Retrospectiva Literária 2014

Demorou, mas chegou!

Depois de um mês de atraso, ei-la. Íamos gravar em Fortaleza, mas esqueci o caderno em que anoto todas as minhas leituras no Rio, então atrasamos tudo. Isso e a preguiça, é claro.




Acho que alguns livros merecem ter seus posts, quem sabe num futuro próximo?
(Deixei em negrito os favoritos)
(The Magicians é um caso de amor e ódio que não consigo colocar em palavras, então marquei como favorito, mas na realidade até agora não sei se eu gostei)


Em 2014, Gabriela leu:
Fangirl - Rainbow Rowell
O Menino do Kampung - Lat
A menina que roubava livros - Markus Zusak (Abandonado)
The Interestings - Meg Wolitzer (Abandonado)
Jogos Vorazes - Suzanne Collins
Em Chamas - Suzane Collins
A Esperança - Suzane Collins
Breakfast at Tiffany's - Truman Capote
Cidade das Almas Perdidas - Cassandra Clare
O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks - E. Lockhart
Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Stieg Larsson
A Menina que Brincava com Fogo - Stieg Larsson
A Rainha do Castelo no Ar - Stieg Larsson
A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora - Gregório Duvivier
Febre de Bola - Nick Hornby
A Fundação - Isaac Asimov
Attachments - Rainbow Rowell
A Estrada da Noite - Joe Hill
Lola e o garoto da casa ao lado - Stephanie Perkins
Extraordinário - PJ Palace
Os mundos de Crestomanci - Diana Wynne Jones
Dom Casmurro - Machado de Assis
O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
Extremely Loud & Incredibly Close - Jonathan Safran Foer
Como ter uma vida normal sendo louca - Jana Rosa e Camila Fremder
As Crônicas Marcianas - Ray Bradbury
A vida em tons de cinza - Ruta Sepetys
Precisamos falar sobre o Kevin - Lionel Shriver
An Abudance of Katherines - John Green
Foras da Lei etc - Neil Gaiman & etc
A Droga da Amizade - Pedro Bandeira
Serena - Ian McEwan
Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie
Sandman Edição Definitiva - Vol. I - Neil Gaiman
Sandman Edição Definitiva - Vol. II - Neil Gaiman
Isla and the Happily Ever After - Stephanie Perkins
As Valentinas - Luiza Trigo
The Magicians - Lev Grossman
Alta Fidelidade - Nick Hornby
American Gods - Neil Gaiman
An Age of License - Lucy Knisley
Heart: Seed, Snow, Circuit - Lucy Knisley

Em 2014, MB leu:
Este Lado do Paraíso - F. Scott Fitzgerald
O Bom Jesus e o Infame Cristo - Philip Pullman
Os frutos dourados do sol - Ray Bradbury
Harry Potter e a Pedra Filosofal - J. K. Rowling (audiobook)
A ciência dos Superpoderes - Juan Scaliter
Wild Cards - Org. George R. R. Martin
Leite Derramado - Chico Buarque
Harry Potter e a Câmara Secreta - J. K. Rowling (audiobook)
Orfeu da Conceição - Vinicius de Moraes
Antologia Poética - Mário Quintana
1984 - George Orwell
Percy Jackson - O Ladrão de Raios - Rick Riordan
Paper Towns - John Green
Segunda Fundação - Isaac Asimov
Percy Jackson - O Mar de Monstros - Rick Riordan
Percy Jackson - A Maldição do Titã - Rick Riordan
Eleanor & Park - Rainbow Rowell
Percy Jackson - A Batalha do Labirinto - Rick Riordan
Percy Jackson - O Último Olimpiano - Rick Riordan
Poemas Escolhidos - Ferreira Gullar
Uma Força Medonha - C. S. Lewis
Olhos de Cão Azul - Gabriel García Marquez
A Cidade Inteira Dorme - Ray Bradbury
O seminarista - Rubem Fonseca
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling (audiobook)
Clube da Luta - Chuck Palahniuk
O Polegar do Panda - Stephen Jay Gould
Do amor e outros Demônios - Gabriel García Marquez
O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson
O Salmão da Dúvida - Douglas Adams
O Cavaleiro dos Sete Reinos - George R. R. Martin
Sandman Edição Definitiva - Vol. I - Neil Gaiman
O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
Extraordinário - R. J. Palacio
O caminho Jedi - Yavin Praxeum
O Restaurante no Fim do Universo - Douglas Adams
Deuses Americanos - Neil Gaiman

Essa tal de mudança de vida




Alguns momentos da nossa vida são reviravoltas tão rápidas que a gente chega perde o fôlego do giro, e fica desnorteado pra onde ir a seguir. Foi assim que eu me mudei pro Rio: de repente, saí do meu emprego, e deixei nele um peso enorme, e muito mais leve, trouxe em três malas toda a minha vida para cá. Passei dois meses, jamais sozinha, voltei para buscar o meu amor, e cá estamos. No Rio.

Quando a gente tinha pensado nisso, há vários meses, sentados no Arpoador e vendo o pôr-do-sol, tudo parecia lindo. Estávamos ganhando bem, a poupança estava gorda, a cama feita (e a rede!) me esperando em casa, enfim, toda essa certeza que só a rotina pode trazer. O casamento estava se encaminhando, mas para o quê? Viver o resto de nossos dias reféns dessa cidade que eu odeio (desculpa), nesse humor oscilante, e ter finalmente admitido que a vida é só isso mesmo? Sempre tive pavor de quem achava que a vida "era só isso mesmo", então como estava virando aquilo?

Fizemos nosso quarto, enchemos com nossas coisas, trouxemos lembranças, presentes de amigos. Compramos o que nunca tínhamos comprado, tipo colcha de cama. Elástico. Quantos elásticos são necessários? E esse climatizador é melhor que um ventilador comum, ou é roubada? E então, mesmo com a cabeça cheia de tarefas, preenchendo nossos dias que já parecem um sem fim, fica no fundo da garganta aquele medo.

Que medo.

E se nada der certo?

Bom, o certo deixamos pra trás, na terrinha, junto com o queijo coalho e o clima agradável. Aqui estamos no louco, no sem pé nem cabeça, completamente sem chão. E se nada der certo? Ele me olha preocupado com a grana, com o estilo de vida que a gente levava antes, e que queria muito continuar vivendo, mas a poupança infelizmente vai ter um fim. Tantos restaurantes que a gente quer conhecer, e temos que começar a nos preocupar com o preço dos tomates (eles tem gourmet na embalagem, devem ser mais caros, certo? Melhor nem levar, né? Nem queria tomate mesmo). E o medo de nada dar certo?

Será que não era melhor ter deixado para vir só em junho, depois do casamento, ter trabalhado mais esses seis meses + décimo terceiro, se organizado melhor? Será que teríamos nos organizado melhor? Ou será que continuaríamos a viver a nossa vidinha sem graça, até que num susto arrumaríamos nossas malas? A gente nunca foi muito bom de planejamento. 

Eu gosto de pensar que viemos na hora certa.
Que o aqui é agora, e se tá com medo, vamos com medo mesmo.
Viemos, chegamos, e estamos aqui. Aterrorizados, com dinheiro curto, procurando emprego, mas com um sorriso no rosto e um alívio no peito que não nega: aqui é o nosso lugar. Rio, estamos prontos para você.



Obs.: se você morar no Rio e por acaso souber de alguma coisa, quiser me indicar para algum trabalho, quiser pedir alguma ilustração, mandar um oi solidário, quiser ser amigos e vizinhos, tiver uma dica de prato feito barato, ou mandar um sinal de fumaça (gelada? que calor?), por favor - gabrielapinheiro @ gmail.com

Saudades de Londres

Ontem, hoje e sempre. O blog está passando por mais uma mudança (e eu também!), e hoje, arrumando os arquivos do computador (até ele está se organizando para ir pro Rio), achei esse vídeo que fiz depois que voltei de Londres. Na época achei o vídeo péssimo, mas hoje assistindo me deu uma saudade enorme. Também ando saudosa com tudo, então relevem. E por favor, relevem também o fato do vídeo ter saído tremidaço, não sei o que acontece quando tô com uma câmera na mão, então não recomendo pra quem tem labirintite (de verdade).


Sobre escrever a mesma história durante toda a minha vida

Estou revirando o meu quarto de cabeça para baixo porque vou me mudar, e olha, não tá sendo fácil. Eu sempre morei entre as mesmas quatro paredes desde o dia em que eu nasci, no teto ainda tem o gancho onde foi pendurado o meu móbile de bebê, e no chão tem manchas de tinta de várias tentativas de artesanato durante anos e anos. Mas se tem uma coisa que é recorrente, e que me destrói, é o fato de toda a minha existência ter sido entrelaçada com uma única história, a que eu mais gostei de contar, e que aqui já falei um pouco.

Deve ter sido em 1999, quando eu, com uns nove anos, inventei a Sabrina. Inventei ela completa, 16 anos, cabelos pretos e olhos verdes, nascida no ano de 1983 (?). Eu confesso que devo ter pego a história dela ser a Black Cat de algum episódio aleatório de Homem-Aranha, mas tirando o fato do título e da roupa serem iguais (detalhes), tudo o que seguiu aí passou a ser meu. Era profundamente influenciada, claro, então Sabrina tinha amigas que se transformavam em guerreiras também, e elas lutavam contra o mal, e a Sabrina namorava com o Matt, e no futuro eles teriam uma filha, a Danny, que iria se perder dos pais por algum motivo. Sabrina era princesa do Planeta Felino (sim), Matt o príncipe, e todos viveriam felizes para sempre.

Alguns anos depois, com onze anos, conheci a Monique, e ela embarcou nessa jornada (cilada?) de escrever comigo, e montamos uma história com começo, meio e fim. Tenho os cadernos com as nossas letras de criança até hoje, e amo aquela história. E em 2005, com 15 anos, nos reencontramos e voltamos a escrever essa mesma história, só que com outro viés, e foi com isso que me deparei essa semana, limpando o meu quarto.

Eu já escrevi centenas e centenas de folhas. Milhares, talvez. Todas sobre essa mesma Sabrina, que agora tem olhos cinza claro quase branco, mas continua namorando com o Matt, e que, olha só, acaba mesmo sendo princesa desse mundo mágico chamado Phyra. Só que agora ela tinha uma mãe suicida, pais adotivos maravilhosos, uma amiga gordinha, um cara que não sabe direito se é só amigo dela, e enfim, um mundo todo. Aliás, três mundos. Ao me deparar com essa minha letra de adolescente, preenchendo cadernos e mais cadernos com essa história, não teve como não lembrar de mim. Porque, no fim das contas, essa história sou eu, assim como é a Monique também.

Eu com 15 anos, lidando com o colégio como se fosse meu escritório, no qual eu tinha seis horas diárias para me dedicar ao meu livro e aos meus desenhos (todos, sem exceção, voltados para o livro). De 20 cadernos que devo ter achado nessa limpeza, apenas um continha um tantinho de matéria, e era bem no meio do caderno, e só era de física. Lembro de ter uns catorze anos e guardar, junto ao caderno do colégio, esse caderno do livro. E também lembro de, aos quinze, ignorar solenemente o caderno do colégio, e levar apenas o de trabalho. Porque acho que acreditava naquilo como um trabalho, e aí entra aquela frase clichê de que quem ama o que faz, nunca precisa trabalhar.

E era verdade, porque não existia nada na minha vida que eu amasse mais fazer do que escrever. Esqueça desenhar, esqueça pintar, que também é muito bom. Desenhar é como transmitir o que você está vendo para o papel, você imagina uma coisa, começa, e no fim ela está lá. Ela nunca está do jeito que você imaginou, ou quase nunca, porque ela acaba mudando um pouco, mas pronto. Escrever era como sentir um mundo inteiro dentro de mim fluindo, e eu nunca tinha a menor idéia de onde aquilo tudo iria me levar. Se começasse uma cena com "Sabrina acordou naquela manhã" podia tanto terminar com um dia banal do colégio, como em um episódio sofrido e existencial dela presa. Onde? Quando? Em que momento essa cena se encaixa na ordem cronológica? Eu não tinha a menor ideia, mas mesmo assim, era mais forte do que eu. As cenas saiam completas, ou quase, os diálogos tinham voz na minha mente. Eu era totalmente dominada por esses personagens, por essas vidas, por tudo. Todas as músicas que ouvia me remetia a um ou a outro, e hoje, ao escutar esses cds, lembro um pouco de estar no ônibus indo para a faculdade, mas lembro muito mais daquele momento em que a Sara e o Diego terminaram. Lembro da cortina branca sacudindo na janela daquele cômodo que nunca fui em carne e osso, mas que visitei tantas vezes em minha mente, ouvindo aquela música, que impossível não lembrar dele. Que saudade.

Eu havia separado uma gaveta para guardar todo o material referente ao livro que encontrasse, mas não foi o suficiente, pois eu continuo encontrando pedaços dele em todos os lugares que me viro, e que não arrumei ainda. De vez em quando acho uma cena que a Monique escreveu, e fico besta ao pensar que ela também viveu tudo aquilo comigo, e como ela escreve incrivelmente bem. Como era estar tão dentro desse universo particular, e acho que nenhuma de nós duas estranhava o que a outra tinha decidido porque, no fim das contas, parece que a gente só transmitia o que já havia sido decidido por alguém. O livro era uma benção que nós duas recebemos e colocamos adiante, mas é óbvio que tivemos inúmeros momentos de debater o que iria acontecer, de como fechar as portas que deixamos abertas, e o que aqueles sinais que colocamos iriam significar no fim das contas.

Escrever, para mim, era me sentir completa. Se ler é uma delícia, imagina a ideia de que você está lendo algo completamente inédito, porque até um segundo atrás ele não existia. Mas eu não sabia que, depois desse namoro que é inventar, debater, editar e reler e reler e reler, existe essa fase estressante e em que tudo dá errado, que é a ideia de publicar. A gente sempre sonhou em ser publicada, e hoje vejo com uma cara azeda quem fala que é muito difícil escrever um livro. Não, meu amor, escrever um livro é tão natural quanto respirar, agora tenta publicar essa merda, tenta fazer alguma coisa com isso que não seja entupir dezenas de gavetas com ideias incríveis mas que, infelizmente, não se enquadravam no mercado editorial. A gente tentou de novo, e várias vezes, até o momento em que as rejeições foram mais fortes e a gente acabou perdendo o ânimo de continuar com aquilo. 500 páginas escritas de uma continuação, começamos a achar tudo ruim, a second guess tudo que já havíamos escrito. De fato, uma parte do livro não estava funcionando, mas o fato do primeiro estar morrendo afogado na praia pesava tudo. Então, simplesmente do nada, paramos de tentar.

Só que é simples você deixar algo para o lado e seguir com a sua vida, mas deixa você inventar de se mudar e se deparar com todos aqueles (TANTOS) cadernos, cópias impressas, e cartas de apresentação. E de você sorrir lembrando como era bom. E de você chorar porque talvez realmente fosse a fase mais feliz da sua vida, a de estar sentada com um caderno no meio da sala de aula, escrevendo. Eu sei que os tempos a frente são promissores, são bons, sei que o mercado editorial mudou, sei que podemos publicar independentes, mas havíamos perdido a força para fazer isso. É uma frustração muito, muito grande ser rejeitada, ainda mais quando se acredita tanto no próprio trabalho. Nos ligamos hoje. Choramos ao telefone, e lembramos de um monte de coisa - ei, lembra que a Roberta acha que tá grávida? Ei, você lembra daquele dia em que o Julio brigou com o pai? Por que foi mesmo? -, e decidimos que era momento de tentar de novo.

Mas, primeiro, vamos reler tudo. Temos duas caixas, uma gaveta, uns seis cadernos e umas três pastas de folhas soltas, além de umas 800 páginas escritas do word, e pelo menos uns 13 anos das nossas vidas adolescentes pela frente. E, se você quer saber, sinto que dessa vez vai dar certo.


Bad Hair Life



Eu tenho uma amiga, que eu já falei por aqui várias vezes, que é maravilhosa e praticamente não parece real. É o tipo de estereótipo de beleza que todos nós deveríamos querer seguir (e queremos, geralmente, mas que é impossível para a maioria) da magra e loira. Todos os dias ela chegava no trabalho impecavelmente maquiada, e com o cabelo platinado sempre muito bem arrumado, com as pontas levemente onduladas, a franja reta e sem uma gota de óleo. Uma menina disse:
- Ai, que sonho, queria ter o seu cabelo.

Ao que a Flávia respondeu:
- É só você acordar uma hora mais cedo, secar com secador, passar leave-in bom e um babyliss.

A parte de fazer tratamentos mensais em salões caros era subentendida. O pior é que a proximidade acabou me fazendo ver outros lados do cabelo sempre magnífico loiro da Flávia, que era fino, que tinha uns fiapos estranhos everywhere, enfim, cabelo como todo cabelo do mundo. Tem dias bons, tem dias ok, tem dias cruéis e tem dias lindos.

Mas aí tem o meu cabelo.
O meu cabelo.

Apenas nasci na época errada


Em fotos eu engano, tem todo aquele discurso que a Flávia falou de sair mais cedo, fazer escova, etc. As pessoas se surpreendem, acham que é brincadeira, até que elas pegam um pouco mais de intimidade e percebem isso mesmo. Meu cabelo é simplesmente o cabelo mais rebelde e absurdo que eu já vi, uma evidência clara que não se pode ter tudo, que quem manda na sua cabeça não é você, que a vida não é bem assim.

Juro que um dia foi assim




Quando eu tinha uns 14 anos ele era bem cacheado, mas aí eu fiz uns 18 e ele melhorou bastante. Aos 19, era lindo, de fazer inveja. Nesse período fui para uma festa de formatura cheia de gente com olho gordo e ele caiu inteiro, eu cortei curtinho e ele ficou liso (?) (foto acima), e então cresceu. Continuou tendo momentos bons e momentos ok, até que, BUM! Olha só, você dormiu com um cabelo bom, e acordou com essa vassoura esfiapada aqui na sua cabeça. Quem foi que achou que eu não ia notar a diferença?

O pior de tudo é ouvir os seguintes comentários:
- Mas você tem que fazer hidratação em casa.
- Olha, mas sua fibra é boa, ela só é meio rebelde.
- Nossa, mas não é que o toque é bom?

Eu pago xampus caros, cremes caríssimos, leave-ins que não duram nada no meu armário, óleo especial miraculoso, essas coisas. Eu nem seco o cabelo! Não é que ele seja maltratado de tanto eu puxar com a chapinha, ou daquela minha atividade física incrível que envolve suor, sal, mar e parafina. Não. Eu lavo o cabelo a cada dois dias, passo creme (caro! CARO!), eu passo leave-in, eu seco com toalha de algodão, eu compro pente de madeira, enfim, faço o que for para essa caralha ficar bonita.

E. não. fica. Nunca. Mais.

Não sei se foi macumba que jogaram, mas já acendi velas e pedi pra Deus e nossa senhora tirarem esse negócio de mim. Quero meu cabelo de volta! Me mostre uma técnica que eu não tenha tentado. Só fica bonito com escova, e eu não sei fazer escova, então o que posso fazer? Gastar rios de dinheiro e maltratar ainda mais com o calor? Não tem um relativo à são longuinho, do tipo, se você fizer meu cabelo ficar bom, eu dou uns mil pulinhos?

Não sei se meu cabelo gosta é de apanhar. Será que se eu lavar com sabão de côco ele para de ser essa piada e volta a ficar bom? Duvido. Enquanto isso, sigo testando todas as novidades capilares, e aprendendo cada vez mais a fazer penteados (viva o Pinterest), porque apenas MB e minhas amigas para me verem todos os dias acordar com essa juba e continuarem me amando.

Aqui vai uma foto para vocês não falarem que estou exagerando.


Aceito Jabá da Kerastase

Pedaços amorfos de cabelo que não forma cacho e se odeia tanto que se repele, cachos amassados estranhos e uma dose extra de frizz para coroar. Quero ver Dove me chamar pra fazer propaganda de xampu para cabelos indisciplinados.

Não sei a quem agradeço por ter colocado os coques de volta à moda, e se vocês um dia me verem de cabelo solto bonito, saibam que foi um alinhamento de planetas. Ou então que acabei de gastar mais quinhentos reais no salão num novo tratamento que disfarçou tão bem que, na próxima lavada, meu cabelo fará questão de renascer mais volumoso e mais bizarro.

Por favor, volta.


Ah, e pra completar, mês passado decidi cortar uma franja.

Projeto Amor


No começo de abril (que todo mundo está cansado de saber que foi o pior mês do mundo), eu e MB decidimos ter 42 primeiros encontros de novo. Não sei porque demorei tanto a escrever sobre esse projeto aqui, mas, bom, cá estou eu.

Nesse ínterim, talvez pela presença maligna de Mercúrio sobre todos os signos, a gente viajou, brigou, chorou, fez greve de fome, e voltou. Mas voltar a ler esses posts já escritos faz meu coração reacender de amor, e bom, eu precisava postar aqui. Precisava falar um pouco mais sobre esse amor que eu já escrevo tanto sobre numa tag aqui do blog, e o melhor, ver o que também ele tinha para me dizer sobre isso também. Demos uma pausa no ápice dos desentendimentos, e agora esperamos o melhor momento para retomar esses últimos 20 dias de amor e de paz, que quem sabe também não marque outros recomeços.

A rotina às vezes sufoca, o amor vira aquele sentimento tão banal que beijar é mais um reflexo que uma vontade. Mas, posso ter certeza, que mesmo depois de 8 anos (!!!) juntos, ainda consigo olhar para ele e me apaixonar um pouquinho todas as vezes.

E espero que todo mundo que lê esse blog possa se apaixonar também.

PS.: Sempre tem ilustrações!
PS2.: Quem quiser comentar no blog, compartilhar o projeto no facebook, e espalhar o amor será recompensado com MAIS AMOR. Mãe Gabriela garante.
PS3.: Quem quiser fazer post indicando (isso ainda existe?), colocar link, meu Deus, posso mandar um beijo?

4 de maio, e a gente

Há dois anos atrás, a Máfia decidiu fazer um meme no qual todas nós postaríamos, anualmente, sobre o dia quatro de maio. A data foi escolhida de forma aleatória, o primeiro eu perdi, e o segundo você encontra aqui. O que ninguém sabia era que o terceiro seria tão, tão especial.

Já foram-se dois encontrões que eu participei e que passaram batido sem post - o primeiro, em Curitiba, em que eu fiquei aterrorizada. E se elas não gostassem de mim? Passei o vôo inteiro com frio da barriga, mesmo já tendo conhecido a Milena e a Anna Vitória em outras oportunidades. Cheguei, esperei, e quando vi fui recebida por um abraço coletivo maravilhoso, e que naquela hora eu simplesmente soube. Fiquei calada boa parte do tempo (eu acho), porque todas me acharam quietinha. No segundo encontrão, em São Paulo, tudo já estava natural, e eu não podia me sentir melhor rolando no chão da casa da Renata, dando sinopses furadas de filmes péssimos e depois brincando de Imagem & Ação. Eu, que odeio jogar. Mas é que... Quando estou com vocês, deixo de ser eu, e viro a gente.

Deixa eu contar uma coisa pra vocês: eu sempre fui um "a gente". Na época do colégio, a gente ia fazer o trabalho. A gente ia fazer um pôster legal. Até mesmo no meu relacionamento, e na minha família, acontece de vir de uma forma ou de outra aquela frase: a gente precisa fazer tal coisa. Só que esse a gente, na verdade, sempre significou que eu iria fazer tal coisa sozinha, mas que teria apoio moral, risadas, e o que mais fosse. A gente precisa fazer significa, olha, você precisa fazer tal coisa, mas eu tô aqui te olhando.

Só que aí chegamos no Rio, na última quarta-feira, e o Rio inteiro parecia ser a nossa casa. Dos pais da Paloma sendo maravilhosos e mandando a gente se sentir à vontade, quando a gente já estava deitada de pijama rolando no chão e abusando do wifi há horas. De quando a gente se vestiu de rosa e foi ser viking no Outback, e da conexão gordice que eu e a Giu estabelecemos imediatamente e para todo o sempre. De quando a gente me mandou lavar o cabelo e secar, e a gente garantiu que ia dar certo, só pra segundos depois a gente cair na gargalhada da merda que tinha ficado. Da gente não ter conseguido seguir horário nenhum, mas quando a porra ficou séria e eu e Deyse fomos tirar nosso visto, a gente conseguiu manter um plano perfeito. De quando a gente chegou na casa da minha avó, e a gente chorou quando ela inventou um presente fofo, e segundos depois a gente quebrou a cama de hóspedes, e ela riu.

Quando a gente decidiu que o Natal seria no dia 1o de Maio, e foi. E a gente trocou tanto presente, que juro, voltei a ter esperanças e gostar do Natal. Porque foi um dos momentos mais mágicos da minha vida, estar sentada naquele colchão inflável, sendo presenteada, distribuindo amor e abraços. De quando a gente não conseguia passar um minuto sem se abraçar. De quando a gente brincou com papel na testa, e eu que odeio brincar, me diverti horrores. De quando a gente foi pra praia de ônibus, confortavelmente, enquanto a gente ia fazendo bagunça de bicicleta na Ciclovia. De quando entramos correndo no mar, como se nunca tivéssemos visto tal coisa na vida, e eu nem escutei a voz da minha mãe me dizendo para jamais tomar banho de mar no Rio. É frio, é perigoso, a correnteza te puxa. Caímos todas na água de mãos dadas, levamos caldo, e fomos espalhar areia no chão da Cultura. Quando a gente se deitou ao meu lado, e me ouviu ler um livro maravilhoso, que a gente prometeu comprar correndo depois.

Quando a Analu e a Anna se perderam na livraria, e disseram: nossa, onde é que a gente pode estar? E é óbvio que a gente estava deitada no chão. E é óbvio que os funcionários da Cultura até hoje encontram areia nas almofadas. Foi nessa justa hora que reparei que a gente era... A gente.

De quando a gente passou a noite trocando figurinhas, e comendo pizza, e depois dormiu em camadas. De quando a gente brigou, e chorou, porque só se briga com quem se ama muito. De quando a gente comeu um churrasco que não era gaúcho, e tomou as melhores caipirinhas feitas por uma pônei, e riu, e cantou. A gente cantou a viagem inteira, do começo ao fim, em qualquer lugar. Não sei como a gente não cantou em pleno consulado americano, ou pelo menos saiu cantando de lá quando conseguimos tirar o visto. Mas a gente cantou. E muito, e qualquer coisa. A gente se arrepiou quando estava deitada de roupa, nas areias de Copacabana, e lembrou que o Chico avisou para a gente não se afobar não, que nada é para já.

Mas a gente tinha que ir embora, e a gente chorou no aeroporto. E a gente perdeu o vôo, e voltou, mas a gente também teve que ir embora.

No dia quatro de maio de 2014, eu estava em casa. Ao contrário do ano anterior, que eu fui tão produtiva que nem acredito, nesse ano eu dominguei. Dormi boa parte do dia, exausta, joguei videogame, li um pouco, dei atenção ao MB que estava há mais de uma semana sozinho. Saímos para jantar, e dormi cedo. Estava sentindo uma dor terrível, uma ressaca péssima, que eu só posso concluir como sendo um coração partido de saudades da gente.

Demorei uma vida inteira, viajei, me formei e trabalhei, para encontrar a gente. E chegar à conclusão que, apesar de sofrer, meu Deus, como a gente é feliz.

Para que se a gente para o mundo para




25 anos. Mora no Rio de Janeiro, é carioca de alma, mas cearense de coração. É designer e está tentando se encontrar nesse mundo. Sou casada com meu melhor amigo, o Marcelo Bernardo, e mãe da Dindi the Boston.

Gosto de ler, de dormir de rede, de inspirações repentinas e de petit gateau. Mas o mundo seria muito melhor sem aliche gente que fura fila. Ah, e de vez em quando eu desenho.

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