa ao mesmo tempo, vários flashes de um dia tranquilo, e uma noite intensa, e uma vida inteira que me carregou até esse momento. Os outros dias felizes. Os próximos dias felizes.

Casar foi como mergulhar no mar de um dia de verão, depois de uma festa inesquecível. Foi que nem aquela vez que fiquei na varanda da casa da minha avó até depois da hora de dormir, enquanto ela me confidenciava histórias. Foi cantar parabéns com minhas melhores amigas aos quinze anos, e depois cantar parabéns com minhas novas melhores amigas aos vinte e cinco, com uma vela da Peppa. Foi como ter uma crise de riso porque uma amiga perdeu uma meia que ela já tinha calçado. Foi como dar aquele beijo subindo as escadas rolantes e sentir um frio na espinha, melhor que qualquer montanha russa. Foram aquelas férias que eu passei inteiras plantando bananeira debaixo d'água, achando que era sereia. Foi nadar nas costas do meu pai, na nossa praia. Foi cantar com ele Bohemian Rhapsody até a gente chorar. Foi segurar a minha filhotinha pela primeira vez. Foi abraçar a minha mãe voltando pra casa. Casar foi tudo isso, mas ao mesmo tempo, foi muito mais. Foi tão mais.

É uma coisa muito louca, porque demoraram dias até que eu me desse conta que eu já tinha casado. Veja bem, você passa meses planejando todos aqueles detalhes. São inúmeras reuniões, planejamentos, orçamentos, planilhas, e também amizades. Porque é um momento tão especial que você precisa confiar em todos que estão ali para fazer dar certo. Você tem que se entregar. Então, você já se entregou, você contou os dias, e o dia chegou. Simplesmente não dá pra acreditar que o dia chegou. Mesmo já estando nele.


Posso tentar romantizar o dia, mas foi uma grande sucessão de surpresas e uma voz dentro de mim me explicando tudo, porque eu mesma estava sem entender nada. Meu Deus, eu tô no salão para me arrumar. Meu Deus, eu sou a noiva. Meu Deus, eu estou pronta. Meu Deus, eu tô dentro do carro indo me casar. Meu Deus, eu cheguei. Meu Deus, essa é a música dos padrinhos, eles já estão entrando. Meu Deus, essa é a música do Marcelo. Meu Deus, essa é a música das meninas. Meu Deus, essa é a minha música. Pera um pouco. Essa sou eu. Eu estou casando. Eu estou entrando no altar? Eu sou a noiva? Eu estou falando meus votos? Eu casei? Essa festa é minha? Todas essas pessoas estão aqui por minha causa?!

Eu olhava ao redor tentando absorver tudo, mas como passa rápido. Eu precisaria ter mais uns quatro pares de olhos para poder acompanhar tudo, para poder estar em todos os lugares, para poder agradecer a todos. Eu já tinha ouvido das minhas amigas que casaram como passa rápido. Passa umas duzentas vezes mais rápido do que rápido. Casar é um suspiro. Suspira. Suspirou? Foi rápido assim.

Mas depois que passou, essa noite fugaz, alguns momentos ficaram. Minhas amigas invadindo a minha suíte de noiva. Dindi entrando com as alianças e me fazendo chorar. Dançar com meu irmão, que está no topo da lista das minhas pessoas favoritas do mundo, e com meu avô. Queria que minha avó estivesse vendo, mas ao mesmo tempo, sei que ela estava. Pedir pro DJ tocar Blank Space para A Gente cantar. Minhas amigas do colégio, minhas amigas do trabalho. Tanta gente que veio de fora, que pegou avião, que perdeu avião, que moveu mundos e fundos para estar comigo ali naquele dia.

E sobretudo, ele. Ele que fez aquilo tudo começar, ele que teve a ideia original da gente largar tudo e se casar num sábado. Assim como eu, ele descreveu o dia como um dos mais felizes da vida dele. Mas posso dizer que acho que nunca vi o Marcelo tão feliz como naquela noite, me olhando de um jeito que eu nem acredito, a gente sendo mais ainda um do outro. Essa cumplicidade que existe entre a gente, a de fazer piada no meio da cerimônia séria (o vaso de areia pesava 20kg), essa troca de olhares de segundos que significa o mundo inteiro: não importa o que digam, o que desejem, o que conspirem, o que preguem por aí. A gente se olha. E a gente sabe. E todo mundo que importa sabe também.

Foram beijos, foram danças, foram vários drinks, foram muitas risadas. Foi olhar para o lado e não acreditar que aquele momento infinito era nosso. Era todo nosso. Eu não estava cabendo no meu corpo de tanta felicidade. Eu estava em tudo ali, na decoração, na festa, nas músicas, na bebida, nas árvores, no céu que permaneceu estrelado a noite inteira, apesar do clima tempo ter dito o contrário (foi o ovo). Talvez isso realmente seja se sentir infinito.

Então para mim, só cabe agradecer. Obrigada por terem ido, obrigada por terem feito uma festa maravilhosa. Obrigada à minha mãe, que embarcou em absolutamente todas as minhas loucuras, que foi meu braço direito esquerdo dois pés e cabeça, que de tão maravilhosa eu não consigo nem encontrar formas para agradecer. Mãe, obrigada. De verdade. Obrigada pelas minhas amigas que atravessaram o Brasil, obrigada por terem dividido o colchão comigo, por também ter embarcado nessa loucura, por cantar Alpiste num barzinho, por fazer esculturas na praia. Obrigada à minha mãe de novo por ter aguentado a Gente nos dias mais estressantes de todos. Obrigada ao meu pai por ser maravilhoso e único, por ter dançado a festa inteira, por ter se comportado como nunca. Obrigada ao meu irmão. Obrigada à minha avó por ter tido a coragem de andar de avião depois de 10 anos. Obrigada aos meus sogros, sobretudo por terem feito esse milagre que é o Marcelo. Obrigada aos meus cunhados pela gravata. Obrigada ao cerimonial, aos fotógrafos, ao DJ paciente, à banda, aos amigos que foram, aos amigos que não foram, mas que se fizeram presentes. Obrigada à minha BFF pelas suas mechas rosas, obrigada a amiga que foi de muletas, obrigada. Obrigada ao Renne por ser a vela mais duradoura, e dono de um discurso maravilhoso. Obrigada pelo texto maravilhoso. Obrigada Dindi por ter sido a daminha mais linda do mundo. Mas é bom parar, senão não consigo terminar esse post nunca. Desculpa quem eu esqueci, e obrigada.


Desculpa a falta de linearidade do texto. Desculpa quem veio aqui várias vezes esperando que esse post fosse ao ar, e que nele tivesse uma narrativa desse que foi um dos dias mais felizes da minha vida. Não tem como narrar e ser coerente. Quer coisa mais incoerente do que duas pessoas, no meio desses bilhões de pessoas que tem no mundo, que se encontram, que se apaixonam, que nunca desistem uma da outra, e que decidem se casar?

Então, eu casei. Eu casei com o meu melhor amigo, com o amor da minha vida, nessa que foi a noite mais importante das nossas vidas até agora. Porque daqui pra frente, temos a vida inteira para nos sentirmos infinitos juntos. E você quer mesmo saber? Já somos.


Meu marido.

Sororidade & algo mais



Todo mundo já vem falando nisso há algum tempo, e embora eu sim, me reconheça feminista, ainda não tinha encontrado alguma coisa para falar sobre. Quer dizer, tem tanta gente incrível falando sobre por aí, tenho tantas amigas maravilhosas discutindo sobre o assunto, que eu ficava pensando o que diabos eu poderia acrescentar, né? Ainda mais porque tinha uma dificuldade visceral num dos pontos principais do feminismo, que é justamente a sororidade. Aí ontem li um texto incrível sobre outras coisas e inclusive sobre isso, que deu um tapa gigante na minha cara, e eu queria tanto ter lido isso quando ainda era nova e estava me encontrando nesse mundo.

É difícil escrever sobre isso, sem soar um grande mimimi. Mas meu blog, que tanto muda de ~ linha editorial ~, ultimamente vem sendo um relato mais aberto da minha realidade e do que eu penso, então, vamos lá. A sororidade, e eu.

Eu estudava num colégio de classe média alta no bairro nobre de Fortaleza. A maioria das meninas da minha sala era branca, rica, com cabelo liso (ou alisado) e mechas loiras. Elas ficavam com meninos desde sempre, usavam calças justas e nike shox. Eu não. Eventualmente, muito tarde do ponto de vista delas, eu comecei a ficar com meninos. Mas, durante os anos cruciais, não. Tinha um grupo de meninas que saiam, bebiam, tinham piercings e eram descoladas. Também tinha o grupo de meninas que eram perfeitinhas, que esnobavam todo mundo, e que davam em cima dos meninos para no momento final dizer não, e deixavam eles loucos. Obviamente nenhum era louco por mim, e jamais foi. Mas, quando eu era nova, eu via essas meninas como o inimigo, tão diferentes de mim quanto um peixe e um javali. Eu nunca me enturmei com essas meninas, e nunca fiz questão, e aliás vivia enrolada em brigas. Eu era um alvo fácil? Sim, mas tenho certeza que se perguntar pra uma delas hoje, elas diriam que eu também atacava. E às vezes atacava mesmo.

A minha sorte é que eu tinha amigas, que eram exatamente como eu: atrasadas, bobas, e sim, feias. Ouvi um grupo de meninos falando que comigo o esquema era camarão, corta a cabeça (feia) fora, e come só o corpo. Agora, a fulana não. A fulana é linda, ela a gente come inteiro, e namora depois. Eu queria ser a fulana, claro. E como era impossível ser a fulana, eu odiava ela com todas as forças.

Com o tempo, eu comecei a perceber que não ser igual à elas era bom. Que ouvir músicas boas, que ler livros incríveis, que ter amigas que você ama e confia ao seu redor, era ótimo. Que haviam meninos também diferentes por aí que iriam me ver, e em determinado ponto eles me viram. Não, não eram os gatinhos do vôlei, mas eram caras legais. Até isso acontecer, entretanto, eu me vi numa briga no meio da sala, com uma menina que eu odiava (ela era da turma das festas), em que ela gritou pra mim: você é uma retardada, vai beijar na boca. Você ficar lendo revista de bruxinha só prova como você é mongol. Vai viver, menina.

Fiquei anos com isso na minha cabeça, e foi uma vitória pessoal quando vi fotos dessa mesma menina grávida, ainda no ensino médio, numa rave, fumando. Idiota, você tá vendo só? Eu sou diferente, eu estava lendo quando você estava beijando na boca, eu estou na faculdade enquanto você está procurando emprego, eu sou estilista da loja que você vai ser vendedora (horrível, porém, sim). Só que não era assim. Não era. 

Naquele colégio de classe alta, várias meninas tiveram suas fotos íntimas espalhadas via msn. A maioria todo mundo olhava com culpa, porque eram meninas boas e perfeitas. Algumas, todo mundo olhava e dizia: "também, do jeito que dá pra todos os caras desde a sétima série". Eu me sentia mal por ver as fotos das meninas por aí, mas me unia ao coro na hora de dizer que ela devia ter mais cuidado antes de sair transando por aí, quando eu nem tinha ideia de nada disso, porque estava muito ocupada acompanhando a revista das Witch (melhor revista). Então como é que, aos vinte anos, eu ia conseguir me solidarizar com essas meninas que fizeram questão de que eu me sentisse uma bosta a minha adolescência inteira por ser diferente? Eram putas sim, escolha delas, eu não tenho nada a ver com isso. Mas aí as feministas pegaram na minha mão e disseram: não, nós estamos todas juntas nessa, nós temos que aceitar umas as outras, nós temos que nos amar e nos apoiar.

Eu sempre tive amigas. Mesmo na época de transição das amigas do colégio para as amigas da faculdade, em que eu fiquei sozinha, eu ainda tinha algumas meninas em quem eu confiava, e podia me abrir, e falar tudo que eu quisesse sem ser julgada. Mas tem meninas que não tem. Basta você ver aquele vídeo escroto da bebezinha imitando os animais e chegando na cobra e dizendo: oi, amiga.

Eu me achava diferente. E, por ser diferente, só pessoas que contemplassem os meus interesses poderiam me compreender: pessoas mais velhas, caras interessantes, meninas legais. Eu tive a sorte de ter amigas sempre comigo, porque é geralmente nessas horas que essas "meninas legais" encontram caras mais velhos, que fazem questão de ressaltar como elas são diferentes, como não são iguais as meninas da idade dela. Com um único objetivo: te comer. Amiga, esse cara só quer te comer, sinto muito. Eu, enquanto nova e sem experiência nenhuma, me apaixonava pelo primeiro menino que me desse atenção, que conversasse comigo regularmente, que me mandasse mensagem. Esse menino, provavelmente, só queria me comer, ou então só estava fazendo o mínimo, que era ser legal e educado. Ele certamente não estava apaixonado por mim pelo simples fato de eu responder todas as mensagens dele.

Meu noivo é professor, vocês já sabem. Mas ele é um professor muito, muito legal, e muitos alunos amam ele. E mandam mensagens pra ele frequentemente, às vezes de madrugada, cheios de problemas de adolescentes. Algumas meninas falam de problemas de amor, enquanto ele, homem, mais velho, nunca foi uma adolescente, não tem o menor embasamento para ajudar, mas tenta. E eu fico: essas meninas não tem amigas? Por que você iria pedir conselho amoroso para um professor, pelo amor de Deus? "Ah, é porque as amigas não iriam entender."

Como não?

Porque elas estão naquela fase em que são diferentes, em que todas as amigas são cobras, e todas que não são as amigas são prostitutas, ou retardadas. Como você pode esperar que um professor, mais velho, possa te entender melhor que as meninas que convivem com você? MB olha para mim e fala: você não entende. Como eu posso não entender, se eu também fui adolescente, cercada de amigas adolescentes, e cheia de amigas hoje que também foram adolescentes?

Entrar na faculdade é vital para o crescimento, porque você se vê diante de pessoas que você normalmente não iria interagir no colégio, de outros bairros da cidade, com outros interesses. E é aí que você percebe como todo mundo é igual. A menina que transava desde os 13 anos? Também fica meio apaixonada sem nenhum motivo aparente. A menina perfeitinha que na hora H sempre dizia não? Provavelmente morria de medo do que iam falar dela, ela não estava só tentando destruir a sua vida. A menina retardada que lia revista ao invés de beijar na boca? Queria muito estar beijando na boca, mas não tinha oportunidade, vida que segue. Somos todas, de uma forma ou de outra, iguais. Somos mulheres. Podemos nos entender, se tivermos vontade. Podemos nos apoiar.

Enquanto novas, buscamos pessoas em quem nos espelhar, pessoas mais velhas incríveis. Infelizmente, quase nunca temos mulheres incríveis ao nosso redor. Os adolescentes se espelham no professor legal, e as meninas tem como objetivo ficar com o professor legal, ou pelo menos um cara tão legal quanto ele. (spoiler: os professores legais já foram meninos retardados.) Eu, enquanto adolescente, tive a sorte de ter a minha mãe como exemplo. Minha mãe ama trabalhar, é super batalhadora, e nunca deixou de viajar, de ir para festas, e de toda sexta ir no barzinho (sozinha) com os amigos. Eu conheci uma amiga dela que morava em Paris, era bronzeada, independente, e desde esse dia eu também quis morar fora. Eu entendo que, sendo branca, magra (enquanto adolescente), da classe média, e cheia de todas as oportunidades, eu não posso me comparar à meninas que não tiveram. Mas posso estender a mão para tentar compreendê-las, e o melhor, posso pedir para que abram o olho para as meninas que estão ao redor. Vocês não estão sozinhas, vocês não são diferentes, vocês são iguais, e isso não é ruim. Se um cara te olha e te diz que você é diferente das outras, nem ele acredita nisso. Se ele for mais velho, fuja, é cilada. Se você tiver 25 anos e quiser um cara de 45, tudo bem, porque você já vai entender muito mais coisas da vida, e pode ser que dê certo. Se você tiver 15 e quiser um de 35, amiga, acredita em mim, você vai se magoar muito, tenha cuidado. 

Queria muito ter tido exemplos de professoras incríveis enquanto estava crescendo, como uma amiga, a Cristina. Que é mulher num ambiente masculino, é negra, é inteligentíssima, é independente, e inspira alunas a serem o mesmo. Queria ter olhado para as meninas que riam da minha cara com um pouco mais de compaixão, e queria muito que elas também tivessem feito o mesmo comigo, mesmo eu mandando mensagens cheias de ódio (desculpa, eu de fato não tinha nada melhor pra fazer). Acho que nunca serei professora e serei capaz de mudar vidas, mas se meia dúzia de meninas nessa idade ler isso, e olhar para a sua sala com olhos com um pouco mais de reconhecimento, já fico feliz. Confiem umas nas outras. This too shall pass.







PS: É estranho fazer um post pessoal e cheio de opinião desses num blog meio "superficial", mas enfim, essa é a minha opinião, essa foi a minha adolescência (privilegiada, sim). Desculpa qualquer coisa.

PS2: Às pessoas que estudavam comigo no colégio, que me odiavam e que eu tão fervorosamente odiava de volta, peço desculpas! Espero de verdade que vocês estejam bem na vida de vocês, que quem já teve filho, que eles sejam incríveis (sem ironia, hein), e que quando a gente se encontrar na rua num futuro próximo a gente possa sorrir e perguntar como vai, sem ser o fim do mundo.

PS3: Nesse post da minha amiga maravilhosa, tem um guia de links legais para você entender melhor sobre o feminismo, e disseminar a palavra.

5 Melhores Shows da Minha Vida

Tem pouca coisa que gosto de fazer nessa vida, e uma delas é ir a um show de uma banda que eu ame. Já conheci algumas pessoas que não gostam (gente!), mas acho que de fato, não há nada melhor do que você amar um cantor, ou uma banda, assim, de longe, e de repente ficar assim, de perto. Claro que há grandes decepções (Beyoncé, estou olhando para você), mas, de modo geral, é incrível ver aquele cd que você ama assim, sendo tocado ao vivo.

Esse ano vi um show tão incrível que pensei: preciso escrever sobre isso no blog. Então lembrei de outros shows incríveis que já vi, que nunca vieram parar aqui, então está aqui um apanhado dos melhores shows que já fui (até agora).

5. Arctic Monkeys na HSBC Arena (2014)




Esse show tem o sabor da minha mudança, dos dias incríveis que estava passando ao lado das minhas amigas, da liberdade, da primeira vez da minha vida que consegui sair (e virar) duas noites seguidas, da primeira vez que acordei de ressaca, e ter debatido sobre gente inconveniente que frequenta shows com a Anna Vitória, de ter gasto um dinheirão sem nem conhecer a banda, só pela folia.

Mas a questão foi que eu não conhecia direito a banda, e mesmo exausta e necessitando dormir, consegui curtir o show inteiro, me apaixonei pelo Alex, quis ter um filho dele com tanta força que acordei no dia seguinte com cólica, cantei as músicas aprendendo na metade, pulei, pulei, abracei minhas amigas. Alex, are you mine? I wanna be yours. Bastou esse show para que eu virasse fã e passasse a ouvir todos os cds da banda, e tudo bem que é muito melhor conhecer antes de ver ao vivo, mas se essa não foi a melhor forma de começar o ~nosso relacionamento~ eu não sei qual é.



4. Los Hermanos no Biruta (2012)




Eu acho que consegui ir a seis shows do Los Hermanos na minha vida, e inclusive o primeiro show que fui ever foi com o Ventura (eu acho). Então vi shows bons e vi shows ok, mas o último show que eles fizeram na turnê de comemoração aos 15 anos foi o melhor.

Foi numa barraca de praia (na verdade, foi o segundo show que eu fui lá. O primeiro foi o lançamento do cd 4), o show foi super longo, e todo mundo cantava em uníssono todas as músicas. Eu geralmente tenho ciclos de gostos musicais: eu escuto uma banda até cansar, e depois passo anos sem ouvir. Fui para esse show no período de anos sem ouvir, então não me lembrava da maioria das músicas, mas na hora que eles começavam a tocar, acontecem coisas.

"Além do que se vê" é uma eterna favorita, que sempre que toca todo mundo se desespera, e "Sentimental" eu cantei inteira aos prantos, lembrando de todo um sofrimento adolescente. Das antigas, pros fãs, eles tocaram "A Flor" e terminaram com "Pierrot". Chora! Ano passado eu fui ao show da Banda do Mar, e o Camelo cantou "Além do que se vê" na capela, com o público. Foi lindo. Estou louca para o show que vai ter esse ano, e dessa vez já estou ouvindo os cds de novo, para já ir matando a saudade. 



3. Black Eyed Peas no Ceará Music (2010)





Aconteceu um fenômeno incrível nesse show que foi: ele foi MUITO bom. Eu gostava de Black Eyed Peas um bocado, mas assim, nunca diria que era a banda da minha vida. Só que esse show conseguiu empatar no ranking com o próximo da lista, sendo desempatado mesmo por pura culpa. Só que não tenho vergonha: já fui pra show do Chico Buarque, já fui pra show da MUSA suprema Beyoncé (!!!!!) , já fui pra show ruim, já fui pra show bom, mas nada nunca se comparou ao show do Black Eyed Peas.

Tinha mensagem subliminar durante o período do show? Qual a justificativa para um show de uma hora e meia, no meio de um festival meia boca, ser o melhor show ever? Não sei, mas sempre que comento desse show com alguém que foi, vejo o mesmo espanto espelhado na pessoa. Não sei, só sei que foi assim. Só sei que nunca dancei e pulei tanto na minha vida, só sei que nunca passou isso pela minha cabeça, mas chorei ouvindo "Big girls don't cry", só sei que "Fergalicious" devia voltar à moda, só sei que "My Humps" é um hino, só sei que nada sei.

E que se um dia houver outro show de Black Eyed Peas cruzando a minha vida, estarei na primeira fileira.



2. Paul McCartney no Castelão (2013)





Um Beatle, vivo, ali, pertinho, olhando pra mim. Foi mais ou menos assim o show do Paul: eu não acredito até agora que aconteceu. Para comprar o ingresso foi aquele drama de sempre, incluindo eu
chorando no banheiro do trabalho porque todo mundo já tinha conseguido comprar e eu não, e no dia tivemos que passar por um congestionamento de duas horas (!) num percurso que dura 10 minutos.

O Paul é lindo, é fofo, chorei um rio quando ele cantou "Maybe I'm Amazed", e achei que fosse morrer de tanto gritar com "Live and Let Die". Foi um show de ficar arrepiada durante três horas inteiras, e enquanto o pessoal do meu lado tava sem energia depois de tanto tempo em pé (pessoal, melhorem), eu não conseguia parar de pular. Não dava. Era o mínimo que eu podia fazer para um cavalheiro que estava ali, na minha frente. Durante um tempão esse show foi Hors Concours da minha vida, porque, francamente, Paul McCartney ao vivo. Até que.


1. Foo Fighters no Maracanã (2015)



Existe algo sobre mim que vocês precisam saber: eu fico obcecada com uma banda por um tempo, escuto os mesmos cds centenas de vezes por uns três, quatro anos e depois abuso e nunca mais escuto nada. Em 2005 (!!!!!), um colega de sala me emprestou o cd In Your Honor. 10 anos depois, cá estou eu, ainda amando Foo Fighters.

Quando eu descobri que eles iam fazer um show no Rio, no Maracanã, comprei o ingresso imediatamente, sem antes ter o bom e velho ataque de pânico. Comprei esse ingresso antes mesmo de me mudar, achando tudo tão longe. E então, sem mais nem menos, o dia chegou: e eu estava indo ver o Foo Fighters ao vivo. A banda da minha vida. Ao vivo. Não dá pra falar de mim sendo adolescente e não falar dos meus banhos demorados ouvindo "No Way Back", gritando no banheiro, e sonhando com o dia que eu ia ver um show deles. Mas aos 15 anos morando em Fortaleza, eu NUNCA tinha pensado na possibilidade real disso acontecer. Tipo, nunca. Ever. Jamais. É uma coisa tão profunda que não consigo me dissociar desse cd, não tem como não me imaginar colocando o all-star para ir pra escola sem ter essas músicas ao fundo. Eu acho que nunca agradeci ao menino que me emprestou o cd direito, mas olha, muito obrigada por ter feito isso por mim.

Muda tudo, em 2015 estou aqui no Rio de Janeiro, indo de metrô assistir o Foo Fighters. Sentando na cadeira para assistir Foo Fighters. Quando o Dave Grohl subiu no palco, perdi tudo que um dia tive de dignidade, e SOLUCEI de chorar. Chorei tanto, tanto, cantando. Gritei até, literalmente, perder a voz. Ouvir "Big Me", acústico, como sempre amei, vendo toda aquelas luzinhas piscando, despedaçou meu coração. "The Pretender", "All My Life", "Best of You": achei que podia gritar mais que o Dave, e gritei até sentir minha garganta virar do avesso. Mas foi quando ele cantou a minha música favorita da vida inteira, "Times Like These", meio acústico, que eu oficialmente vim a óbito.

Porque uma coisa é você ver um show. Outra coisa é você achar que sua vida anda tão errada, tão fora de prumo, e de repente perceber que você está ali, com 25 anos, no exato lugar onde você de 15 tinha imaginado. Não vi um show do Foo Fighters no Maracanã: realizei um sonho, e deixei a Gabriela tranquila, porque pode ser que ela esteja errando bastante, mas ela tem feito algo de muito certo nessa vida.

Retrospectiva Literária 2014

Demorou, mas chegou!

Depois de um mês de atraso, ei-la. Íamos gravar em Fortaleza, mas esqueci o caderno em que anoto todas as minhas leituras no Rio, então atrasamos tudo. Isso e a preguiça, é claro.




Acho que alguns livros merecem ter seus posts, quem sabe num futuro próximo?
(Deixei em negrito os favoritos)
(The Magicians é um caso de amor e ódio que não consigo colocar em palavras, então marquei como favorito, mas na realidade até agora não sei se eu gostei)


Em 2014, Gabriela leu:
Fangirl - Rainbow Rowell
O Menino do Kampung - Lat
A menina que roubava livros - Markus Zusak (Abandonado)
The Interestings - Meg Wolitzer (Abandonado)
Jogos Vorazes - Suzanne Collins
Em Chamas - Suzane Collins
A Esperança - Suzane Collins
Breakfast at Tiffany's - Truman Capote
Cidade das Almas Perdidas - Cassandra Clare
O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks - E. Lockhart
Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Stieg Larsson
A Menina que Brincava com Fogo - Stieg Larsson
A Rainha do Castelo no Ar - Stieg Larsson
A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora - Gregório Duvivier
Febre de Bola - Nick Hornby
A Fundação - Isaac Asimov
Attachments - Rainbow Rowell
A Estrada da Noite - Joe Hill
Lola e o garoto da casa ao lado - Stephanie Perkins
Extraordinário - PJ Palace
Os mundos de Crestomanci - Diana Wynne Jones
Dom Casmurro - Machado de Assis
O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
Extremely Loud & Incredibly Close - Jonathan Safran Foer
Como ter uma vida normal sendo louca - Jana Rosa e Camila Fremder
As Crônicas Marcianas - Ray Bradbury
A vida em tons de cinza - Ruta Sepetys
Precisamos falar sobre o Kevin - Lionel Shriver
An Abudance of Katherines - John Green
Foras da Lei etc - Neil Gaiman & etc
A Droga da Amizade - Pedro Bandeira
Serena - Ian McEwan
Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie
Sandman Edição Definitiva - Vol. I - Neil Gaiman
Sandman Edição Definitiva - Vol. II - Neil Gaiman
Isla and the Happily Ever After - Stephanie Perkins
As Valentinas - Luiza Trigo
The Magicians - Lev Grossman
Alta Fidelidade - Nick Hornby
American Gods - Neil Gaiman
An Age of License - Lucy Knisley
Heart: Seed, Snow, Circuit - Lucy Knisley

Em 2014, MB leu:
Este Lado do Paraíso - F. Scott Fitzgerald
O Bom Jesus e o Infame Cristo - Philip Pullman
Os frutos dourados do sol - Ray Bradbury
Harry Potter e a Pedra Filosofal - J. K. Rowling (audiobook)
A ciência dos Superpoderes - Juan Scaliter
Wild Cards - Org. George R. R. Martin
Leite Derramado - Chico Buarque
Harry Potter e a Câmara Secreta - J. K. Rowling (audiobook)
Orfeu da Conceição - Vinicius de Moraes
Antologia Poética - Mário Quintana
1984 - George Orwell
Percy Jackson - O Ladrão de Raios - Rick Riordan
Paper Towns - John Green
Segunda Fundação - Isaac Asimov
Percy Jackson - O Mar de Monstros - Rick Riordan
Percy Jackson - A Maldição do Titã - Rick Riordan
Eleanor & Park - Rainbow Rowell
Percy Jackson - A Batalha do Labirinto - Rick Riordan
Percy Jackson - O Último Olimpiano - Rick Riordan
Poemas Escolhidos - Ferreira Gullar
Uma Força Medonha - C. S. Lewis
Olhos de Cão Azul - Gabriel García Marquez
A Cidade Inteira Dorme - Ray Bradbury
O seminarista - Rubem Fonseca
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling (audiobook)
Clube da Luta - Chuck Palahniuk
O Polegar do Panda - Stephen Jay Gould
Do amor e outros Demônios - Gabriel García Marquez
O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson
O Salmão da Dúvida - Douglas Adams
O Cavaleiro dos Sete Reinos - George R. R. Martin
Sandman Edição Definitiva - Vol. I - Neil Gaiman
O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
Extraordinário - R. J. Palacio
O caminho Jedi - Yavin Praxeum
O Restaurante no Fim do Universo - Douglas Adams
Deuses Americanos - Neil Gaiman

25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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