Sororidade & algo mais



Todo mundo já vem falando nisso há algum tempo, e embora eu sim, me reconheça feminista, ainda não tinha encontrado alguma coisa para falar sobre. Quer dizer, tem tanta gente incrível falando sobre por aí, tenho tantas amigas maravilhosas discutindo sobre o assunto, que eu ficava pensando o que diabos eu poderia acrescentar, né? Ainda mais porque tinha uma dificuldade visceral num dos pontos principais do feminismo, que é justamente a sororidade. Aí ontem li um texto incrível sobre outras coisas e inclusive sobre isso, que deu um tapa gigante na minha cara, e eu queria tanto ter lido isso quando ainda era nova e estava me encontrando nesse mundo.

É difícil escrever sobre isso, sem soar um grande mimimi. Mas meu blog, que tanto muda de ~ linha editorial ~, ultimamente vem sendo um relato mais aberto da minha realidade e do que eu penso, então, vamos lá. A sororidade, e eu.

Eu estudava num colégio de classe média alta no bairro nobre de Fortaleza. A maioria das meninas da minha sala era branca, rica, com cabelo liso (ou alisado) e mechas loiras. Elas ficavam com meninos desde sempre, usavam calças justas e nike shox. Eu não. Eventualmente, muito tarde do ponto de vista delas, eu comecei a ficar com meninos. Mas, durante os anos cruciais, não. Tinha um grupo de meninas que saiam, bebiam, tinham piercings e eram descoladas. Também tinha o grupo de meninas que eram perfeitinhas, que esnobavam todo mundo, e que davam em cima dos meninos para no momento final dizer não, e deixavam eles loucos. Obviamente nenhum era louco por mim, e jamais foi. Mas, quando eu era nova, eu via essas meninas como o inimigo, tão diferentes de mim quanto um peixe e um javali. Eu nunca me enturmei com essas meninas, e nunca fiz questão, e aliás vivia enrolada em brigas. Eu era um alvo fácil? Sim, mas tenho certeza que se perguntar pra uma delas hoje, elas diriam que eu também atacava. E às vezes atacava mesmo.

A minha sorte é que eu tinha amigas, que eram exatamente como eu: atrasadas, bobas, e sim, feias. Ouvi um grupo de meninos falando que comigo o esquema era camarão, corta a cabeça (feia) fora, e come só o corpo. Agora, a fulana não. A fulana é linda, ela a gente come inteiro, e namora depois. Eu queria ser a fulana, claro. E como era impossível ser a fulana, eu odiava ela com todas as forças.

Com o tempo, eu comecei a perceber que não ser igual à elas era bom. Que ouvir músicas boas, que ler livros incríveis, que ter amigas que você ama e confia ao seu redor, era ótimo. Que haviam meninos também diferentes por aí que iriam me ver, e em determinado ponto eles me viram. Não, não eram os gatinhos do vôlei, mas eram caras legais. Até isso acontecer, entretanto, eu me vi numa briga no meio da sala, com uma menina que eu odiava (ela era da turma das festas), em que ela gritou pra mim: você é uma retardada, vai beijar na boca. Você ficar lendo revista de bruxinha só prova como você é mongol. Vai viver, menina.

Fiquei anos com isso na minha cabeça, e foi uma vitória pessoal quando vi fotos dessa mesma menina grávida, ainda no ensino médio, numa rave, fumando. Idiota, você tá vendo só? Eu sou diferente, eu estava lendo quando você estava beijando na boca, eu estou na faculdade enquanto você está procurando emprego, eu sou estilista da loja que você vai ser vendedora (horrível, porém, sim). Só que não era assim. Não era. 

Naquele colégio de classe alta, várias meninas tiveram suas fotos íntimas espalhadas via msn. A maioria todo mundo olhava com culpa, porque eram meninas boas e perfeitas. Algumas, todo mundo olhava e dizia: "também, do jeito que dá pra todos os caras desde a sétima série". Eu me sentia mal por ver as fotos das meninas por aí, mas me unia ao coro na hora de dizer que ela devia ter mais cuidado antes de sair transando por aí, quando eu nem tinha ideia de nada disso, porque estava muito ocupada acompanhando a revista das Witch (melhor revista). Então como é que, aos vinte anos, eu ia conseguir me solidarizar com essas meninas que fizeram questão de que eu me sentisse uma bosta a minha adolescência inteira por ser diferente? Eram putas sim, escolha delas, eu não tenho nada a ver com isso. Mas aí as feministas pegaram na minha mão e disseram: não, nós estamos todas juntas nessa, nós temos que aceitar umas as outras, nós temos que nos amar e nos apoiar.

Eu sempre tive amigas. Mesmo na época de transição das amigas do colégio para as amigas da faculdade, em que eu fiquei sozinha, eu ainda tinha algumas meninas em quem eu confiava, e podia me abrir, e falar tudo que eu quisesse sem ser julgada. Mas tem meninas que não tem. Basta você ver aquele vídeo escroto da bebezinha imitando os animais e chegando na cobra e dizendo: oi, amiga.

Eu me achava diferente. E, por ser diferente, só pessoas que contemplassem os meus interesses poderiam me compreender: pessoas mais velhas, caras interessantes, meninas legais. Eu tive a sorte de ter amigas sempre comigo, porque é geralmente nessas horas que essas "meninas legais" encontram caras mais velhos, que fazem questão de ressaltar como elas são diferentes, como não são iguais as meninas da idade dela. Com um único objetivo: te comer. Amiga, esse cara só quer te comer, sinto muito. Eu, enquanto nova e sem experiência nenhuma, me apaixonava pelo primeiro menino que me desse atenção, que conversasse comigo regularmente, que me mandasse mensagem. Esse menino, provavelmente, só queria me comer, ou então só estava fazendo o mínimo, que era ser legal e educado. Ele certamente não estava apaixonado por mim pelo simples fato de eu responder todas as mensagens dele.

Meu noivo é professor, vocês já sabem. Mas ele é um professor muito, muito legal, e muitos alunos amam ele. E mandam mensagens pra ele frequentemente, às vezes de madrugada, cheios de problemas de adolescentes. Algumas meninas falam de problemas de amor, enquanto ele, homem, mais velho, nunca foi uma adolescente, não tem o menor embasamento para ajudar, mas tenta. E eu fico: essas meninas não tem amigas? Por que você iria pedir conselho amoroso para um professor, pelo amor de Deus? "Ah, é porque as amigas não iriam entender."

Como não?

Porque elas estão naquela fase em que são diferentes, em que todas as amigas são cobras, e todas que não são as amigas são prostitutas, ou retardadas. Como você pode esperar que um professor, mais velho, possa te entender melhor que as meninas que convivem com você? MB olha para mim e fala: você não entende. Como eu posso não entender, se eu também fui adolescente, cercada de amigas adolescentes, e cheia de amigas hoje que também foram adolescentes?

Entrar na faculdade é vital para o crescimento, porque você se vê diante de pessoas que você normalmente não iria interagir no colégio, de outros bairros da cidade, com outros interesses. E é aí que você percebe como todo mundo é igual. A menina que transava desde os 13 anos? Também fica meio apaixonada sem nenhum motivo aparente. A menina perfeitinha que na hora H sempre dizia não? Provavelmente morria de medo do que iam falar dela, ela não estava só tentando destruir a sua vida. A menina retardada que lia revista ao invés de beijar na boca? Queria muito estar beijando na boca, mas não tinha oportunidade, vida que segue. Somos todas, de uma forma ou de outra, iguais. Somos mulheres. Podemos nos entender, se tivermos vontade. Podemos nos apoiar.

Enquanto novas, buscamos pessoas em quem nos espelhar, pessoas mais velhas incríveis. Infelizmente, quase nunca temos mulheres incríveis ao nosso redor. Os adolescentes se espelham no professor legal, e as meninas tem como objetivo ficar com o professor legal, ou pelo menos um cara tão legal quanto ele. (spoiler: os professores legais já foram meninos retardados.) Eu, enquanto adolescente, tive a sorte de ter a minha mãe como exemplo. Minha mãe ama trabalhar, é super batalhadora, e nunca deixou de viajar, de ir para festas, e de toda sexta ir no barzinho (sozinha) com os amigos. Eu conheci uma amiga dela que morava em Paris, era bronzeada, independente, e desde esse dia eu também quis morar fora. Eu entendo que, sendo branca, magra (enquanto adolescente), da classe média, e cheia de todas as oportunidades, eu não posso me comparar à meninas que não tiveram. Mas posso estender a mão para tentar compreendê-las, e o melhor, posso pedir para que abram o olho para as meninas que estão ao redor. Vocês não estão sozinhas, vocês não são diferentes, vocês são iguais, e isso não é ruim. Se um cara te olha e te diz que você é diferente das outras, nem ele acredita nisso. Se ele for mais velho, fuja, é cilada. Se você tiver 25 anos e quiser um cara de 45, tudo bem, porque você já vai entender muito mais coisas da vida, e pode ser que dê certo. Se você tiver 15 e quiser um de 35, amiga, acredita em mim, você vai se magoar muito, tenha cuidado. 

Queria muito ter tido exemplos de professoras incríveis enquanto estava crescendo, como uma amiga, a Cristina. Que é mulher num ambiente masculino, é negra, é inteligentíssima, é independente, e inspira alunas a serem o mesmo. Queria ter olhado para as meninas que riam da minha cara com um pouco mais de compaixão, e queria muito que elas também tivessem feito o mesmo comigo, mesmo eu mandando mensagens cheias de ódio (desculpa, eu de fato não tinha nada melhor pra fazer). Acho que nunca serei professora e serei capaz de mudar vidas, mas se meia dúzia de meninas nessa idade ler isso, e olhar para a sua sala com olhos com um pouco mais de reconhecimento, já fico feliz. Confiem umas nas outras. This too shall pass.







PS: É estranho fazer um post pessoal e cheio de opinião desses num blog meio "superficial", mas enfim, essa é a minha opinião, essa foi a minha adolescência (privilegiada, sim). Desculpa qualquer coisa.

PS2: Às pessoas que estudavam comigo no colégio, que me odiavam e que eu tão fervorosamente odiava de volta, peço desculpas! Espero de verdade que vocês estejam bem na vida de vocês, que quem já teve filho, que eles sejam incríveis (sem ironia, hein), e que quando a gente se encontrar na rua num futuro próximo a gente possa sorrir e perguntar como vai, sem ser o fim do mundo.

PS3: Nesse post da minha amiga maravilhosa, tem um guia de links legais para você entender melhor sobre o feminismo, e disseminar a palavra.

5 Melhores Shows da Minha Vida

Tem pouca coisa que gosto de fazer nessa vida, e uma delas é ir a um show de uma banda que eu ame. Já conheci algumas pessoas que não gostam (gente!), mas acho que de fato, não há nada melhor do que você amar um cantor, ou uma banda, assim, de longe, e de repente ficar assim, de perto. Claro que há grandes decepções (Beyoncé, estou olhando para você), mas, de modo geral, é incrível ver aquele cd que você ama assim, sendo tocado ao vivo.

Esse ano vi um show tão incrível que pensei: preciso escrever sobre isso no blog. Então lembrei de outros shows incríveis que já vi, que nunca vieram parar aqui, então está aqui um apanhado dos melhores shows que já fui (até agora).

5. Arctic Monkeys na HSBC Arena (2014)




Esse show tem o sabor da minha mudança, dos dias incríveis que estava passando ao lado das minhas amigas, da liberdade, da primeira vez da minha vida que consegui sair (e virar) duas noites seguidas, da primeira vez que acordei de ressaca, e ter debatido sobre gente inconveniente que frequenta shows com a Anna Vitória, de ter gasto um dinheirão sem nem conhecer a banda, só pela folia.

Mas a questão foi que eu não conhecia direito a banda, e mesmo exausta e necessitando dormir, consegui curtir o show inteiro, me apaixonei pelo Alex, quis ter um filho dele com tanta força que acordei no dia seguinte com cólica, cantei as músicas aprendendo na metade, pulei, pulei, abracei minhas amigas. Alex, are you mine? I wanna be yours. Bastou esse show para que eu virasse fã e passasse a ouvir todos os cds da banda, e tudo bem que é muito melhor conhecer antes de ver ao vivo, mas se essa não foi a melhor forma de começar o ~nosso relacionamento~ eu não sei qual é.



4. Los Hermanos no Biruta (2012)




Eu acho que consegui ir a seis shows do Los Hermanos na minha vida, e inclusive o primeiro show que fui ever foi com o Ventura (eu acho). Então vi shows bons e vi shows ok, mas o último show que eles fizeram na turnê de comemoração aos 15 anos foi o melhor.

Foi numa barraca de praia (na verdade, foi o segundo show que eu fui lá. O primeiro foi o lançamento do cd 4), o show foi super longo, e todo mundo cantava em uníssono todas as músicas. Eu geralmente tenho ciclos de gostos musicais: eu escuto uma banda até cansar, e depois passo anos sem ouvir. Fui para esse show no período de anos sem ouvir, então não me lembrava da maioria das músicas, mas na hora que eles começavam a tocar, acontecem coisas.

"Além do que se vê" é uma eterna favorita, que sempre que toca todo mundo se desespera, e "Sentimental" eu cantei inteira aos prantos, lembrando de todo um sofrimento adolescente. Das antigas, pros fãs, eles tocaram "A Flor" e terminaram com "Pierrot". Chora! Ano passado eu fui ao show da Banda do Mar, e o Camelo cantou "Além do que se vê" na capela, com o público. Foi lindo. Estou louca para o show que vai ter esse ano, e dessa vez já estou ouvindo os cds de novo, para já ir matando a saudade. 



3. Black Eyed Peas no Ceará Music (2010)





Aconteceu um fenômeno incrível nesse show que foi: ele foi MUITO bom. Eu gostava de Black Eyed Peas um bocado, mas assim, nunca diria que era a banda da minha vida. Só que esse show conseguiu empatar no ranking com o próximo da lista, sendo desempatado mesmo por pura culpa. Só que não tenho vergonha: já fui pra show do Chico Buarque, já fui pra show da MUSA suprema Beyoncé (!!!!!) , já fui pra show ruim, já fui pra show bom, mas nada nunca se comparou ao show do Black Eyed Peas.

Tinha mensagem subliminar durante o período do show? Qual a justificativa para um show de uma hora e meia, no meio de um festival meia boca, ser o melhor show ever? Não sei, mas sempre que comento desse show com alguém que foi, vejo o mesmo espanto espelhado na pessoa. Não sei, só sei que foi assim. Só sei que nunca dancei e pulei tanto na minha vida, só sei que nunca passou isso pela minha cabeça, mas chorei ouvindo "Big girls don't cry", só sei que "Fergalicious" devia voltar à moda, só sei que "My Humps" é um hino, só sei que nada sei.

E que se um dia houver outro show de Black Eyed Peas cruzando a minha vida, estarei na primeira fileira.



2. Paul McCartney no Castelão (2013)





Um Beatle, vivo, ali, pertinho, olhando pra mim. Foi mais ou menos assim o show do Paul: eu não acredito até agora que aconteceu. Para comprar o ingresso foi aquele drama de sempre, incluindo eu
chorando no banheiro do trabalho porque todo mundo já tinha conseguido comprar e eu não, e no dia tivemos que passar por um congestionamento de duas horas (!) num percurso que dura 10 minutos.

O Paul é lindo, é fofo, chorei um rio quando ele cantou "Maybe I'm Amazed", e achei que fosse morrer de tanto gritar com "Live and Let Die". Foi um show de ficar arrepiada durante três horas inteiras, e enquanto o pessoal do meu lado tava sem energia depois de tanto tempo em pé (pessoal, melhorem), eu não conseguia parar de pular. Não dava. Era o mínimo que eu podia fazer para um cavalheiro que estava ali, na minha frente. Durante um tempão esse show foi Hors Concours da minha vida, porque, francamente, Paul McCartney ao vivo. Até que.


1. Foo Fighters no Maracanã (2015)



Existe algo sobre mim que vocês precisam saber: eu fico obcecada com uma banda por um tempo, escuto os mesmos cds centenas de vezes por uns três, quatro anos e depois abuso e nunca mais escuto nada. Em 2005 (!!!!!), um colega de sala me emprestou o cd In Your Honor. 10 anos depois, cá estou eu, ainda amando Foo Fighters.

Quando eu descobri que eles iam fazer um show no Rio, no Maracanã, comprei o ingresso imediatamente, sem antes ter o bom e velho ataque de pânico. Comprei esse ingresso antes mesmo de me mudar, achando tudo tão longe. E então, sem mais nem menos, o dia chegou: e eu estava indo ver o Foo Fighters ao vivo. A banda da minha vida. Ao vivo. Não dá pra falar de mim sendo adolescente e não falar dos meus banhos demorados ouvindo "No Way Back", gritando no banheiro, e sonhando com o dia que eu ia ver um show deles. Mas aos 15 anos morando em Fortaleza, eu NUNCA tinha pensado na possibilidade real disso acontecer. Tipo, nunca. Ever. Jamais. É uma coisa tão profunda que não consigo me dissociar desse cd, não tem como não me imaginar colocando o all-star para ir pra escola sem ter essas músicas ao fundo. Eu acho que nunca agradeci ao menino que me emprestou o cd direito, mas olha, muito obrigada por ter feito isso por mim.

Muda tudo, em 2015 estou aqui no Rio de Janeiro, indo de metrô assistir o Foo Fighters. Sentando na cadeira para assistir Foo Fighters. Quando o Dave Grohl subiu no palco, perdi tudo que um dia tive de dignidade, e SOLUCEI de chorar. Chorei tanto, tanto, cantando. Gritei até, literalmente, perder a voz. Ouvir "Big Me", acústico, como sempre amei, vendo toda aquelas luzinhas piscando, despedaçou meu coração. "The Pretender", "All My Life", "Best of You": achei que podia gritar mais que o Dave, e gritei até sentir minha garganta virar do avesso. Mas foi quando ele cantou a minha música favorita da vida inteira, "Times Like These", meio acústico, que eu oficialmente vim a óbito.

Porque uma coisa é você ver um show. Outra coisa é você achar que sua vida anda tão errada, tão fora de prumo, e de repente perceber que você está ali, com 25 anos, no exato lugar onde você de 15 tinha imaginado. Não vi um show do Foo Fighters no Maracanã: realizei um sonho, e deixei a Gabriela tranquila, porque pode ser que ela esteja errando bastante, mas ela tem feito algo de muito certo nessa vida.

Retrospectiva Literária 2014

Demorou, mas chegou!

Depois de um mês de atraso, ei-la. Íamos gravar em Fortaleza, mas esqueci o caderno em que anoto todas as minhas leituras no Rio, então atrasamos tudo. Isso e a preguiça, é claro.




Acho que alguns livros merecem ter seus posts, quem sabe num futuro próximo?
(Deixei em negrito os favoritos)
(The Magicians é um caso de amor e ódio que não consigo colocar em palavras, então marquei como favorito, mas na realidade até agora não sei se eu gostei)


Em 2014, Gabriela leu:
Fangirl - Rainbow Rowell
O Menino do Kampung - Lat
A menina que roubava livros - Markus Zusak (Abandonado)
The Interestings - Meg Wolitzer (Abandonado)
Jogos Vorazes - Suzanne Collins
Em Chamas - Suzane Collins
A Esperança - Suzane Collins
Breakfast at Tiffany's - Truman Capote
Cidade das Almas Perdidas - Cassandra Clare
O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks - E. Lockhart
Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Stieg Larsson
A Menina que Brincava com Fogo - Stieg Larsson
A Rainha do Castelo no Ar - Stieg Larsson
A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora - Gregório Duvivier
Febre de Bola - Nick Hornby
A Fundação - Isaac Asimov
Attachments - Rainbow Rowell
A Estrada da Noite - Joe Hill
Lola e o garoto da casa ao lado - Stephanie Perkins
Extraordinário - PJ Palace
Os mundos de Crestomanci - Diana Wynne Jones
Dom Casmurro - Machado de Assis
O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
Extremely Loud & Incredibly Close - Jonathan Safran Foer
Como ter uma vida normal sendo louca - Jana Rosa e Camila Fremder
As Crônicas Marcianas - Ray Bradbury
A vida em tons de cinza - Ruta Sepetys
Precisamos falar sobre o Kevin - Lionel Shriver
An Abudance of Katherines - John Green
Foras da Lei etc - Neil Gaiman & etc
A Droga da Amizade - Pedro Bandeira
Serena - Ian McEwan
Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie
Sandman Edição Definitiva - Vol. I - Neil Gaiman
Sandman Edição Definitiva - Vol. II - Neil Gaiman
Isla and the Happily Ever After - Stephanie Perkins
As Valentinas - Luiza Trigo
The Magicians - Lev Grossman
Alta Fidelidade - Nick Hornby
American Gods - Neil Gaiman
An Age of License - Lucy Knisley
Heart: Seed, Snow, Circuit - Lucy Knisley

Em 2014, MB leu:
Este Lado do Paraíso - F. Scott Fitzgerald
O Bom Jesus e o Infame Cristo - Philip Pullman
Os frutos dourados do sol - Ray Bradbury
Harry Potter e a Pedra Filosofal - J. K. Rowling (audiobook)
A ciência dos Superpoderes - Juan Scaliter
Wild Cards - Org. George R. R. Martin
Leite Derramado - Chico Buarque
Harry Potter e a Câmara Secreta - J. K. Rowling (audiobook)
Orfeu da Conceição - Vinicius de Moraes
Antologia Poética - Mário Quintana
1984 - George Orwell
Percy Jackson - O Ladrão de Raios - Rick Riordan
Paper Towns - John Green
Segunda Fundação - Isaac Asimov
Percy Jackson - O Mar de Monstros - Rick Riordan
Percy Jackson - A Maldição do Titã - Rick Riordan
Eleanor & Park - Rainbow Rowell
Percy Jackson - A Batalha do Labirinto - Rick Riordan
Percy Jackson - O Último Olimpiano - Rick Riordan
Poemas Escolhidos - Ferreira Gullar
Uma Força Medonha - C. S. Lewis
Olhos de Cão Azul - Gabriel García Marquez
A Cidade Inteira Dorme - Ray Bradbury
O seminarista - Rubem Fonseca
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling (audiobook)
Clube da Luta - Chuck Palahniuk
O Polegar do Panda - Stephen Jay Gould
Do amor e outros Demônios - Gabriel García Marquez
O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson
O Salmão da Dúvida - Douglas Adams
O Cavaleiro dos Sete Reinos - George R. R. Martin
Sandman Edição Definitiva - Vol. I - Neil Gaiman
O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
Extraordinário - R. J. Palacio
O caminho Jedi - Yavin Praxeum
O Restaurante no Fim do Universo - Douglas Adams
Deuses Americanos - Neil Gaiman

Essa tal de mudança de vida




Alguns momentos da nossa vida são reviravoltas tão rápidas que a gente chega perde o fôlego do giro, e fica desnorteado pra onde ir a seguir. Foi assim que eu me mudei pro Rio: de repente, saí do meu emprego, e deixei nele um peso enorme, e muito mais leve, trouxe em três malas toda a minha vida para cá. Passei dois meses, jamais sozinha, voltei para buscar o meu amor, e cá estamos. No Rio.

Quando a gente tinha pensado nisso, há vários meses, sentados no Arpoador e vendo o pôr-do-sol, tudo parecia lindo. Estávamos ganhando bem, a poupança estava gorda, a cama feita (e a rede!) me esperando em casa, enfim, toda essa certeza que só a rotina pode trazer. O casamento estava se encaminhando, mas para o quê? Viver o resto de nossos dias reféns dessa cidade que eu odeio (desculpa), nesse humor oscilante, e ter finalmente admitido que a vida é só isso mesmo? Sempre tive pavor de quem achava que a vida "era só isso mesmo", então como estava virando aquilo?

Fizemos nosso quarto, enchemos com nossas coisas, trouxemos lembranças, presentes de amigos. Compramos o que nunca tínhamos comprado, tipo colcha de cama. Elástico. Quantos elásticos são necessários? E esse climatizador é melhor que um ventilador comum, ou é roubada? E então, mesmo com a cabeça cheia de tarefas, preenchendo nossos dias que já parecem um sem fim, fica no fundo da garganta aquele medo.

Que medo.

E se nada der certo?

Bom, o certo deixamos pra trás, na terrinha, junto com o queijo coalho e o clima agradável. Aqui estamos no louco, no sem pé nem cabeça, completamente sem chão. E se nada der certo? Ele me olha preocupado com a grana, com o estilo de vida que a gente levava antes, e que queria muito continuar vivendo, mas a poupança infelizmente vai ter um fim. Tantos restaurantes que a gente quer conhecer, e temos que começar a nos preocupar com o preço dos tomates (eles tem gourmet na embalagem, devem ser mais caros, certo? Melhor nem levar, né? Nem queria tomate mesmo). E o medo de nada dar certo?

Será que não era melhor ter deixado para vir só em junho, depois do casamento, ter trabalhado mais esses seis meses + décimo terceiro, se organizado melhor? Será que teríamos nos organizado melhor? Ou será que continuaríamos a viver a nossa vidinha sem graça, até que num susto arrumaríamos nossas malas? A gente nunca foi muito bom de planejamento. 

Eu gosto de pensar que viemos na hora certa.
Que o aqui é agora, e se tá com medo, vamos com medo mesmo.
Viemos, chegamos, e estamos aqui. Aterrorizados, com dinheiro curto, procurando emprego, mas com um sorriso no rosto e um alívio no peito que não nega: aqui é o nosso lugar. Rio, estamos prontos para você.



Obs.: se você morar no Rio e por acaso souber de alguma coisa, quiser me indicar para algum trabalho, quiser pedir alguma ilustração, mandar um oi solidário, quiser ser amigos e vizinhos, tiver uma dica de prato feito barato, ou mandar um sinal de fumaça (gelada? que calor?), por favor - gabrielapinheiro @ gmail.com

Saudades de Londres

Ontem, hoje e sempre. O blog está passando por mais uma mudança (e eu também!), e hoje, arrumando os arquivos do computador (até ele está se organizando para ir pro Rio), achei esse vídeo que fiz depois que voltei de Londres. Na época achei o vídeo péssimo, mas hoje assistindo me deu uma saudade enorme. Também ando saudosa com tudo, então relevem. E por favor, relevem também o fato do vídeo ter saído tremidaço, não sei o que acontece quando tô com uma câmera na mão, então não recomendo pra quem tem labirintite (de verdade).


Sobre escrever a mesma história durante toda a minha vida

Estou revirando o meu quarto de cabeça para baixo porque vou me mudar, e olha, não tá sendo fácil. Eu sempre morei entre as mesmas quatro paredes desde o dia em que eu nasci, no teto ainda tem o gancho onde foi pendurado o meu móbile de bebê, e no chão tem manchas de tinta de várias tentativas de artesanato durante anos e anos. Mas se tem uma coisa que é recorrente, e que me destrói, é o fato de toda a minha existência ter sido entrelaçada com uma única história, a que eu mais gostei de contar, e que aqui já falei um pouco.

Deve ter sido em 1999, quando eu, com uns nove anos, inventei a Sabrina. Inventei ela completa, 16 anos, cabelos pretos e olhos verdes, nascida no ano de 1983 (?). Eu confesso que devo ter pego a história dela ser a Black Cat de algum episódio aleatório de Homem-Aranha, mas tirando o fato do título e da roupa serem iguais (detalhes), tudo o que seguiu aí passou a ser meu. Era profundamente influenciada, claro, então Sabrina tinha amigas que se transformavam em guerreiras também, e elas lutavam contra o mal, e a Sabrina namorava com o Matt, e no futuro eles teriam uma filha, a Danny, que iria se perder dos pais por algum motivo. Sabrina era princesa do Planeta Felino (sim), Matt o príncipe, e todos viveriam felizes para sempre.

Alguns anos depois, com onze anos, conheci a Monique, e ela embarcou nessa jornada (cilada?) de escrever comigo, e montamos uma história com começo, meio e fim. Tenho os cadernos com as nossas letras de criança até hoje, e amo aquela história. E em 2005, com 15 anos, nos reencontramos e voltamos a escrever essa mesma história, só que com outro viés, e foi com isso que me deparei essa semana, limpando o meu quarto.

Eu já escrevi centenas e centenas de folhas. Milhares, talvez. Todas sobre essa mesma Sabrina, que agora tem olhos cinza claro quase branco, mas continua namorando com o Matt, e que, olha só, acaba mesmo sendo princesa desse mundo mágico chamado Phyra. Só que agora ela tinha uma mãe suicida, pais adotivos maravilhosos, uma amiga gordinha, um cara que não sabe direito se é só amigo dela, e enfim, um mundo todo. Aliás, três mundos. Ao me deparar com essa minha letra de adolescente, preenchendo cadernos e mais cadernos com essa história, não teve como não lembrar de mim. Porque, no fim das contas, essa história sou eu, assim como é a Monique também.

Eu com 15 anos, lidando com o colégio como se fosse meu escritório, no qual eu tinha seis horas diárias para me dedicar ao meu livro e aos meus desenhos (todos, sem exceção, voltados para o livro). De 20 cadernos que devo ter achado nessa limpeza, apenas um continha um tantinho de matéria, e era bem no meio do caderno, e só era de física. Lembro de ter uns catorze anos e guardar, junto ao caderno do colégio, esse caderno do livro. E também lembro de, aos quinze, ignorar solenemente o caderno do colégio, e levar apenas o de trabalho. Porque acho que acreditava naquilo como um trabalho, e aí entra aquela frase clichê de que quem ama o que faz, nunca precisa trabalhar.

E era verdade, porque não existia nada na minha vida que eu amasse mais fazer do que escrever. Esqueça desenhar, esqueça pintar, que também é muito bom. Desenhar é como transmitir o que você está vendo para o papel, você imagina uma coisa, começa, e no fim ela está lá. Ela nunca está do jeito que você imaginou, ou quase nunca, porque ela acaba mudando um pouco, mas pronto. Escrever era como sentir um mundo inteiro dentro de mim fluindo, e eu nunca tinha a menor idéia de onde aquilo tudo iria me levar. Se começasse uma cena com "Sabrina acordou naquela manhã" podia tanto terminar com um dia banal do colégio, como em um episódio sofrido e existencial dela presa. Onde? Quando? Em que momento essa cena se encaixa na ordem cronológica? Eu não tinha a menor ideia, mas mesmo assim, era mais forte do que eu. As cenas saiam completas, ou quase, os diálogos tinham voz na minha mente. Eu era totalmente dominada por esses personagens, por essas vidas, por tudo. Todas as músicas que ouvia me remetia a um ou a outro, e hoje, ao escutar esses cds, lembro um pouco de estar no ônibus indo para a faculdade, mas lembro muito mais daquele momento em que a Sara e o Diego terminaram. Lembro da cortina branca sacudindo na janela daquele cômodo que nunca fui em carne e osso, mas que visitei tantas vezes em minha mente, ouvindo aquela música, que impossível não lembrar dele. Que saudade.

Eu havia separado uma gaveta para guardar todo o material referente ao livro que encontrasse, mas não foi o suficiente, pois eu continuo encontrando pedaços dele em todos os lugares que me viro, e que não arrumei ainda. De vez em quando acho uma cena que a Monique escreveu, e fico besta ao pensar que ela também viveu tudo aquilo comigo, e como ela escreve incrivelmente bem. Como era estar tão dentro desse universo particular, e acho que nenhuma de nós duas estranhava o que a outra tinha decidido porque, no fim das contas, parece que a gente só transmitia o que já havia sido decidido por alguém. O livro era uma benção que nós duas recebemos e colocamos adiante, mas é óbvio que tivemos inúmeros momentos de debater o que iria acontecer, de como fechar as portas que deixamos abertas, e o que aqueles sinais que colocamos iriam significar no fim das contas.

Escrever, para mim, era me sentir completa. Se ler é uma delícia, imagina a ideia de que você está lendo algo completamente inédito, porque até um segundo atrás ele não existia. Mas eu não sabia que, depois desse namoro que é inventar, debater, editar e reler e reler e reler, existe essa fase estressante e em que tudo dá errado, que é a ideia de publicar. A gente sempre sonhou em ser publicada, e hoje vejo com uma cara azeda quem fala que é muito difícil escrever um livro. Não, meu amor, escrever um livro é tão natural quanto respirar, agora tenta publicar essa merda, tenta fazer alguma coisa com isso que não seja entupir dezenas de gavetas com ideias incríveis mas que, infelizmente, não se enquadravam no mercado editorial. A gente tentou de novo, e várias vezes, até o momento em que as rejeições foram mais fortes e a gente acabou perdendo o ânimo de continuar com aquilo. 500 páginas escritas de uma continuação, começamos a achar tudo ruim, a second guess tudo que já havíamos escrito. De fato, uma parte do livro não estava funcionando, mas o fato do primeiro estar morrendo afogado na praia pesava tudo. Então, simplesmente do nada, paramos de tentar.

Só que é simples você deixar algo para o lado e seguir com a sua vida, mas deixa você inventar de se mudar e se deparar com todos aqueles (TANTOS) cadernos, cópias impressas, e cartas de apresentação. E de você sorrir lembrando como era bom. E de você chorar porque talvez realmente fosse a fase mais feliz da sua vida, a de estar sentada com um caderno no meio da sala de aula, escrevendo. Eu sei que os tempos a frente são promissores, são bons, sei que o mercado editorial mudou, sei que podemos publicar independentes, mas havíamos perdido a força para fazer isso. É uma frustração muito, muito grande ser rejeitada, ainda mais quando se acredita tanto no próprio trabalho. Nos ligamos hoje. Choramos ao telefone, e lembramos de um monte de coisa - ei, lembra que a Roberta acha que tá grávida? Ei, você lembra daquele dia em que o Julio brigou com o pai? Por que foi mesmo? -, e decidimos que era momento de tentar de novo.

Mas, primeiro, vamos reler tudo. Temos duas caixas, uma gaveta, uns seis cadernos e umas três pastas de folhas soltas, além de umas 800 páginas escritas do word, e pelo menos uns 13 anos das nossas vidas adolescentes pela frente. E, se você quer saber, sinto que dessa vez vai dar certo.


Bad Hair Life



Eu tenho uma amiga, que eu já falei por aqui várias vezes, que é maravilhosa e praticamente não parece real. É o tipo de estereótipo de beleza que todos nós deveríamos querer seguir (e queremos, geralmente, mas que é impossível para a maioria) da magra e loira. Todos os dias ela chegava no trabalho impecavelmente maquiada, e com o cabelo platinado sempre muito bem arrumado, com as pontas levemente onduladas, a franja reta e sem uma gota de óleo. Uma menina disse:
- Ai, que sonho, queria ter o seu cabelo.

Ao que a Flávia respondeu:
- É só você acordar uma hora mais cedo, secar com secador, passar leave-in bom e um babyliss.

A parte de fazer tratamentos mensais em salões caros era subentendida. O pior é que a proximidade acabou me fazendo ver outros lados do cabelo sempre magnífico loiro da Flávia, que era fino, que tinha uns fiapos estranhos everywhere, enfim, cabelo como todo cabelo do mundo. Tem dias bons, tem dias ok, tem dias cruéis e tem dias lindos.

Mas aí tem o meu cabelo.
O meu cabelo.

Apenas nasci na época errada


Em fotos eu engano, tem todo aquele discurso que a Flávia falou de sair mais cedo, fazer escova, etc. As pessoas se surpreendem, acham que é brincadeira, até que elas pegam um pouco mais de intimidade e percebem isso mesmo. Meu cabelo é simplesmente o cabelo mais rebelde e absurdo que eu já vi, uma evidência clara que não se pode ter tudo, que quem manda na sua cabeça não é você, que a vida não é bem assim.

Juro que um dia foi assim




Quando eu tinha uns 14 anos ele era bem cacheado, mas aí eu fiz uns 18 e ele melhorou bastante. Aos 19, era lindo, de fazer inveja. Nesse período fui para uma festa de formatura cheia de gente com olho gordo e ele caiu inteiro, eu cortei curtinho e ele ficou liso (?) (foto acima), e então cresceu. Continuou tendo momentos bons e momentos ok, até que, BUM! Olha só, você dormiu com um cabelo bom, e acordou com essa vassoura esfiapada aqui na sua cabeça. Quem foi que achou que eu não ia notar a diferença?

O pior de tudo é ouvir os seguintes comentários:
- Mas você tem que fazer hidratação em casa.
- Olha, mas sua fibra é boa, ela só é meio rebelde.
- Nossa, mas não é que o toque é bom?

Eu pago xampus caros, cremes caríssimos, leave-ins que não duram nada no meu armário, óleo especial miraculoso, essas coisas. Eu nem seco o cabelo! Não é que ele seja maltratado de tanto eu puxar com a chapinha, ou daquela minha atividade física incrível que envolve suor, sal, mar e parafina. Não. Eu lavo o cabelo a cada dois dias, passo creme (caro! CARO!), eu passo leave-in, eu seco com toalha de algodão, eu compro pente de madeira, enfim, faço o que for para essa caralha ficar bonita.

E. não. fica. Nunca. Mais.

Não sei se foi macumba que jogaram, mas já acendi velas e pedi pra Deus e nossa senhora tirarem esse negócio de mim. Quero meu cabelo de volta! Me mostre uma técnica que eu não tenha tentado. Só fica bonito com escova, e eu não sei fazer escova, então o que posso fazer? Gastar rios de dinheiro e maltratar ainda mais com o calor? Não tem um relativo à são longuinho, do tipo, se você fizer meu cabelo ficar bom, eu dou uns mil pulinhos?

Não sei se meu cabelo gosta é de apanhar. Será que se eu lavar com sabão de côco ele para de ser essa piada e volta a ficar bom? Duvido. Enquanto isso, sigo testando todas as novidades capilares, e aprendendo cada vez mais a fazer penteados (viva o Pinterest), porque apenas MB e minhas amigas para me verem todos os dias acordar com essa juba e continuarem me amando.

Aqui vai uma foto para vocês não falarem que estou exagerando.


Aceito Jabá da Kerastase

Pedaços amorfos de cabelo que não forma cacho e se odeia tanto que se repele, cachos amassados estranhos e uma dose extra de frizz para coroar. Quero ver Dove me chamar pra fazer propaganda de xampu para cabelos indisciplinados.

Não sei a quem agradeço por ter colocado os coques de volta à moda, e se vocês um dia me verem de cabelo solto bonito, saibam que foi um alinhamento de planetas. Ou então que acabei de gastar mais quinhentos reais no salão num novo tratamento que disfarçou tão bem que, na próxima lavada, meu cabelo fará questão de renascer mais volumoso e mais bizarro.

Por favor, volta.


Ah, e pra completar, mês passado decidi cortar uma franja.

25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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