Sobre Consumo, Fast Fashion & Armário Cápsula

Ou: Senta que lá vem o Textão
Ou ainda: Não sei muito bem o foco desse texto, mas estou com vontade de falar sobre isso

Eu não sei se posso ser classificada como uma pessoa consumista. Talvez eu seja. O fato é que sim, tenho muita roupa, sim, já tive muitos sapatos, sim, já tive uma boa quantidade de acessórios. Antes de me mudar para o Rio, há praticamente um ano (!!!), eu precisei rever tudo que eu tinha no meu armário. Não ia dar para levar tudo, eu sempre tive muito apego à algumas peças que já não serviam há anos, e foi a hora de ser dura comigo mesma e deixar metade daquilo para trás.

Eu não sei se sou consumista, mas eu gosto muito de comprar. Eu sinto um frisson quando vejo uma peça que eu ame, uma palpitação quando ela serve, e se o preço for bom, eu dou um pequeno desmaio de felicidade. Se ela for meio cara, sempre tive a consciência de pensar: vai combinar com as coisas que já tenho? Se eu parcelar, ainda vou amar até ela estar terminando de vir as prestações? Ela é boa mesmo? Eu realmente preciso desse vestido? Se tudo for sim, levava com um sorriso no rosto, acreditando estar fazendo, geralmente, o melhor negócio do mundo. Agora, se a peça fosse baratinha, ou melhor ainda, fosse super cara e estivesse baratinha, eu não pensava duas vezes. Foi assim que comprei uma coleção de casacos da Farm, no auge do verão cearense, sem questionar se eu ia usar ou não no futuro: o negócio era bom demais para eu não levar. Não importa se nunca vou usar esse casaco maravilhoso de tapete, ele era 600 reais e está por 70: não importa nada, já é meu. Acabou sendo o melhor negócio do mundo, afinal, uso esse casaco sempre, e os outros também.

Quando abriu a Forever 21 no Brasil, eu estava em São Paulo com uma amiga logo depois, e encaramos a fila para comprar. A fila era enorme, a loja estava entulhada de gente, tudo bem desorganizado, tocava uma música super alta, estava todo mundo maluco, a fila do provador era maior que a fila para entrar, enquanto a fila dos caixas era inexistente, achei tudo feio e mal-feito, mas não sei como: uma hora depois estava do lado de fora da loja, com três sacolas. Não provei nada porque estava barato demais e nós tínhamos pressa, então fui no olhômetro, e depois direto para o caixa pagar (já que não tinha fila nenhuma). No fim das contas, nem lembro o que comprei esse dia, além de um casaco faltando uns três botões (ainda uso ele por aí) (sempre compro casaco, não sei qual o meu problema).

Fiz esse esqueminha em 2012 e continuo usando 95% dessas roupas
(mas os sapatos todos eu usei até eles se acabarem)

Como eu era estilista, estava sempre ligada nas ~ tendências ~, fazíamos muitas viagens de pesquisa, víamos moda o dia inteiro. Nessas viagens de pesquisa, andávamos em todos os shoppings da cidade, entrávamos em todas as lojas olhando tudo, provando tudo, para depois levar as novidades de volta para Fortaleza. E, nessa de olhar tudo e provar tudo, acabávamos comprando também um bocado. Mas nunca me endividei, nunca gastei mais do que ganhava, e nunca comprei coisas que já tinha. Não estou me defendendo, mas já vi muita gente fazer isso, então.

Mas aí tudo mudou porque não sou mais estilista (por enquanto, pelo menos) tem mais de um ano, e decidi me mudar. E as sacolas da Forever 21 cheias de roupas estranhas não podiam ir comigo, que não ia ter espaço físico para guardar 1/5 daquilo. Organizei um bazar, vendi felizmente muita coisa, doei um bocado, e desde então estou sem comprar.

Vou fazer um atualizado desse ano e mostro para vocês
(por onde anda essa blusa de bolonas?)

Passar um ano sem comprar por necessidade coloca tudo numa perspectiva muito doida. Parei de acompanhar os blogs de looks do dia (aliás, todos paramos?), meu Pinterest entrou no vórtice do casamento e da decoração, e eu simplesmente não tenho mais grana para comprar roupas. Pura e simplesmente, acabou chorare. Mesmo as pechinchas. Por isso nem olho mais, porque dava um desespero profundo estar diante do melhor negócio da história, não ter dinheiro para comprar, se agachar e chorar em posição fetal dentro do provador, sair com a cara blasé dizendo "gostei não querida" para a vendedora.

Mas por que estou contando essa história gigantesca, quando o título do post pode ter guiado alguns leitores desavisados que não sabem que não consigo ir direto ao ponto, tipo, nunca? Calma, que eu chego lá.

Eu nunca gostei de comprar em lojas de departamento pelo simples motivo de saber comprar melhor desde sempre. Parece esnobe, mas eu simplesmente não me sinto intimidada para entrar numa loja chique que está de promoção, de catar as peças mais baratas, provar e levar, por um valor ínfimo uma peça de qualidade e, bom, única. Eu nunca gostei de comprar em lojas de departamento porque eu sabia que isso implicava que teria uma dezena de gente andando por aí igual a mim, enquanto se eu comprasse em boutiques a chance disso acontecer era muito, muito menor, e eu sempre consegui encontrar valores similares em promoções, como o caso do casaco da Farm.

Por exemplo, encontrei o vestido da minha dama maravilhosa Pássara numa loja de grife. Era uns 5 tamanhos maior do que ela, mas a loja tinha serviço de ajustes, e foi super, ultra, barato. Enquanto, em outro momento, fui com uma amiga na Renner comprar um vestido para ela sair, encontramos um por pouco mais de 100 reais, só que chegando na festa tinha outra menina igual. Estão acompanhando meu raciocínio?

Eu ainda comprava um bocado na Zara pelo preço, e pelo fato de Fortaleza ser atrasado e não ter por lá. Mas desde então, de forma involuntária (pobre), parei. Só que desde então já vi meia centena de pessoas diferentes com a mesma t-shirt de cactus / corações que lançou um tempo atrás.

Aí eu assisti o documentário "The True Cost" no netflix, tive uma crise existencial, me enrolei num casulo, e quis chorar. Porque a situação desenfreada do consumo hoje em dia é surreal. Fiz um trabalho sobre isso para a pós, e em uma das minhas leituras veio toda a conclusão necessária nessa nossa postura pós-moderna do consumo: consumir deixou de ser um meio para se tornar um fim. O propósito dessa coisa toda é gastar dinheiro comprando.

Percebi então a mudança das pessoas para outro tipo de tendência, que é a de se questionar todos os valores. Não estou reclamando, muito pelo contrário, mas já que estou aqui pobre assistindo de camarote, acho que consigo perceber movimentos que quem está inserido não consegue. As pessoas não querem consumir mais tanto desenfreadamente, elas querem construir um armário cápsula que dure uma estação, com peças mais duradouras, neutras e que combinem entre si.

E então elas estão todas, de forma desavisada, procurando tendências em lojas melhores (tudo bem) que vendam os mesmos produtos (tudo mal). Queridos que estão procurando um armário cápsula e subitamente sentiram um impulso de usar cinza mescla e preto: esse súbito impulso se chama tendência. Isso também é moda. Esse negócio de usar um armário cápsula é moda. É uma moda melhorzinha? Sim, mas também é moda.

Minha musa de street style

A grande maioria das minhas roupas sempre combinou entre si, mesmo sendo estampadas e/ou coloridas. A calça verde que comprei três anos atrás ainda é a calça verde que uso, não importa se não tá mais na moda, ou se a moda agora é calça militar (acredito que seja). Só que então eu vejo as pessoas entrando em grupos e dizendo tipo: onde encontro tal peça? Faltam tantos meses para a estação acabar, então essas tais peças aqui poderão ser substituídas? (?)

Estar desempregada me forçou a consumir menos, a usar mais as roupas que tinha, e a estragar 80% dos meus sapatos (eu tinha muitos, então podia fazer uma rotatividade maior). Me forçou a pensar no meu armário com o um todo, perceber que algumas roupas são incompatíveis com o Rio de Janeiro (a gente é muito mais chique em Fortaleza), e desejar algumas várias coisas que também só consigo usar aqui (o meu colete de crochê com franjas sempre vai passear em Fortaleza dentro da mala e volta sem ver a luz do dia). Esse tempo enorme sem consumir me fez perceber as tendências de fora, o que funciona ou não com o meu corpo, que roupas que comprei que realmente uso, quais combinações que já estão ficando cansadas (eu era a rainha do mix de estampas).

Acho engraçado as pessoas se proporem a construir um armário cápsula todo em tons de preto branco e cinza mescla e ignorarem as peças que levaram uma vida inteira para comprar (eu, pelo menos, tenho roupas de 10 anos no meu armário que continuo usando, beijos). Acho engraçado achar isso revolucionário, quando está sendo ditado para você como moda, disfarçado de consumo inteligente. É inteligente por motivos óbvios - comprar peças neutras obviamente vai fazer com que elas combinem mais entre si -, mas não é inteligente comprá-las para alcançar o armário cápsula dos sonhos. Isso fez algum sentido?

Aquela melissa de plataforma preta e branca não é, absolutamente, um básico neutro que você precise, mas no entanto, estamos todos aqui a desejando em uníssono. Isso não parece estranho para você?

Vamos pensar no tal armário cápsula como uma forma de você repensar o seu armário, você tentar não ceder ao impulso de comprar todas as modinhas que aparecem, você consumir em marcas cujas roupas não sejam feitas de forma ilegal e massificadas. Se uma tendência da Forever 21 (olha lá a quantidade de roupa cinza mescla que tem) está sendo ofertada por 20 reais, é em cima do sangue de várias pessoas de outras partes do mundo. Assistam "The True Cost" antes de entrar nessas lojas de novo. E o mais importante, antes de consumir em lojas que aparentemente são locais, olha a etiqueta de informações técnicas que tem dentro das peças (onde tem as especificações de lavagem que todo mundo ignora): é bom constar Indústria Brasileira, mesmo sabendo que também tem um pólo de mão de obra barata e ilegal vinda de imigrantes.

E ter um armário funcional, para mim, é se dar ao luxo de comprar casacos em pleno verão porque, sim, eles estão muito baratos, e sim, eles vão ser úteis eventualmente, e eles combinam com você. Sem importar se é tendência ou não.


Para ler, ver e pensar sobre:

Sobre escrever todo dia por um mês (31/31!)

Então é isso! É tetra!!! Não existem palavras para descrever a sensação de finalmente ter terminado um projeto como esse. Foi intenso foi, foi bonito foi (corta a música cafona), mas também foi terrível. Na primeira semana eu escrevia todos os posts todos os dias, me forçando a pensar em alguns assuntos, e tentando e falhando sempre os comentários nos posts das amigas. Na segunda semana, o pânico: era uma obrigação terrível, não sabia mais o que fazer, odiava tudo que eu escrevia, acordava no meio da noite preocupada sem saber se tinha postado ou não.

Pensei em desistir na segunda semana, mas minhas amigas me deram força e ideias, e assim, de repente não mais que de repente, depois de duas semanas escrevendo e postando todos os dias (não consegui planejar um mísero post no começo), num sábado de madrugada consegui adiantar 7 posts. Sim, de uma só vez, faltando apenas algumas imagens aqui e ali para preencher.

A rotina é uma faca de dois legumes, pois se ao mesmo tempo traz a estabilidade, às vezes enche o saco da gente. E ter os posts programados me deram uma alegria e uma motivação para continuar; faltando tão pouco, não tinha como desistir, certo? Errado. Já pelos vinte dias, cada uma teve o seu momento de fraquejar, de odiar tudo, de querer morrer, etc. Mas sobrevivemos. Com muitos memes, listas, posts intermináveis de série, posts mais intermináveis ainda sobre livros.

A sensação é boa: consegui concluir alguma coisa nessa vida. Me propus a escrever um post por dia e foi o que fiz em 70% do tempo desse BEDA, e, como um passe de mágica, voltei também a desenhar, e voltei na mesma medida a ter ideias. Já falei aqui sobre a minha paixão de escrever ficção, e depois de tantos anos apenas vivendo de saudade, comecei a colocar alguns projetos para frente, voltar a me ligar nas ideias que tinha proposto, e deixar a mente divagar. Foi o BEDA que proporcionou isso? Ou foram as aulas que me obrigaram a desenhar? Ou foi o fato de eu sempre ter as minhas melhores ideias andando de ônibus? Não sei, quem sabe.

Eu lembro de ler, há muito tempo, o Philip Pullman falando sobre escrita, e isso me marcou desde aquela época. 
I was sure that I was going to write stories myself when I grew up. It’s important to put it like that: not “I am a writer,” but rather “I write stories.” If you put the emphasis on yourself rather than your work, you’re in danger of thinking that you’re the most important thing. But you’re not. The story is what matters, and you’re only the servant, and your job is to get it out on time and in good order. 
The most valuable thing I’ve learned about writing is to keep going, even when it’s not coming easily. You sometimes hear people talk about something called “writer’s block.” Did you ever hear a plumber talk about plumber’s block? Do doctors get doctor’s block? Of course they don’t. They work even when they don’t want to. There are times when writing is very hard, too, when you can’t think what to put next, and when staring at the empty page is miserable toil. Tough. Your job is to sit there and make things up, so do it."
Eu tinha na minha consciência a leveza de ter, sim, finalizado um projeto (quer dizer, a parte um de um projeto, mas enfim), mas ao mesmo tempo, o enorme peso de ter outras ideias e não conseguir colocar nenhuma para frente. O BEDA, de uma forma muito louca, me mostrou que sim, que dá, que é possível, e que vai ter gente que vai ler mesmo você odiando. Mesmo sendo as suas amigas, mesmo sendo pessoas desconhecidas: o importante é fazer. O resto é o resto.

Também posso falar de Neil Gaiman?
"Write the ideas down. If they are going to be stories, try and tell the stories you would like to read. Finish the things you start to write. Do it a lot and you will be a writer. The only way to do it is to do it. "
E não é que nós fizemos mesmo?

BEDA - Melhores posts aqui no Pudding (na minha opinião):



Meus favoritos das minhas amigas:


Sabe aqueles momentos em filmes e séries, em que sempre fazem discurso de formatura? É assim que estou me sentindo hoje, concluindo essa missão ao lado das minhas amigas, e aquele friozinho na barriga que sempre precede um encerramento. Consegui escrever por 31 dias. Vamos ver o que vou escrever a partir de agora!

De vez em quando eu surpreendo as pessoas
E saio por aí de cabelo solto (igual ao da Hermione)
De vez em quando, também, eu consigo completar algo que começo
Também surpreendendo as pessoas
(e a mim mesma)
(o que é muito mais importante)


Playlist: músicas que embalaram o BEDA (30/31)

Eu já falei aqui, em textos aleatórios, a minha relação meio complicada com músicas. Eu posso amar uma banda, mas dificilmente irei baixar todos os cds dela, e se baixar, dificilmente conseguirei ouvir. Se eu conseguir ouvir, ouvirei o cd sem parar durante mais ou menos uns três anos, e daí largo mão e só consigo ouvir de novo depois de uns cinco anos. Entretanto, gosto de playlists que fazem, gosto de ouvi-las, e gosto de descobrir músicas novas.

É uma coisa meio sem sentido, eu sei. E, vejam só, sempre adorei gravar cds para amigos, e por motivos óbvios, MB tem uma coleção de mixtapes que gravei para ele. Morro de ciúmes dessas mixtapes, e me deixa louca quando ele compartilha hahahah Mas enfim, é a primeira vez que faço uma playlist para esse blog!

A proposta inicial era anotarmos as músicas que marcaram cada dia desses dias de BEDA, mas seria uma tarefa complicada: não ouço música todo dia, e principalmente, ouço as mesmas músicas over and over again. Entretanto, esse mês foi uma imersão maior no cd do Arctic Monkeys, o AM, e no 1989 da Taylor Swift - aconteceu que eu comecei a passar três horas no ônibus ouvindo música e realmente prestando atenção no que estava ouvindo. Como não dá pra colocar mais de uma música do mesmo artista, e não fazia muito sentido de qualquer forma, ficam os dois marcados como os Albuns do BEDA.

No mais, são músicas que gosto e que escuto com alguma frequência. Cornerstone, do Arctics, é a minha música preferida deles no momento. Does He Love You eu ouvi num post da Chica tem bastante tempo, mas amei de cara, e ouço desde então. E Despedida, do Selvagens à Procura de Lei, que são meninos da minha terra e descrevem muito bem a saudade. Eu não ouvi o cd deles completo (risos), mas adoro essa música, e acho que de toda a playlist, ela é que vale mais à pena conhecer.

E, se for pra falar de músicas que embalaram meus dias, coloquei três bônus no fim da playlist: fiquei com o dia que estava fazendo trabalho da faculdade e achei correto relembrar toda a carreira da Britney Spears (e um pouco da Christina e da Jlo), e fico com Sometimes. Depois, tive uma noite tomando cerveja e na vibe total de Aerosmith revendo os clipes deles, e percebi como a letra de Fly Away from Here representa o meu momento atual. E, por fim, O Teatro dos Vampiros, que nunca foi tão próxima da minha realidade como está sendo agora.




>> Hoje também é dia de playlist no blog da Pássara, da Analu, da  Anna Chica, da Sharon e da Iralinha!

Resumo da Semana #4: Não aconteceu absolutamente nada (29/31)

Quarta semana de BEDA, senhoras e senhores, não acredito que chegamos até aqui. Contra todas as expectativas, incluindo as minhas, foram quatro semanas de posts ininterruptos. Mas não irei falar sobre isso agora, deixa eu concluir o projeto - sim, eu sou otimista ao ponto de ainda acreditar que posso desistir no dia 30.

Dias chuvosos no ridjanero

Agora vamos falar da semana. Essa semana! O que falar de uma semana cujo ponto alto foi encontrar um pacote de 750g de ravioli por 4 reais no Pão de Açúcar? Sim, foi apenas 4 reais, e a estante do "Perto do Vencimento" já se firmou como um lugar cativo nos nossos corações. Tá tudo indo meio mal? Só dar um pulo no supermercado e ver o que o vencimento trouxe para a gente. Essa semana foi um prato de ravioli numa quinta chuvosa à noite.

Entreguei meus trabalhos da pós, que tem praticamente um mês que comecei, mas que é organizado em módulos. Então o módulo mais legal, que tratava sobre Estamparia em si, já acabou :( E agora começa um módulo de modelagem, que eu sempre detestei, e que pode ser que vocês me escutem reclamando no futuro, mas que provavelmente não - certeza absoluta que quando terminar o BEDA eu vou passar um mês sem pisar por aqui hahahah

Mais uma vez, no entanto, falhei de pensar nos highlights da semana para contar por aqui. Posso contar que, voltando da aula na segunda, eu encontrei um pug amarrado do lado de fora da farmácia aqui perto de casa, e que passei uns bons 5 minutos conversando com ele? Era o Válter, foi um encontro maravilhoso para recordar, assim como um pitbull que estava passeando com um suéter. Nessas horas penso em tirar foto? Claro que não.

Terminamos de assistir a primeira temporada de Steven e de Hannibal, sendo obviamente Steven muito mais cheio de mindfucks e reviravoltas que Hannibal, hahaha. E uma coisa muito estranha que acontece quando fazemos maratona de desenhos animados é que não consigo dormir direito: passo a noite inteira sonhando com episódios novos, ouvindo as vozes das dubladoras na minha cabeça, um monte de sonho psicodélico e colorido, e acordo exausta. Para me fazer dormir como um bebê, nada como um bom assassinato e um cadáver se decompondo. Ah, as pessoas. Ah, os dias.

continuo obcecada

(e Hannibal faz tantos debates surgirem dentro da gente que estamos quase gravando um vídeo sobre)

Sexta fomos ao cinema e assistimos ao filme novo do Woody Allen, "Homem Irracional", e eu passei boa parte inicial do filme revirando os olhos. O mesmo aconteceu com o último filme que vi da Emma Stone, "Sob o Mesmo Céu (Aloha)": não aguento o estereótipo, mais uma vez, da menina animada e decidida que vai salvar o pobre homem infeliz. Mas os dois filmes acabam se recuperando, mesmo eu dando algumas risadas eventuais, e o cinema inteiro se destruindo em riso. Aliás, esse é um tópico muito bom: na cidade de vocês as pessoas também acham graça de absolutamente tudo?

Fui muito em cinema em Fortaleza, e olha, nunca vi interatividade como essa dos cariocas. Na menor piada, que no máximo faz com que o canto da minha boca se mexa ligeiramente, eles já estão gargalhando e cutucando os amigos com que foram aos filmes: KKKKKKKKKK NACREDITO. As pessoas dão gargalhadas. Nos trailers. Mesmo em trailers brasileiros de comédia que geralmente não tem graça, estão todos lá - melhor platéia. O trailer de Meu Passado me Condena 2? Achei que o cinema ia se destruir de tanto riso. Deve ser por isso que o carioca é tão feliz.

Antes do cinema, no entanto, o ponto baixo da semana: comprei uma casquinha e ela virou inteira no chão antes de eu dar a primeira mordida. Não sei se isso é uma grande metáfora da vida.

Às vezes as semanas são assim. Não tem como maquiar e parecer que fui à lugares incríveis e conheci pessoas incríveis: fiquei em casa, dormi, li um pouco, joguei um pouco, fui ao cinema, visitei algumas livrarias, fiquei olhando para o tempo e refletindo sobre a minha vida. Ah, a vida. E desculpa um post enorme e sem nenhum assunto - mas depois de 29 dias de BEDA, acho que eu mereço um desconto, né?

por hoje é só


Lista Aleatória:

Livros lidos: Continuo lendo "Sobre a Escrita" do Stephen King, e continuo amando
Filmes assistidos: Homem Irracional no cinema
Séries: Steven Universe e Hannibal! Terminamos as primeiras temporadas!
Carbonaras: 0, que decepção
Dias com cerveja: 0 
Garrafas de vinho: 0... que semana
Dias que fomos a praia: 0, mas o sol só veio aparecer hoje
Vezes que o cabelo colaborou: 1! Lavei e ficou ótimo! Mas foi só no dia mesmo.

O Teatro dos Vampiros (28/31)

Eu estava indo para a aula da pós esses dias quando peguei um ônibus errado (sempre), que ao invés de me levar pelo caminho conhecido e relativamente rápido (1:30h), me levou pelo caminho mais engarrafado do mundo (cheguei depois de 2:30 de ônibus). Enquanto nesse caminho engarrafado, tipo, mesmo, coisa de 40 minutos para andar um quarteirão, dois jovens entraram no ônibus. Uma menina magricela e um cara mais fortinho que ela, ambos de uniforme da escola, abraçados. Passaram o engarrafamento inteiro se amassando no meio do ônibus, assim, bem foda-se todos, olha o nosso amor. Acho inclusive que eles escolheram pegar esse ônibus: tudo bem chegar em casa em uma hora quando deveria ter chegado em 20 minutos, para poder passar essa uma hora dentro do ônibus se beijando, certo?

Eles não conversavam muito, só se beijavam. Ah, os quinze anos.

Vocês já pararam para reparar naqueles casais que, antes da era dos iPhones, ficava mudo um do lado do outro em restaurantes? Não conseguiam se olhar, não conseguiam conversar, apenas olhavam para o abismo. Hoje em dia, fica cada um no seu whatsapp, a luz da tela iluminando cada um, e também não trocam nenhuma palavra. Mas também nem se beijam.

Ontem eu estava lendo o encarte da Taylor Swift e pensando em mudanças junto com ela. A gente é sempre levado a pensar que as pessoas que amamos não vão mudar: não adianta, você não tem a capacidade de mudar a vida de ninguém, nem de ninguém mudar a sua, todos nascemos e crescemos assim e iremos morrer assim. Já ouvi uma frase terrível e machista que diz que a mulher se casa esperando que o homem mude, e o homem casa na esperança que a mulher nunca mude, e assim ambos vivem o resto da vida frustrados. Por que as mulheres deveriam mudar, e os homens não? Isso não faz o menor sentido.

Todo mundo muda. O casal jovem se amassando no ônibus, pode, se continuarem juntos, daqui a alguns anos, estar num restaurante olhando cada um para o seu abismo/celular. Ou pode ser que eles encontrem pessoas incríveis nessa vida, que se olhem dentro do olho, e que riam, e que conversem sem parar até ficar com sede.

A gente muda a cada momento, a cada instante. Como a Taylor disse, é preciso coragem para mudar. Eu nunca ia imaginar que iria morar no Rio de Janeiro aos 25 anos, recém casada. A vida nunca foi tão ruim, mas também nunca foi tão boa. Às vezes a gente precisa de um certo distanciamento histórico para absorver melhor o que estamos vivendo no presente: os dias que parecem terríveis, mas na verdade nem são, os problemas que de fato eram enormes, mas que a gente conseguiu superar, um por um. Cada problema resolvido provoca uma mudança dentro da gente, e eu li um dia desses que, depois de sete anos, todas as suas células são substituídas (cada uma em seu tempo). Em sete anos, seu corpo é outro, por que você não seria também?

Mudar é fácil, mas aceitar a mudança dos outros pode ser difícil. É completamente diferente conhecer uma pessoa aos 16 anos e vê-la, hoje, aos 26. Os hábitos, os trejeitos, tudo muda. Não somos mais um casal adolescente, num primeiro encontro, indo a pé para um shopping center, com vergonha de dar as mãos, e trocando beijos na escada-rolante. Somos um casal adulto, num encontro que nem é encontro assim, indo a pé para outro shopping center, dando as mãos porque é natural, e sem trocar beijos na escada-rolante. Acho que todos deviam trocar beijos na escada-rolante sempre que possível.

Ouvimos músicas dos anos 80 que meus pais cantaram um para o outro, e nunca elas foram tão próximas. Ouvíamos essas mesmas músicas com 16 anos e não entendíamos nada: como envelhecer dez semanas a cada hora que passa, já que voltamos a viver como há 10 anos atrás? Que confusão essa história de ser adulto, né.

A gente muda, mesmo. Boa parte do que eu sou hoje eu devo à tudo que vivi, desses 16 anos para cá. Mas o que me mudou, mesmo, foram todas as pessoas que conheci nesse percurso. Aprendi muito com todas elas. E isso inclui a pessoa que escolhi ver todos os dias, já que ele mudou também, e ele não para de me ensinar coisas novas. Mudamos um com o outro. Mas também mudei ao olhar para mim mesma, para o que escrevi para mim, para o que me aconteceu nesse tempo todo. E espero, sempre, mudá-lo um pouquinho, também.

Será que somos pessoas melhores? Eu espero que sim, mas deixa o distanciamento histórico chegar para eu ter certeza.

Eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir


25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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