Sobre o Ter

Segunda-feira de manhã no trabalho, todo mundo no ritmo devagar quase parando, começando a esquentar os motores. É o tipo de dia que eu não tenho muito critério na hora de escolher uma roupa (essa calça, essa blusa, esse cinto, vai esse sapato... E que colar mesmo? Ok, esse tá bom, vamos), mas eu tenho uma amiga que sintetiza exatamente esse exemplo da Irena. A Ana Flávia, vulgo Barbie, faça chuva ou faça sol, está sempre linda. De delineador, sombra, acessórios, tudo coordenadinho. E lindo.

Então, numa segunda-feira devagar, eis que Ana Flávia surge com o seguinte sapato:


Tapa na cara da sociedade da preguiça. Todas as tendências juntas, transparência, spikes, metalizado, captoe, tudo que a gente sempre desejou na última semana, sintetizados numa sapatilha só. Que fez com que todo o setor desses suspiros de admiração, perguntasse toda a ficha técnica, quanto tinha sido, se ainda tinha. A Flávia queria uma sapatilha assim, dourada, pra vir trabalhar, que combinasse com tudo. E é claro que transparente combina com tudo, ou seja, a escolha perfeita.

O único detalhe é que, se isso tudo não tivesse na moda, seria só um sapato feio.

Uma marmota ridícula, onde já se viu, sapatilha de pvc, imagina o chulé, e esse saltinho quadrado meio idiota, e essa ponteira de plástico pintada de dourado, na primeira topada vai lascar a tinta, etc, etc. Quem usa sapato transparente é funkeira, quer coisa mais brega que salto de acrílico? Pois é, mas só que, nos últimos tempos, o mundo inteiro fez com que a gente desejasse tudo isso junto e misturado, e que acabasse achando a sapatilha da Flávia linda.

Pior que nem foi o Louboutin, que inventou que sapato de vinil transparente fosse lindo. Ele disse que era lindo sim, as celebridades também acharam lindo por algum motivo (é sexy), começaram a usar, até que alguma blogueira de moda conseguiu comprar seu primeiro par com dinheiro de jabá e pronto. Estava feita a perdição. Agora um sapato transparente meio ridículo é um item essencial, must have do verão (ou inverno?), olhe aqui onde conseguir o seu Louboutin inspired. Aliás, bom mesmo é blogueira que vem com o seguinte argumento: fim de viagem, nada melhor que um look bem básico, estou usando essa calça jeans de lavagem preta que, vocês não estão vendo a etiqueta e de forma alguma conseguiriam saber, mas SIM, é de grife, e olha só, quer coisa mais básica e confortável que um sapato transparente de salto alto e fino?

Não entendo os conceitos de básico ou de conforto, mas quando eu estou no fim da viagem, não consigo sequer imaginar usar um salto, quanto mais um de plástico transparente que vai ficar todo suado e criando lama em 3 segundos. Sim, sou puro glamour, só tem gente que finge não ser.

Mas aí que trabalhamos com moda, e acabamos acreditando nessa baboseira, e desejando tudo. Desejamos tudo ao nosso redor, tudo nos instiga, passar o dia vendo imagens bonitas ajuda esse interesse infinito em ter tudo. Porque não é exatamente o comprar, nem o usar, é o prazer de ter. Porque compramos, compramos e compramos, só para ter uma centena de maxi colares acumulados, meio sem propósito, porque no fim das contas, só temos mesmo um pescoço, e daqui que a gente consiga usar tudo que tem, lá vem os nano colares apontando como as tendências de novo. E as celebridades usando, e as blogueiras ganhando de presente, e a gente passando a acreditar que sim, precisa de um micro colar agora. Porque maxi é so yesterday (nem last season ele consegue ser).

Eu mesma sou uma que vibro quando vejo uma blogueira usando uma peça que eu já tenho, porque sei que é menos uma coisa que eu vou ter vontade de ter, porque ei, eu já tenho. Veja bem, eu não estou usando, eu nem lembro quando foi a última vez que usei, mas eu tenho. Está lá.

A gaveta entulhada de maquiagens, o armário cheio de sapatos de captoe (aliás, quem foi que inventou esse termo?), para o quê? Para o dia em que eu resolvo pisar fora de casa, ou para ficar usando no trabalho? Para que mesmo que eu preciso gastar 300 reais numa sapatilha, para usar quando for trabalhar no Montese? É, exatamente pra isso. Taí o meu sneaker (amor verdadeiro, amor eterno - até que a temporada mude) que não me deixa mentir. Só pra ter. E ter, e ter. E cada vez mais morar num lugar atulhado, reclamando de espaço, e tendo, e tendo.

Porque fazem a gente acreditar que a gente precisa, que a gente realmente não vai conseguir viver sem. Como sair de casa agora sem uma calça estampada? Como posso respirar sem minha sapatilha transparente com spikes, agora que a Flávia tem uma? 

Estou me policiando para querer menos, desejar menos, ter menos. Mas com tanto estímulo ao nosso redor, realmente fica difícil conseguir sair da avalanche de "opiniões", respirar o ar puro e gritar: ESSE SAPATO É FEIO. E eu NÃO preciso dele!

A não ser no dia que ele fique de promoção, esquema desconto progressivo de 3 sapatos com 60% de desconto, para que eu possa, enfim, ser mais uma. E também ter.

(07/30)

–…a nossa casa – ele sussurrou, num esforço tremendo, com os olhos ainda fechados.


Tive vontade de gritar, de pular, um assomo de felicidade tomando conta de mim. É engraçado como, em pouco tempo, nossa vida consegue mudar devido a presença (ou à falta) de uma pessoa. Quis beijá-lo e abraçá-lo, mas meus carinhos foram interrompidos pelo enfermeiro, que agora me empurrava para fora do quarto, sua mão fechada firme em meu braço.


– Ei! – eu gritei – Ei, me solta! Eu preciso falar com ele!
– Sinto muito, mas você não me deixou escolha – ele respondeu, azedo.

A porta atrás de mim foi fechada, mas não sem antes que eu pudesse ouvir seu timbre irritado dizer: "o Z acordou".

* * *

Naquela noite, a insônia retornou, mas dessa vez cheia de outras lembranças e alegrias, a ansiedade e o amor enchendo meu coração ao mesmo tempo, fazendo com que o sono fosse impossível. Meu quarto vazio (agora que todos sabiam que ele estava bem) me envolviam com suas histórias, sua voz sussurrando "a nossa casa"... Incrível como basta notar que vamos perder alguém para passar a apreciá-lo ainda mais. Eu já o amava, embora apenas o pensamento daquelas palavras fizesse com que meu coração pulasse algumas batidas, e agora... O amor não cabia em mim.

Cheguei ao hospital na manhã seguinte sentindo uma enorme leveza, como se eu fosse capaz de flutuar até o saguão, e depois voar ao seu lado por um caminho de tijolos amarelos.

– Vim visitar o Alexandre – anunciei para a recepcionista, um sorriso enorme transparecendo em meu rosto. Alex... Alex.
– Ele foi transferido de hospital.
– Como assim ele foi transferido?! Falei com a mãe dele ontem a noite e ele estava aqui!

Ela deu os ombros. Toda a felicidade pareceu, mais uma vez, explodir como uma bolha. Tentei manter a calma, mas minha mente agora era incapaz de se concentrar. Como assim, ele havia sido transferido? Como assim? Ontem ele havia acordado, apertado a minha mão, sussurrado... A nossa casa. Sua voz. Seu corpo estirado no chão, com fios passando por dentro dele. Quão errado aquilo podia ser? O que estava acontecendo? Não era mais hora de me pegar lembrando da luz quando refletia no seu cabelo (oh, Heath Ledger, why so soon?), nem de seu sorriso. Eu precisava agir.

– Onde é o banheiro? – perguntei, tentando soar naturalmente, embora quase conseguisse palpar o nervosismo que começava a se apoderar de mim.

A recepcionista apontou, entediada, para uma enorme placa atrás de si. Terceiro andar. Não poderia ser mais conveniente.

– E onde ficam as escadas? Tenho pânico de elevador. Você sabe, espaços apertados, chance de ficar presa, cair no poço...

Ela me encarou com olhos vítreos, e com o mesmo arroubo de alegria, apontou-me uma segunda placa que dizia "Escadas". Despedi-me com a mesma falta de simpatia, e segui pelo corredor em direção à placa, tentando não parecer suspeita. Apesar de me distrair com facilidade, sempre tive uma boa intuição, e ela me dizia para me apressar, o tempo correndo contra mim. Quando não tinha mais no alcance da vista de ninguém, corri. Subi o primeiro lance de escadas, pulando os degraus de três em três, e ninguém pareceu notar a minha presença.

Clarice, a minha amiga, e não a Lispector, um dia havia me dito: "você precisa andar determinadamente, por mais perdida que esteja. Ninguém vai duvidar de você, se você puder passar a segurança que sabe o seu destino". No caso, estávamos perdidas no centro da cidade, procurando um ônibus para voltar pra casa; me pergunto o que ela diria se so ubesse que eu estava pretendendo fazer. Provavelmente estaria do meu lado, me dando cobertura.

Cheguei ao segundo andar, a imagem de Alex com fios no peito aberto voltou a me atormentar, e eu desejei ter lembrado de tudo que ele tinha me dito sobre o experimento – mas não, só conseguia ouvir sua voz rouca, linda, chamando meu nome. Alguma coisa como uma seleção para entrar num estágio... Ou seria uma bolsa? Ou ainda um trabalho da faculdade? "A nossa casa". Encontrei o quarto onde ele estava segundos depois, encontrando-o vazio, e foi como se o mesmo vazio tomasse conta de mim.

Quando conheci Alex, tudo pareceu se encaixar: minha paixão pela faculdade, meu amor no tempo livre, a vida no campus, meus planos para o futuro. A vida seguia num fluxo natural, completamente guiada pela minha felicidade. Pela nossa felicidade. Agora... Não havia nada, só o acidente, ele acordando, e agora sua ausência. Permaneci no quarto vazio, a cama impecavelmente arrumada, a janela semi aberta. E a sensação crescente de que algo muito errado estava acontecendo ali.

Sentei-me na cama, na mesma posição onde estivera no dia anterior segurando a sua mão, e pude ver um papel amassado escondido debaixo de uma cômoda. Apressei-me para pegá-lo, meus dedos trêmulos. Era a sua caligrafia! Os S fazendo curvinhas disformes, mas inconfundíveis.

Centro de Pesquisas Humanas em Z...

Era impossível ler o final. A letra estava borrada, apenas algumas tornando-se legíveis. Z... Zu? Zum? Zubat? Não, isso era um pokémon. Zumbot? Isso era uma palavra?

– Centro de Pesquisas Humanas em Zumbot – li em voz alta, tentando assimilar aquilo – Onde já vi essa palavra antes?

E então, lembrei.



PS: Essa história continua! Sim! Você pode ver o capítulo anterior no blog da Rafinha, e o próximo vai sair daqui a um dia no blog da Nathy. O que são Zumbots? Onde eles vivem? Onde está o Alex? Esse mês, na Máfia.
PS2: Estou viva, dizem.


O início

Era o meu presente de aniversário. Papai chegou com a proposta um mês antes, dizendo que tinha visto o anúncio no jornal, e que seria ótimo. Ainda me deu poder de escolha: Dachshund ou Terrier Brasileiro (até então conhecido oficialmente como Fox Paulistinha, mas que todos chamam até hoje). Usei toda a minha sabedoria de cinco anos para dizer "salsichinha não, prefiro o outro", que eu sequer conhecia. Coisa de criança mesmo.

Minha mãe foi terminantemente contra, desde o principio. A Duna, que era uma vira-lata preta e de pelo assanhado que ela havia criado junto com o meu pai, havia morrido há algum tempo, mas o sofrimento do fim ainda permanecera. Não tiro a razão dela, mas meu pai simplesmente não se importou, e quis fazer do jeito dele. Meu pai geralmente é assim, de qualquer forma.

O dia de pegá-lo se aproximava, e lembro de ter desenhado um cartão de boas vindas. Era algo simples, desenhado de canetinha, com um enfeite de patinha que demorei pra fazer igual. E o melhor, tudo já tinha sido decidido. Não lembro exatamente de quem foi a ideia, se meu pai propôs e eu aceitei, ou se partiu de mim. Vai se chamar Tatau. Quando eu era bebê e estava aprendendo a falar, todos os meus brinquedos se chamavam Tatau, até que eu fui crescendo e escolhi apenas um para ser o portador desse nome. Tatau. O Tatau original era um tigre, e ele ainda está no alto da minha estante.

Fomos no Jeep azul do papai, com jornal forrado debaixo dos meus pés, eu carregando a coleira dele, que era apenas cordão preto com uma argola para ajustar. Não era preciso muito. Fui ansiosa, claro, mas não lembro se fui tagarelando até o local (que parecia longe, muito longe, fora da cidade, mas que poderia ter sido num bairro vizinho), ou se fiquei muda na expectativa. Não lembro do homem que criava, e as minhas lembranças desse dia acabam se confundindo. Lembro de entrar com o papai num quintal e lá ter a mãe do Tatau, com vários filhotinhos preto e branco. Lembro que meu pai me pediu pra escolher, e não sei exatamente qual foi o critério que usei para querer o filhote que se tornaria o meu melhor amigo. Provavelmente escolhi o mais quieto, o mais afastado, mas não posso dar certeza.

Ele era miudinho, a cabeçinha preta com as bochechas e sobrancelhas marrons (os guias de cachorro chamam a cor de pimenta), e uma faixa branca que ia do focinho até a testa. Era perfeito, era o Tatau. Era o meu Tatau com sua coleirinha de cordão. Colocamos o Tatau no carro, aos meus pés, e lembro do seu calor. Ele logo fez xixi. Mal sabíamos nós o quanto ele ia aborrecer todo mundo com essa história de fazer xixi, e muito menos que ele ia parar, e menos ainda que iria se tornar dependente de mim para fazê-lo. Naquela época, era o Tatauzinho, meu filhote.

Ele ficou na varanda do nosso apartamento, e chorou um pouquinho nos primeiros dias. Ficava constantemente do lado dele, super curiosa com aquela novidade, e ele super curioso comigo também. Desde o comecinho que o Tatau me marcou como igual, não como sua dona, não como sua lider, mas sua igual. Eu era sua irmã na matilha que era a minha família.

Nos primeiros dias, ele foi correr pra varanda e se bateu no vidro fechado. Eu tinha vontade de ficar com ele o tempo todo, e dar carinho até minha mão fazer uma cãibra, mas meu irmão me disse para me afastar e não deixar o cachorro "mufino". Devo ter me afastado, ou então era só conversa dele, porque ele nunca foi "mufino". Era só o cachorro mais legal do mundo e pronto. E com certeza ele não me achava a pessoa mais legal do mundo, mas eu estava ali, uma cachorra meio diferente, que ele gostava de brincar de vez em quando. Tatau era muito independente, e acabou se tornando absolutamente dependente nos últimos meses. Ele não gostava de muito carinho, cinco minutinhos estava bom, me solta, que saco, deixa eu ir passear. Era muito esperto. Passava o dia dentro de casa fazendo as coisas dele - o quê exatamente não posso nem imaginar -, e quando eu chegava no colégio vinha correndo me receber, e nós brincávamos. Lembro que no período de férias a gente brincava todo dia, eu conversava horrores com ele. Mas aí chegava um dia em que eu aparecia de tênis e farda, pronta para ir pra aula, e ele olhava para aquilo e entendia tudo. E se afastava, meio chateado, tentando entender o que era que a irmã dele fazia o dia inteiro longe. Até os últimos momentos em que eu estive de férias, e depois tive que retornar (ao colégio, à faculdade, às viagens que acabei fazendo, e depois ao trabalho), ele ficava triste. Se estava em casa, passava o dia ao lado dele, fosse eu sentada no chão com ele próximo, fazendo carinho em seu pêlo curto e macio e lendo um livro ou vendo tv, ou ele deitadinho aos meus pés enquanto estava no computador.

A notícia que recebi ontem ainda me parece irreal. Não consigo acreditar que você, que já passou por tanta coisa, possa não estar mais do meu lado. Fui dormir ontem tranquila em saber que você estava bem, mas esperando ouvir o "tic tic tic tic tic" das suas patinhas andando pela sala. No inicio, andando rápido e energético, cheio de curiosidade com algum objeto novo ou algum cheiro. E no fim, bem devagarzinho, mancando, feliz por ainda estar em pé. Boa noite, Tatau.

Seis coisas que eu gostaria de fazer e ainda não fiz

1. Ir para algum lugar que tenha o céu estrelado perfeito
Nesses últimos meses viajando como uma louca, notei o quanto eu gosto de ficar em lugares amplos, silenciosos e na natureza. É meio estranho e eu nunca pensei que fosse ser esse tipo de gente, mas simplesmente, nada melhor do que uma paisagem linda e muda, o vento e eu. Sempre achei lindo o céu, mas nunca consigo ver as estrelas direito... Quando tinha uns 11 anos, eu estava na minha casa de praia com minha melhor-amiga-pra-sempre (no ano que ela morou aqui) e nós colocamos colchões em cima do carro do meu pai, apagamos todas as luzes e ficamos vendo. Tinha estrelas e foi mágico, mas não tinha todas as estrelas. Então... quero um dia estar num lugar (montanha? deserto?) e ver todas as estrelas me abraçando.

Ocean Sky from Alex Cherney on Vimeo.


É tão... lindo que é irreal! Isso não é photoshop? Is this real life?

2. Acampar perto de algum lago (num país de primeiro mundo)
Talvez tudo tenha começado com o Pateta - O Filme (meu filme favorito enquanto criança junto com Sonho de Verão e Anastácia). Talvez seja culpa só da minha viagem, ainda voltando à minha recém-descoberta paixão pela natureza, descobri que amaria acampar. Perto de um lago. Porque aqui tem muitos acampamentos festas em encontros, acampamento durante o carnaval com a galera, etc. Eu quero um acampamento sem gente barulhenta e jeito de encontro universitário, quero um acampamento numa paisagem linda, em que eu possa fazer uma fogueira, possa ficar observando, possa dormir vendo as estrelas e acordar vendo o orvalho. E sem o medo de ser sequestrada/assassinada a qualquer instante. Ok, vi muitos filmes e li muitos livros, mas viajando pelos Grandes Lagos do Reino Unido, vi várias famílias fazendo isso... Ou seja: é real. É possível. E vai acontecer.

Improvável, mas não totalmente impossível


3. Morar fora durante alguns anos
Penso na Austrália ou no Canadá, que são países bons, organizados e receptivos, que a moeda local não é absurdamente mais cara que o real e também não vão te julgar por estarem roubando os empregos (na minha cabeça, pelo menos). Mas só se for com meu sol-e-estrelas, porque né. Sem ele não tem nem sentido. Fora a liberdade de sair de casa, vivenciar outra cultura, sair um pouco do Brasil... Vamos lá, ainda vai acontecer.

4. Aprender a fazer coisas de mulherzinha: me pentear direito e fazer as unhas

Esse ano investi em produtos capilares e em acessórios, perdi horas da minha vida vendo vídeos de tutoriais no youtube para aprender a ajeitar o meu cabelo. Meu cabelo é uma coisa assim, abusada, que tem dia que está cacheado, outro está inflado e sem forma, no outro está liso-lindo-com-as-pontas-onduladas, outro dia está um rato morto. E, venhamos e convenhamos, eu aprendi a fazer tranças, mas tirando o dia da semana que ele resolve estar lindo, só saio de casa com o cabelo preso. No que alguns chamam de coque prodrinho, mas eu chamo de cocó, ou então de rabo de cavalo (e o rabo as vezes está lindo, as vezes cacheado, as vezes um balão). Preciso aprender a usar uma chapinha, uma escova, um baby liss, e ser diva sempre.

E simplesmente, não consigo pintar as unhas da mão direita. Mas pelo menos aprendi a me maquiar, graças a Dia de Beauté, a Marina Smith e a Julia Petit.

5. Fazer uma roadtrip

Com direito a muitas músicas lindas, fotos magníficas, o sol nascendo na estrada, diversão do começo ao fim e histórias para eu me lembrar pra sempre. E aí nem precisa ser fora não, pode ser pelas praias do Nordeste, pode ser pra onde for... Desde que seja mágico. Mas, para isso, eu preciso perder o medo de dirigir (tirei a carteira, passei três meses viajando e simplesmente voltei a estaca zero... ainda dirijo mal pra c###lho), afinal, regra básica da roadtrip é a alternação da direção.

6. Publicar meu livro
Porque ele já está escrito há anos, e eu sou perdidamente apaixonada por ele. E felizmente não estou sozinha, porque escrevi inteiro com a Monique (melhor-amiga-para-sempre - e, incrivelmente, nós escrevemos igual), então compartilhar um sonho como esses é um bom começo. Esse ano fizemos alguns progressos quanto à publicação, então, quem sabe no ano que vem isso não se realize?

----

Mas ainda tem tanta coisa! Ver show da minha banda favorita (Foo Fighters), passear em Londres com meu namorado, me casar, ter vários puppehs, ter uma casa... Enfim. A gente sempre quer fazer alguma coisa. Esse é praticamente o sentido de viver.

Pottermore! Potter! More! Ahh! Brains!



No meio desse ano, próximo ao fim das manifestações da série fatídica que marcou a nossa vida (Harry Potter e as Relíquias da Morte parte II já estreou tem mais de dois meses... quem diria), todos os fãs de Harry Potter se reuniram com um único propósito: roer as unhas em frente ao canal do youtube da J. K. Rowling, onde várias corujas se acumulavam. Pistas foram escondidas pela web e os fãs, unidos numa tarde linda de frenesi que há anos não acontecia, se uniram para desvendar as dicas - letras escondidas numa espécie de google maps de bruxos.

Potter more. Pottermore! More POTTER!

Fiquei com o youtube como página inicial, vendo todas aquelas corujas se amontoarem, contando os dias para ouvir o pronunciamento oficial. Tá, era Pottermore e todos os fãs sabiam disso há praticamente anos, mas o que exatamente significava o Pottermore?


Sabe quando você está olhando os livros das seção infantil da livraria, e se depara com aqueles livros enormes de pop-ups? Onde você pode abrir janelinhas, gigar maçanetas e olhar dentro de armários, e ter uma interação maior com o livro. É isso, resumidamente, que é o Pottermore.

Consegui minha conta com uma amiga LINDA, e fui cheia de expectativa, meio sem saber o que esperar, mas sabendo que ia ficar satisfeita não importava o que fosse (por que eu sou fã e praticamente não sou xiita, então difícil não me agradar). Eu esperava mais um jogo, ou talvez mais uma rede bruxa social, mas o Pottermore é como um artifício a mais na leitura... É o livro do Harry Potter lindamente ilustrado, com coisinhas que você pode explorar, mas sem exatamente muita interação. Você não pode falar com os seus amigos, por exemplo. E é porque você tem uma coruja.


Agora, as partes que tem interação... Fizeram com que eu chorasse de emoção, de tão lindo. Primeiro, a escolha da varinha. O Sr. Garrick Olivander faz várias perguntas para você, nada óbvias, e no fim das contas você recebe a sua varinha, e descobre tudo sobre ela. Sycamore, pena de fênix, ligeiramente elástica, 37cm (minha varinha é um monstro de grande, vai saber). E, além disso, que ela é uma varinha questionadora, louca por experiências novas, perfeitas para donos curiosos e aventureiros.

Na parte do chapéu seletor, de longe a mais sensacional de toda a coisa, o teste é longo e tem que ser respondido com o coração. Eu nunca soube a qual casa pertenceria, e já fiz milhares de testes pela internet, todos dando resultados variados. Grifinória, claro, por ser do Harry, embora nunca tenha me identificado 100%. Não sou exatamente corajosa ou bravia.. Nem exatamente astuciosa, nem exatamente brilhante. Quando vi que a sala comunal da Corvinal tinha que responder uma charada para entrar toda vida, vi logo que ia passar 100% do meu tempo do lado de fora. Sou péssima em charadas. E ninguém quer ser da Lufa-lufa, coitada. Sou criativa, e aí? Para onde os criativos vão?

Vivi com esse questionamento durante todos os anos que estive com o Harry (drama), e vi todas as minhas questões se aproximarem de um fim com a chegada do Pottermore. Era resposta definitiva.


Quando fui selecionada pra Corvinal, fiquei supresa, feliz, tudo ao mesmo tempo (sou fã mesmo, não me julguem), e conforme fui lendo a minha carta de boas vindas as lágrimas começaram a escorrer.
Algumas pessoas podem nos chamar de excêntricos. Mas gênios sempre estão à frente das pessoas comuns, e ao contrário de algumas outras casas que podemos mencionar, nós achamos que você tem o direito de vestir o que quer, acreditar no que quer e dizer o que sente. Nós não somos intimidados por pessoas que marcham num ritmo diferente, nós as valorizamos!

Nunca tinha me pensado como uma Corvinal, mas agora tenho orgulho da minha casa. Tô afim até de comprar uma gravata com as cores e pendurar umas flâmulas no meu quarto.

Esses dois momentos de interação profunda valeram a experiência do Pottermore. Também é possível fazer poções (não muito bem; os gráficos não são perfeitos, vivem travando e o tempo de cura da poção é longo demais - de 85 a 100 minutos - pra nossa vida rápida), duelar (mas o serviço está fora do ar desde que entrei). E a melhor parte: o conteúdo extra! Sim! Disso que é feita a essência do Pottermore, encaixar todo o material que a Jo juntou todos esses anos, enquanto escrevia. No primeiro livro poucas informações extras foram dadas, e eu não vou dar spoiler, mas conhecemos tudo sobre a vida da prof. McGonagall!

Em resumo, o Pottermore é uma experiência tanto para os fãs xiitas loucos por mais, quanto para os que nunca tiveram contato com Harry Potter (oi?) e irão ter uma experiência de leitura mais completa. Eu nunca tinha visto isso antes, e com certeza essa iniciativa deve ser copiada por outros autores... Quem duvida?

Essa mulher é um gênio.
E, poxa, vamos Corvinal! Cadê vocês fazendo poções pra colocar a gente na frente da Sonserina?

Ahh, meu user é PotionSnidget196... Quem também já está cadastrado, me adiciona!

E quem não conseguiu se cadastrar através da Pena para ser um beta tester, as inscrições para o Pottermore estão previstas para abrir no final de outubro, já já (quem sabe no Halloween?). Vai demorar um pouco para todos terem acesso à experiência, mas com certeza está mais perto do que longe! É só cadastrar o email e esperar :)

Carnet de Voyage

Às vezes eu me assusto com a quantidade de coisas que eu escrevo por post. (Daqui a pouco os meus posts terão três páginas) E também me assusto com a quantidade de gente que consegue ler até o final o volume de baboseiras que geralmente vem recheado nesses mil parágrafos que eu tô escrevendo hoje em dia. Enfim.

Pensando nisso, vou fazer um post bem cheio de imagens e sem muita lenga-lenga (dizem).

Antes de viajar, eu passei horas selecionando os cadernos que eu ia levar (alguém mais coleciona cadernos?), pensando nas possibilidades que eu ia comprar lá, e desejando fazer um diário ilustrado. Queria registrar tudo que acontecesse em forma de desenho... Mas cheguei lá e era uma rotina tão rápida que o máximo que eu conseguia anotar eram os meus gastos diários, e deixei a ideia de ilustrar pra lá.

Aí que eu fui com a meta de comprar os outros dois quadrinhos do Craig Thompson (meu ÍDOLO CRAIG TE AMO), e realmente fiz uma peregrinação em busca dos dois, que estavam quase sempre esgotados. Achei Chunky Rice tipo no segundo dia, mas penei pra encontrar Carnet de Voyage. Até que eu consegui!


Os quadrinhos do Craig MEGA me inspiraram, como sempre, e eu decidi perder a preguiça e desenhar.

Depois da aula, num dia, fui até Covent Garden e me sentei do lado de fora de uma feira. Estava de bobeira olhando as pessoas havia vários minutos, ouvindo a música dos músicos incríveis que tocam nas ruas de lá (vai saber, né)... Quando criei a coragem de começar a desenhar.



Nada de ilustrações bonitinhas e bem elaboradas: só um retrato meio tosco, meio torto e tentando ser fiel ao que me rodeava. Aí que foi super divertido e eu passei a tentar fazer um desenho todo dia (levando em conta que faltava uns 3, 4 dias pra eu ir embora).



No dia seguinte fui na British Library, ver as exposições e me proteger da chuva gelada. Impossível conseguir fazer com precisão a arquitetura meio moderna (não gosto de arquitetura meio moderna)... E também morro de preguiça de desenhar muitas pessoas num mesmo desenho.


Não parou de chover, e no dia seguinte fui andando sem rumo e me abriguei num café para tomar um chá inglês (que não tinha tomado ainda). Depois de passar um tempão lá, desenhando, notei que estava do lado da Trafalgar Square. Por causa da chuva, a praça estava deserta... E linda.

Me encostei numa parede, e mesmo numa posição mega desconfortável, comecei a desenhar. Rolou aquela preguiça de fazer o desenho todo, mas de pouquinho em pouquinho fui preenchendo o fundo (coisa que eu MAIS tenho dificuldade de desenhar), e colocando mais e mais detalhes... Desenhei até anoitecer.




E por fim, fui a Kew Gardens (em breve post sobre a minha relação de amor com parques e jardins). Escolhi um banco lindo perto de uma das enormes estufas, sentei e comecei a desenhar. Do nada, a chuva - eu parava - abria o sol - continuava a fazer as folhinhas - chuva de novo... Fiquei nessa até desistir e só ficar olhando mesmo.









Desenhar ao ar livre uma cena da vida real é incrível. Especialmente quando estamos acostumados a desenhar sentados corcundas dentro do quarto, e editar as imagens demoradamente (ou fazer o desenho inteiro) no computador. Sentar e desenhar, sem se preocupar com o tempo ou com nada, é lindo... Estando rodeado de pessoas ou só de plantas (péssimo dia que eu escolhi pra ir ao Kew Gardens, por sinal), é lindo.

Como um dos artistas que tocava na Trafalgar Square disse, no meio da música: Life is beautiful. Mas às vezes a gente só nota isso quando para um pouco.

(Ah, como eu queria ter desenhado desde o começo da viagem)
(E, ai, como eu falo muito)

Sobre a Central Saint Martins e os Cursos de Férias

Foto mais batida de toda a Central Saint Martins

Vou começar a série de posts sobre Londres com a pergunta que não quer calar: se vale a pena fazer os cursos rápidos na Central Saint Martins, como é lá, etc.

Resposta curta: É claro que vale.
Respost longa:
Vale, e vale muito. Depois que eu me formei eu fiquei pensando no que ia fazer, e enquanto não decidia por uma pós-graduação (encontrei algumas, só que eram fora da minha realidade financeira. Quando eu digo minha, sempre quero dizer da minha família, pois como recém-formada e desempregada, eu não tenho dinheiro próprio ainda), comecei a ver esses cursos de verão na Central Saint Martins e me interessar. O preço não era muito caro, tendo em vista o renome da universidade, que em Londres tudo é caro, etc, etc. Os cursos eram de 300 a 500 libras cada um, com duração de cinco dias e com mais ou menos cinco horas diárias e intensivas. Você pode ver a lista completa de cursos de férias de verão da CSM aqui. (também tem de páscoa, e outros... é só dar uma olhada)

Depois de muito pensar e repensar sobre o assunto, decidi fazer três: Digital Print on Textiles, Digital Fashion Illustration and Communication e Children's Book Illustration. Escolhi por afinidade e por questão de bater o cronograma, pois tinha vários cursos que eu tinha vontade de fazer, mas eram muito distantes uns dos outros, etc. Acabou que vários fatores pesaram na escolha, e não somente o fato de eu ter me interessado mais por esses três. Continuando.

O pagamento foi feito e eu recebi umas cartas confirmando cada curso, tudo muito bem explicado, com lista de materiais, mapinha do bloco onde eu ia ter aula, onde eu deveria levar o meu passaporte para eles verificarem que eu era uma estudante regularizada etc. Aí pronto, foi só me preparar para a viagem propriamente dita, e vamos nós a Londres! Na Imigração foi super certo, falei que estava indo estudar, mostrei as cartas que a CSM tinha mandado pra minha casa, e tudo jóia.

No primeiro dia de aula do primeiro curso (Digital Print on Textiles) eu já sabia onde ir, e embora o prédio fosse giga, tudo era muito bem organizado. A gente sentava numa sala enorme com todas as pessoas que iam começar cursos nesse dia, e os instrutores vinham um por vez chamar os alunos de determinados cursos. Tinha que ser assim, porque a universidade é velha e parece um labirinto.

Dos três cursos que eu fiz, dois foram magníficos. O de estamparia (o 1º) era espetacular em termos de infra estrutura. Todos os alunos tinham computadores ótimos, com tablets da wacom para desenhar à sua disposição, e maquinário especializado LIVRE para os alunos usarem. Eu me sentia como se tivesse numa fábrica, porque tinha simplesmente todas as máquinas que eu já tinha visto, todas com instruções de segurança e a possibilidade de você usar. Como era um curso de estamparia, estampamos um monte de tecidos, e não tinha nada de cota, ou quantidade máxima... Era quantos você quisesse fazer. É claro que muita gente aproveitou para imprimir trabalhos antigos e aproveitar para montar portfolio, mas eu não posso tirar a razão deles. Com uma oportunidade dessas, realmente. Além disso, a tutora era designer de estampas, e vendia para a Liberty e a Anthropologie, sabia como funcionava o mercado, e dava muitas dicas. Além do fato de Londres ser uma cidade central (por falta de termo), os ex-alunos da CSM são designers famosos que continuam tendo vínculos com a universidade, então se você está no seu primeiro ano de faculdade, tem a chance de trabalhar com grandes nomes da moda, etc. Isso definitivamente é um GRANDE ponto forte de estar estudando nessa universidade.

O de Ilustração de livros infantis também foi fantástico. A tutora era uma ilustradora MUITO talentosa, e tinha alguns livros publicados, então além de técnicas incriveis ela ainda passou muitas muitas muuuitas dicas sobre o mercado editorial. Me sentia inspirada por estar ali, aprendendo tudo aquilo. Cada turno (manhã/tarde) era com um tema diferente, uma nova técnica, e é claro que com o tempo corrido você pode não aproveitar tanto quanto deveria. Eu não fiz um desenho decente numa semana inteira. Mas o curso dá as ferramentas para que você possa construir depois, no aconchego da sua casa, e fazer um trabalho muito melhor agora que você já tem tudo aquilo de informação.

E por fim, o segundo curso que foi... Diferente. O tutor, dessa vez, não sabia o que estava fazendo. Ele trabalhava com outras coisas e não especificamente com ilustração, o nível das pessoas era MUITO diferente e acho que ele simplesmente não sabia como proceder. Acabou que também ficamos conhecendo sobre o mercado da moda, e também aprendi dicas valiosas sobre montar portfolio, apresentação de um trabalho, além de algumas técnicas novas no photoshop e básicas no illustrator (que eu não sei usar direito). Foi ruim? De forma alguma. Mas definitivamente não foi o que eu esperava, e com o dinheiro que eu gastei pagando esse curso, poderia muito bem ter feito outro que poderia ter tido mais proveito.





Ou seja: de qualquer forma, é uma experiência incrível. A dica que eu dou para quem pretende ir é escolher com muito mais critérios o seu curso, procurar alguém que já fez, e sobretudo googlar tudo sobre o seu tutor. Descobrir se ele está dando o curso certo, o que ele já fez, se ele é bom mesmo naquilo que o curso está propondo, e ir atrás. É claro que vale a pena. Só de você estar vivendo uma cultura OPOSTA à nossa (sobretudo se você vive em Fortaleza *rancor*), numa cidade gigante, com pessoas do mundo inteiro... É incrível. E eu faria de novo. Mil vezes. Amanhã. Hoje a noite, pode ser?

Obs: Devo dizer também que, como diriam meus amigos de curso, a moda não te quer. Dos cursos que eu fiz, as pessoas mais legais, o aprendizado mais intenso, tudo... não tinha a ver com a moda. As meninas que fazem curso de modas são magérrimas, antipáticas e vão montadérrimas (afinal, estão em Londres) pra aula. Ninguém quer falar com você porque você se veste normal e não fez aquele penteado desarrumado que em quem é anoréxico fica lindo... E sobretudo porque não está fumando seus cigarros finos (ou ainda enrolando os seus cigarros artesanalmente, vai saber porque) na porta da faculdade. Agora, as pessoas do design, ou que fazem qualquer outra coisa, geralmente são fofas, lindas e simpáticas, prontas para fazer amizade com quem DGAF sobre ser it. Com quem come no almoço ao invés de tomar só missoshiro. Com quem não tem frescura de passar uma horinha sentada no parque, sujando a roupa na grama e sendo feliz.

Obs 2: Mais posts de Londres com certeza virão.




25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

Autora


Welcome

Tecnologia do Blogger.


Procura algo?




















Esse blog está vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque ninguém há de copiar esses textos e ilustrações sem dar o devido crédito.