Sobre pescar na faculdade

Quando eu estava na sétima série e ia super mal em determinadas matérias (geografia, por exemplo. Hoje eu penso: "Por que geografia? Por que eu tinha dificuldade nessa matéria tão boba? Será que eu NÃO tinha dificuldade em química/fisica? Será que alguém não tem dificuldade nessas matérias?!"), tirava nota baixa, chegava o boletim e meus pais brigavam comigo. E lá ia eu ficar de castigo.

Minha mãe sempre vinha com conversas psicológicas me incentivando, dizendo que esta era minha única responsabilidaade, por aí vai. Meu pai, por outro lado, sempre vinha com o mesmo "sermão":
- Se esforce para entrar na faculdade. Uma vez lá dentro, você pode colar até morrer.

Ok, ok. Com sermões tão controversos, acabei me situando na metade: ciente de que a escola era minha única responsabilidade, me esforcei para ficar na média até o fim do terceiro ano, dando umas deslizadas aqui e ali (geografia. Sempre a geografia). Me esforcei para passar no vestibular, e uma vez dentro da faculdade, bom... Quem precisa aprender sociologia, certo?

Esses pais. Tão influentes.
Com as mãos apoiadas no vidro, a menina observava.
Primeiro um chapéu, que subitamente se transformara no velho que o carregava. Então um navio, passeando tranquilo... Perto dele, um dinossauro. Um bocejo. Nada muito interessante.

Então, quando menos esperava, ele surgiu no horizonte. Enorme. Desta vez, ela não conseguiu conter a surpresa:
- Mãe, mãe! UM CASTELO!
- Hm? - a mulher abriu os olhos, desinteressada, e olhou através da pequena janela do avião - Ah, minha filha. São só nuvens. Vai dormir, vai.

Adultos.

Cinco perguntas sobre a Europa

1. Por que você foi?
Eu fui porque sou uma boa menina e passei em dois vestibulares. Passando em dois vestibulares, sendo um para uma faculdade pública, tendo 16 anos e um olhar pidão muito convincente, minha mãe quis me dar esse presente.

2. Quanto tempo você passou lá?
Quinze dias exatos. E a bateria do meu celular não descarregou! :O

3. Que países você visitou?
Primeiro Itália. Fui a Roma, Florença e Veneza. Depois tivemos uma viagem super agradável até os Alpes, então fomos pra a Suiça - passando por Lugano, Lucerna e Berna. Então, depois de oito horas de ônibus, chegamos em Paris.

4. Que cidade você mais gostou?
Difícil. Conheci mais Roma, já que passamos mais tempo lá. Mas a manhã que passei em Lugano me fez ver como a cidade era encantadora... E os poucos dias em Paris me apaixonaram completamente.

5. Vão ter mais posts sobre a viagem?
Espero!


Alguma pergunta que queira me fazer? Sinta-se a vontade! :D
Tudo bem, tudo bem. Nem eu sei por onde começar. O que é isso? O pudding voltou?! Seis meses de reforma? O que ela estava fazendo, construindo uma ilha? Salvando pessoas na África? Dormindo?

É, pessoas. Isso aí.
Nem eu sei o que andei fazendo esse tempo todo. Só sei que voltei com saudades, e cá estou! ;)Sintam-se completamente à vontade de fazer suposições sobre a minha ausência. E ser abduzida sempre será uma desculpa válida!

Ah, o amor, o amor...

"Vem,
Morena vem ouvir essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada trago na viola
Pra ver você mais feliz"


Pai: Lembra quando nós dançamos essa música numa varandinha? Tava chovendo tanto. Amor de jovem é muito bonito, né?
Eu: Eita, isso aí foi do tempo do Neneco-Astral*
Pai: A gente volta da praia melado, e dança numa varanda do tamanho dessa mesa. Tava até de biquíni preto..
Mãe: Biquíni preto? EU?
Pai: Não, eu.
(pausa)
Pai: O tempo é uma merda. Hoje em dia, esse tal de Zé Renato é um papudinho gordo, assim, goooordo, parece uma morsa.
Mãe: Não lembra, nem de longe, alguém que eu conheço.

Um pouco mais tarde, na hora de ir embora:
Mãe: Quer que eu dirija, amor?
Pai: NÃO!
Mãe: Quer um beijinho, meu amor?
Pai: Vá para o inferno.




Aahh, o amor, o amor, o amor. Uma coisa tão duradoura, tão linda de se ver!

*Neneco-Astral é o apelido que meu pai se auto-nominava quando tinha seus 25 anos, por aí, uns 50 quilos a menos e cabelo.

Sobre as Aparências

- O quê? Ela tá namorando com ele? Mas ele é super esquisito!
- Ele nem fala!
- Ela só pode estar louca. É até bonitinha, né? Consegue coisa muito melhor. Muuuito melhor.
- Ele é feio demais, olha o tanto de espinha! E aquele cabelo na cara? Ele é muito estranho, só senta no fundão.
- Ela também, né.
- Ah, mas ela nunca foi normal. Mas credo, chegar a esse nível... Deus me livre conversar com aquele menino. Ele é muito feio, deve ser um idiota.

Dispensando os comentários alheios, o casal ficou junto. Um ano e cinco meses depois, se encontram juntos, felizes. Ele faz cursinho longe daquele lugar, agora já não tem mais espinhas, o cabelo tão desarrumado, mas o ar esquisitão persiste. Ela faz faculdade e não se cansa de dizer como está feliz. Às vezes os dois encontram com aqueles mesmos conhecidos, que ainda os estranham, e nunca se quer tiveram coragem de conversar e ver como aquele garoto era irônicamente inteligente. E nem como olhos verdes e declarações poderiam se esconder detrás de uma pessoa tão... tão... "idiota". E as meninas? Continuam na mesma vida de sempre.

25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

Autora


Welcome

Tecnologia do Blogger.


Procura algo?




















Esse blog está vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque ninguém há de copiar esses textos e ilustrações sem dar o devido crédito.