Esse ano está sendo complicado esse negócio de leitura. Quem me acompanha no snapchat (gabrielacouth, como em todos os outros lugares) sabe que eu só posto merda já soltei o segredo da vida. Se quer ter um ano bom de leituras, não se case. Eu e MB estamos com uma lista de livros lidos que nos enche de vergonha, porém organizar um casamento não é das coisas mais fáceis. Imagina ter um filho.
Esse ano eu li sete (SETE1!!!!!11) livros. Apenas um foi horrível, todos os outros foram bons, e alguns vários incríveis. Mas vou falar só sobre alguns.
Já disse aqui várias vezes que não sei fazer resenha: acabo contanto a história, me perco, pontos cruciais da história acabam me passando desapercebido, e o pior, raramente percebo metáforas. Foi lendo essa resenha de minha Passarinha que entendi direito porque amei Paper Towns. Às vezes preciso que as pessoas leiam e me expliquem porque eu gostei (ou não) do livro. Então vão aqui alguns highlights de leitura desse ano, até agora, com um bônus da grande leitura incógnita do ano passado.
Landline - Rainbow Rowell
É um livro que era para ser um YA, mas que trata sobre casamento de uma forma tão estranha que acho um pouco melhor chamá-lo de só A mesmo (veja bem meu vasto vocabulário de adjetivos: estranho). A protagonista é casada há vários anos com um cara, que um belo dia ela foi apaixonada, mas que hoje não tem a menor ideia do que faz e por onde anda. E eles moram na mesma casa. Eles se separam e ela não percebe, e acha melhor ficar negando do que tentar resolver o problema (quem nunca).
Em alguns momentos, me identifiquei com a Georgie, mas em vários outros quis esfregar a cara dela na brita. O relacionamento confuso até o último momento com o melhor amigo, o ciúme que ela provoca no marido sabendo que está fazendo, e principalmente a falta de conhecimento que ela tem das próprias filhas. O que acaba naquele grande ponto de ser adulto de verdade: você trabalha tanto para ter sucesso e dar uma vida confortável aos seus filhos que você não sabe, na verdade, como eles são. Acho ótimo a Georgie ser uma mulher independente e bem sucedida, determinada a fazer o trabalho dos sonhos, mas ao mesmo tempo, acho ela pura e simplesmente egoísta. Enfim. Não sei. No fim das contas, sequer sei se gostei. (acabei marcando duas vezes no Skoob, um com dois e outro com três pudinzinhos hahahahahahaha, tão eu que eu nem sei)
Jellicoe Road - Melina Marchetta
Coloquei vinte e cinco estrelas no meu caderno de leituras, porque como amei esse livro. Tive vontade de ler depois que a Irena havia indicado no blog, e comecei a ler um tempo atrás, mas parei. Não sei porque, já que na hora que retomei a leitura, acabei devorando o livro.
Aí me aconteceu algo que às vezes acontece quando eu estou amando muito, e consequentemente, lendo rápido demais. Eu perco algumas coisas. (Por exemplo, lembro claramente de estar lendo HP 7, e simplesmente ignorar o fato de existir um dragão no Gringotes, percebendo apenas que eles estavam VOANDO num dragão quando eles já tinham caído no lago ????)
Eu estava amando Jellicoe Road. E eu perdi o ponto principal do livro. Páginas depois, quando relembram a grande revelação, eu quis jogar o kindle pela janela, porque não tinha percebido. Mas enfim. É um YA denso e de drama, nada de leitura fácil e deliciosa. Muito bem escrito, com personagens muito críveis, e um pano de fundo meio sem propósito que só serve para colocar a história para frente, enquanto a real shit começa a acontecer. É aquele tipo de livro que você julga cheio de pontas soltas, mas que quando você percebe, está tudo super conectado e entrelaçado.
E, como a Irena falou, não é apenas um simples YA que foca no romance e nas descobertas dos adolescentes para se tornarem pessoas melhores. É um livro que trata sobre família, de perceber de onde você vem, de tentar ser uma pessoa melhor. Fiquei morrendo de vontade de ler tudo que a Melina já escreveu depois de ter lido esse.
Bônus: The Magicians - Lev Grossman
Eu já falei no vídeo dos melhores do ano, e até agora não sei se gostei de The Magicians. Num primeiro momento, nunca me senti tão compreendida como quando li o começo desse livro. Ele conta a história do Quentin, que era obcecado por Nárnia (que no livro se chama Fillory) quando era menino, e até agora ainda não superou muito bem o fato de o mundo não ser mágico. Talvez por nunca ter desistido, ele acaba indo fazer uma prova no Brooklyn e é chamado para o teste de aptidão de uma faculdade de magia, tipo Hogwarts (que no livro se chama Brakebills). Então tudo que ele sempre sonhou se torna realidade, e ele pode virar um mago.
Só que na verdade, o Quentin nasceu na nossa geração, então passado dois semestres da faculdade ele já está entediado e querendo morrer por ter escolhido essa história patética de ser mago. O livro tem uma falha de falta de ritmo (ou eu tenho uma falta terrível de ritmo de leitura): enquanto o começo é eletrizante e uau e meu Deus e não acredito, ele acaba condensando praticamente todos os anos da faculdade em episódios raros. Pensando bem, é exatamente como é a faculdade em si: um primeiro semestre super excitante e cheio de novidades, e vários anos que se arrastam enquanto tudo que você quer é sair dali, até que você chega no mundo real e tudo que você queria novamente era a vida mole de estudante.
E o Quentin, desinteressado e apático 98% do tempo, não sabe muito bem o que está fazendo ali. E a história não sabe que rumo está indo. Então, depois do que pareceram ser 400 páginas de dias e mais dias em vão na faculdade, ele e um grupo de amigos finalmente chega em... Fillory! Que no fim das contas é real! Mas aí o Quentin já está tão de saco cheio da piada que é ser jovem, não acha nada demais, e acaba sendo um saco, como tudo na vida dele. Ou seja, nível de identificação ultrapassa um milhão.
The Magicians, no fim das contas, parece uma introdução enorme e bem desnecessária do resto da trilogia. Terminei o livro dando graças a Deus, porque juro que achei que ele não fosse acabar nunca. Mas então, olhando em retrospecto, percebo como me identifiquei e amei. Entretanto, comprei o volume dois, li dois capítulos e lembrei de tudo porque tinha odiado (o Quentin, sendo o motivo principal). Ou seja. Menor. Ideia. Mas quero ler o livro dois ainda esse ano.
Por favor, alguém lê e vem me explicar. Obrigada.
> Estou participando do BEDA, que consiste em postar todo santo dia do mês de agosto, firme e forte com minhas amigas da Máfia. Entretanto, um dia nos propomos a responder perguntas, então, por favor, se vocês querem me perguntar qualquer coisa, vão me perguntando! Pode ser via twitter, comentário, email, insta, sinal de fumaça. Obg.

















